JORNADA APOSTÓLICA

Papa Leão XIV inicia viagem pela América do Sul no Uruguai

Em sua sexta viagem internacional, o Pontífice exalta a democracia uruguaia, defende a transição energética e faz alertas sobre a inteligência artificial

Thiago Coutinho
Da redação

O Papa Leão discursa em uma cerimônia de boas-vindas na Plaza Independencia, durante a primeira visita papal ao Uruguai desde 1988, como parte de sua viagem de 12 dias à América do Sul / Foto: Yara Nardi – Reuters

Após chegar à capital do Uruguai, Montevidéu — primeiro destino de sua viagem apostólica à América do Sul —, o Papa Leão XIV se encontrou com autoridades da sociedade civil e com o corpo diplomático do país. Yamandú Orsi, presidente do Uruguai, deu as boas-vindas ao Santo Padre.

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O Bispo de Roma, por sua vez, recordou figuras históricas que remontam à origem do povo uruguaio, como Angelo Zanelli: “Não precisamos nos afastar deste local para o evocar, uma vez que o monumento a Artigas, situado no centro desta praça, tem no seu pedestal um friso de bronze no qual Angelo Zanelli representou cenas dessa marcha. Gostaria de me deter em alguns detalhes dessas figuras, pois oferecem um ponto de partida concreto para ver também o Uruguai de hoje”, disse o Papa.

A seguir, enalteceu as quatro décadas ininterruptas do regime democrático vigente no país. “Em 2025, completaram-se quarenta anos ininterruptos de democracia no Uruguai, durante os quais, por decisão dos cidadãos, se sucederam diferentes governos. A autoridade pública encontra a sua razão de ser no serviço ao bem comum e é chamada a ser exercida no âmbito da ordem jurídica, respeitando a liberdade e a responsabilidade dos cidadãos”, destacou Leão XIV.

O Pontífice recordou ainda seu predecessor, o Papa Francisco, e o conceito propagado por ele sobre a importância de transmitir às futuras gerações os bens hoje conhecidos. “Esta responsabilidade traduz-se nas decisões que afetam o uso dos recursos naturais e das fontes de energia. Nas últimas décadas, o Uruguai transformou profundamente a sua matriz de produção de energia elétrica, que hoje se baseia quase inteiramente em fontes renováveis. Trata-se de um resultado notável que exigiu decisões sustentadas ao longo de anos e a participação de diversos setores do país”, ponderou o Papa.

“O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho”

Mostrando-se atento ao mundo contemporâneo, o Papa Leão também abordou a inteligência artificial e a sua aplicação em diversas áreas da sociedade.

“O trabalho torna-se, assim, um dos meios que permitem a cada pessoa desenvolver as suas capacidades e contribuir para o bem dos outros”, disse o Pontífice à multidão que o ouvia. “Convém recordar que ‘o trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho'”, citando um trecho da carta encíclica promulgada pelo Papa João Paulo II em 14 de setembro de 1981.

“Este critério mantém toda a sua atualidade face às rápidas mudanças da tecnologia e da inteligência artificial”, prosseguiu Leão. “O desenvolvimento destas tecnologias deve ampliar as capacidades humanas, facilitar as tarefas e criar possibilidades, procurando garantir que a pessoa que trabalha não seja reduzida a uma mera peça dispensável em meio ao processo produtivo”, pontuou.

Leão XIV passará 12 dias na América do Sul. O itinerário de sua viagem ainda inclui passagens pela Argentina e pelo Peru. O Uruguai não recebia uma visita papal desde 1988, quando São João Paulo II esteve no país (sua segunda visita, após ter ido também em 1987). O Papa deve percorrer cerca de 31 mil quilômetros em solo sul-americano na sexta viagem internacional de seu pontificado.

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