Em encontro neste sábado, 26, Leão XIV refletiu sobre aumento da busca pelos sacramentos na França e apresentou algumas orientações pastorais
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV apresentou orientações pastorais para acolhimento de quem chega à Igreja / Foto: Vatican Media/Hans Lucas via Reuters
Após visitar um centro de acolhimento a migrantes em Paris, o Papa Leão XIV encontrou-se com os membros da Assembleia Sinodal Provincial, catecúmenos e neófitos. O principal tema abordado foi o crescimento do número de adultos e jovens que se preparam para receber o Batismo na França e daqueles que se converteram recentemente.
O Pontífice foi acolhido no Instituto Católico de Paris pelo arcebispo da capital francesa, Dom Laurent Ulrich, e recebeu o Instrumentum Laboris da assembleia. O religioso relatou ao Santo Padre que os trabalhos sinodais foram iniciados com uma ampla consulta, da qual participaram 45 mil pessoas, reunidas em 4 mil grupos, e afirmou que a demanda pelos Sacramentos da Iniciação Cristã os surpreende e os levam a discernir a obra de Deus.
Em seguida, Leão XIV ouviu três testemunhos. O catecúmeno Jaoide, da Diocese de Nanterre, falou sobre a importância do acolhimento a quem busca os sacramentos. A neófita Marielle, da Diocese de Créteil, foi batizada no ano passado e compartilhou os desafios para encontrar o próprio lugar dentro da comunidade. A acompanhadora dos catecúmenos da Diocese de Évry, Sophie, enalteceu a alegria da missão que realiza.
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Depois de escutá-los, o Papa dirigiu um discurso aos presentes no Instituto Católico de Paris. Ele iniciou expressando sua gratidão pela imprevisível obra de Deus, indicando que, assim como eles, fica surpreso com o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade de adultos que solicitam os Sacramentos da Iniciação Cristã.
“Estado de iniciação”
Segundo o Pontífice, parece “paradoxal” esse fenômeno de abraçar a fé em uma sociedade como a francesa, “marcada por uma cultura fortemente secularizada”. Por isso, o Santo Padre refletiu justamente sobre as perspectivas pastorais para melhor acolher catecúmenos e neófitos.
Leão XIV destacou que não basta se surpreender com análises estatísticas e sociológicas sobre as pessoas que redescobriram a proximidade a Deus, fechando-se a uma “alegre ingenuidade”. “Pelo contrário, devemos nos comprometer, procurar, questionar e empreender ações pastorais concretas”, sinalizou. “É esse o espírito que anima a Assembleia Sinodal de vocês e, de um modo mais geral, o caminho da Igreja na França”.
Maravilhados com a imprevisível obra de Deus, o que devemos fazer e para onde nos impele o Espírito a fim de acompanhar os catecúmenos, os neófitos e os que recomeçam?
— Papa Leão XIV
Recordando a sugestão dos bispos franceses, que já haviam sugerido a “encarnar uma igreja em ‘estado de iniciação’”, o Papa salientou que o acolhimento aos catecúmenos, neófitos e àqueles que recomeçam deve respeitar a história de cada um, integrando-os nas comunidades e oferecendo formação sobre a fé cristã.
“Estar em ‘estado de iniciação’ significa acolher as novas pessoas que procuram Deus, vendo nisso uma oportunidade e uma missão. A oportunidade reside no fato de que, graças a elas, também a comunidade dos fiéis renova o seu caminho de fé e experimenta a alegria do Evangelho de modo renovado. A missão, neste contexto, consiste em cuidar delas e servir de guia, mesmo depois de terem recebido os sacramentos”, declarou o Pontífice.
Caminhar juntos

Fiéis reunidos no Instituto Católico de Paris acompanham discurso do Papa Leão XIV / Foto: Vatican Media/Catholic Press Photo/IPA/Sipa USA via Reuters
O Santo Padre apontou que a iniciação na vida litúrgica da Igreja também faz parte do caminho de conversão. Para essa missão, “o papel dos formadores é essencial”, preparando padrinhos da comunidade, especialmente formados para iniciar os neófitos.
“Há quem chegue com uma simples sede espiritual, uma busca de sentido e uma atração pelo Evangelho, enquanto outros estão marcados por experiências dolorosas, situações de solidão e feridas profundas. É aí que o estilo da proximidade, da compaixão e da ternura ganha todo o seu sentido: é preciso encontrar um sábio equilíbrio para os acolher, escutar e, ao mesmo tempo, encorajar a enfrentar os exigentes desafios da fé”, afirmou Leão XIV.
Neste caminho, observou o Papa, é necessário respeitar o ritmo do outro, avançando progressivamente, com atenção e um acompanhamento fraterno. “Trata-se de adotar o estilo do ‘caminhar juntos’. Nos caminhos da fé cristã, enriquecemo-nos mutuamente e crescemos juntos: sacerdotes e leigos, padrinhos e catecúmenos, animadores pastorais e neófitos”, ressaltou.
O Papa finalizou o discurso oferecendo a imagem de um dos catecúmenos mais famosos da história, Santo Agostinho, para se inspirar. “Ao olhar para vocês, queridos catecúmenos e neófitos, vejo não só o fruto do Espírito que os colocou neste caminho, mas também uma promessa de fecundidade para a Igreja na França. Sejam também vocês missionários do Evangelho nesta sociedade”, concluiu.




