No Uruguai

Papa na vigília: Cristo não nos chamou à mediocridade, mas à santidade

Leão XIV refletiu sobre a secularização e incentivou os católicos a testemunhar a fé com coragem e esperança durante vigília no Estádio Centenário, no Uruguai

Julia Beck 
Da Redação

Montagem de fotos mostra o Papa Leão XIV durante vigília de oração no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O Pontífice aparece discursando e acenando aos fiéis do papamóvel, diante de uma multidão.

apa Leão XIV reúne-se com fiéis durante vigília de oração no Estádio Centenário, em Montevidéu, neste sábado, 7; o encontro foi marcado por momentos de oração, reflexão e proximidade com os participantes /Foto: REUTERS/Andres Cuenca.

O último compromisso deste sábado do Papa Leão XIV no Uruguai foi a vigília de oração no Estádio Centenário, em Montevidéu, na noite deste sábado, 7. Em seu discurso, o Pontífice refletiu sobre os desafios da transmissão da fé em uma sociedade cada vez mais secularizada e incentivou os católicos a não desanimarem diante da indiferença religiosa.

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Ao recordar o nascimento de Jesus em Belém, destacou que a força da Igreja não está no número de fiéis, mas na capacidade de testemunhar Cristo por meio da própria vida. Durante a vigília, Leão XIV ouviu testemunhos de fiéis e agradeceu às famílias, sacerdotes, consagrados, jovens e leigos que perseveram na missão de anunciar o Evangelho.

A fé em meio à secularização

Ao abordar a realidade religiosa do Uruguai, o Papa reconheceu que muitas comunidades cristãs enfrentam dificuldades para transmitir a fé às novas gerações. Segundo ele, em diferentes partes do mundo, cresce o número de pessoas que vivem sem uma relação com a Igreja.

Nesse contexto, Leão XIV destacou que o testemunho dos católicos uruguaios pode inspirar comunidades de outros países que também experimentam a condição de minoria religiosa. Para ilustrar sua reflexão, o Pontífice recordou Belém, pequena cidade escolhida por Deus para o nascimento de Jesus. A partir dessa imagem, explicou que a diminuição da presença social dos cristãos não deve ser interpretada como sinal de irrelevância. “Deus escolheu Belém, e essa escolha é suficiente para que não identifiquemos pequenez com insignificância”, afirmou.

O Santo Padre também comparou a falta de lugar para Jesus na hospedaria de Belém à indiferença religiosa dos dias atuais. Segundo ele, as ocupações, os projetos e as distrações podem preencher a vida humana a ponto de a ausência de Deus deixar de ser percebida. “Quando se pretende construir um mundo sem Deus, corre-se o risco de deixar também o homem sem lugar”, alertou.

Diante dessa realidade, incentivou os fiéis a manterem Cristo no centro da vida por meio da oração, da participação na Missa, da Confissão e da leitura meditada do Evangelho.

Coragem para viver a fé e assumir compromissos

Em outra parte do discurso, Leão XIV recorreu à imagem dos Reis Magos, que seguiram uma estrela até encontrar o Menino Jesus. O Papa explicou que, assim como aquela luz conduziu os Magos a Belém, a vida dos cristãos deve despertar em outras pessoas o desejo de conhecer Deus.

O Pontífice dirigiu então um apelo especial aos jovens, encorajando-os a assumir compromissos duradouros, especialmente no matrimônio, na formação de uma família e na resposta à vocação religiosa. “Não tenhais medo do ‘para sempre’!”, exortou.

Aos casais, pediu abertura à vida, mesmo diante de uma cultura que, segundo ele, frequentemente apresenta os filhos como um peso. Já àqueles que sentem o chamado ao sacerdócio ou à vida consagrada, incentivou a não ignorarem a vocação por medo de renunciar a outras possibilidades.

Leão XIV também destacou que o testemunho cristão exige escolhas concretas, como agir com honestidade mesmo diante de prejuízos, perdoar quando isso parece uma derrota e colocar as necessidades dos outros acima dos próprios interesses. “Para muito iluminar, não é preciso sermos muitos, mas refletir a luz do Senhor”, ressaltou.

“Jesus Cristo é a nossa esperança”

Ao recordar o anúncio do nascimento de Jesus aos pastores de Belém, o Papa destacou que a alegria do Evangelho é destinada a todas as pessoas, inclusive àquelas que não estão à procura de Deus.

Segundo o Pontífice, a missão da Igreja não se limita a acolher aqueles que já buscam a fé, mas consiste também em levar a mensagem de Cristo a quem vive distante da experiência religiosa.

Leão XIV recordou que a esperança cristã nasce da certeza de que o amor de Deus supera o sofrimento, o pecado e até mesmo a morte. “Jesus Cristo é a nossa esperança! A sociedade pode encontrar noutras instituições muitas coisas valiosas, mas nenhuma delas pode substituir o anúncio de que o amor de Deus é mais forte que a morte, o ódio, a violência, a guerra e o pecado”, afirmou.

O Santo Padre acrescentou que o encontro com Cristo transforma a maneira de enfrentar a vida. Assim como os pastores regressaram às suas atividades depois de conhecerem Jesus, os cristãos são chamados a retornar às suas responsabilidades cotidianas com uma fé renovada.

Papa convida fiéis a uma vida de santidade

Na parte final de sua reflexão, Leão XIV fez um convite à santidade, ressaltando que a vida cristã não pode se limitar ao cumprimento de obrigações religiosas ou a uma fé vivida apenas por costume. “Sede santos! Não vos contenteis com uma vida simplesmente correta, nem com uma fé de costume que se satisfaz com o indispensável”, exortou.

O Papa explicou que ser santo significa viver plenamente a graça recebida de Cristo, permitindo que o encontro com Ele transforme as escolhas, os relacionamentos e as atitudes de cada dia. “Cristo não nos chamou à mediocridade, chamou-nos a uma vida nova e plena como a sua”, acrescentou.

O Pontífice concluiu sua mensagem destacando a importância da Eucaristia como lugar privilegiado de encontro com Jesus. Ao recordar que o nome Belém significa “casa do pão”, estabeleceu uma ligação entre o nascimento de Cristo e sua presença real no Santíssimo Sacramento. “Procurai-o ali, na adoração eucarística. Falai-lhe como a um amigo e deixai-vos olhar por Ele”.

Por fim, Leão XIV confiou os fiéis à proteção de Nossa Senhora dos Trinta e Três, padroeira do Uruguai, pedindo que a Virgem Maria os ensine a reconhecer e seguir Jesus, respondendo com generosidade ao chamado de Deus.

 

 

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