Leão XIV recebeu uma delegação do Grupo Hera, que cuida dos serviços ambientais no Estado da Cidade do Vaticano
Da Redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/Yara Nardi
O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta quinta-feira, 1º, uma delegação do Grupo Hera, responsável, desde 2025, pelos serviços ambientais no Estado da Cidade do Vaticano. Em seu discurso aos presentes, o Papa ressaltou que os cristãos não podem aceitar a cultura do descarte e que a Igreja precisa ser a primeira a praticar o que ela mesma anuncia.
Leão XIV explicou que a missão de cuidar da criação aparece entre os mandamentos que Deus quis confiar ao ser humano e que estão expressos nas primeiras páginas da Bíblia. “Trata-se, portanto, de uma tarefa originária”, afirmou.
Para o Pontífice, o desafio ecológico é hoje “mais urgente do que nunca”. Frente a um consumo descontrolado dos recursos e da enorme quantidade de resíduos, ele frisou a necessidade de uma mudança concreta nas formas de cada um se relacionar com os bens da criação.
“Para não considerarmos cada objeto usado como se fosse mero descarte, é necessário mudar nossas condutas, empenhando-nos em percorrer outro caminho. Trata-se, em essência, de superar o modelo consumista e avançar em direção a um sistema produtivo capaz de preservar os bens limitados do nosso planeta.”
Sábio uso da criação
Essa é uma mudança que interpela também diretamente os cristãos. “Como cristãos não podemos nos resignar a aceitar a cultura do descarte; somos, antes, chamados a fazer um uso sábio da criação”.
Nesse sentido, Leão XIV destacou a reciclagem como demonstração concreta de que é possível seguir outro caminho. Também exemplificou citando o próprio trabalho do Grupo Hera, que testemunha a cultura do cuidado para contrapor a cultura do descarte. E essa cultura do cuidado alcança, sobretudo, as pessoas, que habitam o mundo e, com suas decisões e comportamentos, o vivem como um dom de Deus.
Leão XIV concluiu seu discurso citando seu predecessor, o Papa Francisco, com a encíclica Laudato si’. Aqui ele recordou que a reciclagem e a produção circular representam “um bom caminho para garantir às futuras gerações um ambiente sustentável”. Daí o chamado à coerência também dentro da própria Igreja: “Que a Igreja seja a primeira a colocar em prática aquilo que ela mesma anuncia”. “Por meio da nossa sinergia, poderemos tornar cada vez mais bela e acolhedora a casa de todos”, concluiu o Papa.




