Viagem Apostólica

Cardeal Odilo Scherer analisa impacto da visita papal à América do Sul

Arcebispo de São Paulo comenta impactos locais e diplomáticos da presença do Santo Padre nos países sul-americanos nesta sexta viagem apostólica de Leão XIV

Thiago Coutinho
Da redação

Cartaz com a foto do Papa Leão XIV em prédio nas ruas de Buenos Aires, capital argentina / Foto: REUTERS/Agustin Marcarian

Neste domingo, 8, o Papa Leão XIV dá sequência à sua viagem apostólica, a sexta de seu pontificado. A Argentina é o segundo território sul-americano no itinerário do Santo Padre — que já esteve no Uruguai e ainda irá ao Peru, nesta jornada de 12 dias no continente.

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“Geralmente, a visita do Papa é uma visita pastoral à Igreja de um país; é claro que ele também visita as autoridades legitimamente constituídas, uma vez que o Papa também representa um pequeno Estado, além de representar a Igreja Católica”, explica o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo.

Mas quais seriam os efeitos concretos que estas visitas papais podem trazer à nação visitada? Para Dom Odilo, é necessário analisar cada caso. “Mas não há dúvida de que a visita do Papa ao Uruguai, à Argentina e ao Peru vai levar grande ânimo à Igreja local, que se sente honrada em acolher o Papa”, exalta.

A realidade local

Ao visitar países que nem sempre ocupam o centro das prioridades internacionais, o Papa sinaliza sobre a importância das realidades locais para a Igreja Católica, incluindo indagações importantes como as questões sociais, políticas e culturais. “Isso depende de cada visita”, observa Dom Odilo. “Geralmente, nas suas falas ao povo ou às autoridades civis e da Igreja, o Papa aborda as questões sociais, culturais e religiosas que mais desafiam a missão da Igreja local, dando diretrizes a partir do ensinamento universal do Evangelho de Cristo”, detalha.

Por outro lado, Dom Odilo assegura que essas indagações sociais quase nunca passam despercebidas pelo Santo Padre em suas jornadas apostólicas. “Não tem faltado a palavra dos Papas à Igreja sobre a urgência de abraçar decididamente a nova evangelização. Às autoridades públicas, o Papa geralmente aborda a promoção da justiça e a solidariedade social, o respeito à vida e à família, aos direitos humanos, sobretudo à liberdade dos cidadãos. E não faltarão apelos em favor da paz social e da superação das violências”, assegura.

O Cardeal Odilo Scherer / Foto de arquivo – Daniel Xavier

Diplomacia

Além dos questionamentos sociais, fica claro que estas visitas papais fortalecem a influência diplomática da Santa Sé na América do Sul e abrem espaço para o diálogo com governos e sociedades locais.

“A visita do Papa a um país é precedida de uma intensa atividade diplomática em relação ao programa da visita, aos encontros do Papa com os grupos ou situações particulares”, explica Dom Odilo. “A presença do Papa também acontece sempre no estrito respeito pelas regras da boa diplomacia e do respeito pelo país e pelo povo visitado. E tudo isso destaca a competência e a qualidade da diplomacia da Santa Sé, que traduz os princípios do Evangelho”.

Uruguai, Argentina e Peru: distinções e semelhanças

As diferenças entre os três países — especialmente suas trajetórias políticas, sociais e religiosas — influenciam as mensagens e os gestos de cada pontífice durante as visitas. Sem dúvidas, o Sucessor de Pedro atenta às distinções antes de se dirigir aos fiéis que se aglomeram durante suas visitas.

“Cada visita é diferente e todos os aspectos da visita, como o cerimonial, o programa da visita, os deslocamentos, os encontros e as celebrações e até os custos, foram tratados de maneira particular com as autoridades de cada um desses países: Uruguai, Argentina e Peru. Cada visita é única e foi preparada de maneira diferenciada”, pondera Dom Odilo.

Essas visitas acabam projetando os países para além de suas fronteiras e colocam suas demandas e seus desafios no centro da atenção internacional, ainda que muito desses impactos permaneçam nos campos religiosos e simbólicos.

“O efeito da visita é, sobretudo, local”, assegura o bispo da Arquidiocese Metropolitana de São Paulo. “A divulgação internacional dependerá muito da relevância dos eventos locais da visita e do destaque que a imprensa internacional dará a determinados aspectos da visita. Seria importante que o povo da Igreja acompanhasse a visita diretamente por meio dos meios de comunicação social, ou procurasse ler na íntegra as falas originais do Papa”, aconselha Dom Odilo.

“O que se difunde pela imprensa e pela mídia nem sempre é o mais relevante da visita e das palavras do Papa”, finaliza o prelado.

A viagem apostólica do Papa Leão XIV segue neste domingo, 8, para a Argentina. A agenda do Pontífice inclui uma visita ao Monumento ao General San Martín e aos Exércitos da Independência, na Plaza San Martín. Leão XIV encerra um jejum de 39 anos sem que um Papa visitasse Buenos Aires. Depois, seguirá para o Peru. 

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