16 a 24 de outubro

Festa de Frei Galvão une fé, cultura e solidariedade em Guaratinguetá

Festa em Guaratinguetá alia celebração religiosa a ações sociais e estimula a edificação humana, comunitária e espiritual dos fiéis

Thiago Coutinho
Da redação

Imagem de Frei Galvão no santuário a ele dedicado em Guaratinguetá / Foto: Wesley Almeida – arquivo Canção Nova

Nascido na Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá — atualmente conhecida como Guaratinguetá, no interior de São Paulo, Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro, terá uma novena dedicada à sua vida e história com início nesta sexta-feira, 16, seguindo até o dia 24, véspera da festa do santo, celebrado em 25 de outubro.

O tema da novena deste ano, “Vai e Reconstrói! Com Frei Galvão, edificando vidas e moradas”, também recordará o marco de 10 anos de Frei Galvão como Patrono da Construção Civil. “A escolha deste tema foi em função da declaração de Frei Galvão como patrono da construção civil, marco do qual neste ano celebramos 10 anos”, explica Frei Diego Atalino de Melo (OFM), frade franciscano e reitor do Santuário Frei Galvão, em Guaratinguetá.

Este lado pouco explorado sobre a vida do santo reflete-se também em sua trajetória religiosa. Em sua vida eclesiástica, Frei Galvão insistia na edificação das relações, das famílias e da fé. “Ele trabalhou, evidentemente, por mais de 25 anos na construção do Mosteiro da Luz”, recorda Frei Diego. “Mas a vida dele mostra que ele insistia na construção e na edificação de relações, de famílias, de uma fé e de uma espiritualidade que levasse a um compromisso com os mais pobres. Esta foi a vida de Frei Galvão. Então, vai ser nesse sentido que trabalharemos estes 10 anos de Frei Galvão como patrono da construção civil, sempre alinhando a celebração a essa construção humana e espiritual”, reitera.

Mais de cem mil peregrinos

Para a novena de 2026, a estimativa é que 120 mil peregrinos visitem Guaratinguetá durante o período festivo. “Temos acompanhado um crescimento a cada ano que passa na festa de Frei Galvão”, celebra o frade responsável pelo Santuário. “No ano retrasado, tínhamos 65 mil pessoas; no ano passado, foram 90 mil; e, para este ano, estamos aguardando um público de aproximadamente 120 mil pessoas. Uma grande estrutura foi montada aqui no santuário com tendas e barracas, além de toda a parte de segurança, programação cultural com 16 shows para o povo e expansão do setor gastronômico”, explica.

Há ainda uma equipe com nada menos que 400 voluntários que acolherão os devotos que visitarem a cidade até o próximo dia 25. “E, claro, será também garantida a distribuição das pílulas de Frei Galvão, uma vez que durante este mês de outubro os pedidos se intensificam”, informa o frei.

Parcerias educativas

Além das missas, procissões da novena (16 a 24 de outubro) e da grande festa (25 de outubro), a programação inclui atividades culturais e educativas em parceria com instituições como o Museu de Arte Sacra de São Paulo. Para Frei Diego, esta combinação de atividades da novena mostra como a vida de Frei Galvão abrangia diversos aspectos da existência.

“Nós entendemos sempre Frei Galvão como um grande promotor da vida e da vida em plenitude, que era aquilo que desejava Jesus”, observa o frade. “E esta vida plena passa por diferentes aspectos. Passa, evidentemente, pelo espiritual — com todas as celebrações, novenas e a dimensão mística da festa — e passa pelo cultural, ao promover a cultura, a diversão saudável e familiar, e o acesso a realidades que para alguns talvez sejam distantes.”

Além do aspecto religioso e fraterno, Frei Diego destaca a dimensão da solidariedade que a novena traz à tona. Em 2025, segundo o frade, foi arrecadada 1,5 tonelada de alimentos. “Este ano a gente espera superar este número com doações destinadas às famílias que passam por necessidades. Frei Galvão também tem este olhar para os excluídos, aquilo que o Papa Francisco chamava de periferia existencial e humana”, pondera.

Um grupo de frades, durante a novena, visitará asilos, presídios, hospitais, orfanatos, casas de recuperação e instituições públicas e privadas. “Assim, levaremos Frei Galvão até aqueles que se encontram em um momento de dor e dificuldade”, lembra o reitor do Santuário.

Um apelo de esperança

Frei Galvão ficou marcado historicamente pela caridade, acolhimento e habilidade de edificar tanto obras físicas quanto espirituais. Qual seria, então, o principal apelo ou reflexão que esta festa deixa para os fiéis diante dos desafios sociais, interpessoais e econômicos atuais?

“A vida de Frei Galvão é marcada, sem dúvida, pelo olhar para o próximo”, aponta Frei Diego. “Frei Galvão, costumo dizer, é um santo da criatividade pastoral, da criatividade humana. Nesse sentido, temos o compromisso com o próprio santo de sermos também criativos em fazer com que o povo se sinta mais motivado a buscar os seus direitos, para que as pessoas sejam protagonistas da mudança e a fé seja a motivação maior na busca por um mundo mais justo, igualitário e fraterno, que era o sonho e o desejo de Jesus”, finaliza.

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