Diagnóstico precoce e controle de hábitos de vida são fundamentais para retardar o avanço da principal causa de demência no país
Thiago Coutinho
Da redação

80% dos casos de demência no Brasil seguem sem diagnóstico formal no Brasil / Foto: John Sekutowski por Unsplash
De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAZ), 80% dos casos de demência no Brasil seguem sem diagnóstico formal. A doença atinge 2,5 milhões de pessoas no país e estimativas da associação apontam que, até 2050, 5,7 milhões de brasileiros podem ser diagnosticados com Alzheimer.
Contudo, algumas distinções precisam ser feitas. Muitas pessoas usam “demência” e “Alzheimer” como se fossem a mesma coisa, mas há detalhes que as diferenciam na medicina, como explica Karolina Gouveia César Freitas, médica, doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e professora de neurologia na Universidade de Taubaté (UNITAU).
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“A palavra demência é um termo genérico. É como se você dissesse que a pessoa tem uma infecção. Infecção é um nome comum para afecções em diferentes órgãos do corpo humano”, define a especialista. “Ela serve para classificar o indivíduo que apresenta declínio em suas capacidades cognitivas — em pelo menos dois domínios diferentes — que interfira em suas habilidades do dia a dia. Demência, então, é o nome genérico usado para essa condição clínica. O Alzheimer é a doença responsável por 60% a 70% dos casos de demência no mundo. Disparadamente, a doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência.”
Com essa definição em mente, entende-se a relação entre os termos. “Mas quando usamos o termo ‘doença de Alzheimer’, não estamos nos referindo apenas a indivíduos com demência. Por quê? Porque a demência corresponde aos estágios 4, 5 e 6 da doença de Alzheimer”, explica a médica. A demência, assim, é uma das fases avançadas do Alzheimer.
Fatores de risco e prevenção
Ainda que a idade seja um dos principais fatores associados ao desenvolvimento do Alzheimer, a medicina contemporânea entende que existem fatores modificáveis, quando controlados, podem prevenir ou retardar o surgimento da doença. “Pessoas com baixa escolaridade — por isso incentivamos os estudos —, quem tem depressão, quem não pratica atividade física, quem não controla bem a hipertensão arterial ou o diabetes, pessoas com obesidade, quem está perdendo a audição e não usa aparelho auditivo, quem sofreu algum traumatismo craniano com perda de consciência na juventude ou na meia-idade, quem tem LDL e colesterol elevados e quem fuma: todos esses são fatores que, se controlados, podem retardar uma parcela considerável dos casos de demência”, revela a doutora Karolina.
Ferramentas de rastreio
Fala-se cada vez mais em testes genéticos, biomarcadores sanguíneos e exames de imagem para avaliar a probabilidade de alguém desenvolver Alzheimer no futuro. Mas quais dessas ferramentas de rastreio estão validadas pela ciência e quem realmente tem indicação para realizá-las?
“Os testes genéticos são mais indicados para indivíduos que tiveram mais de um familiar com a doença antes dos 60 anos. Portanto, exames genéticos não são para todo mundo”, alerta a especialista.
Ainda que a medicina entenda que ter um parente de primeiro grau possa aumentar o risco de as próximas gerações desenvolverem Alzheimer, isso não significa que se trate de uma doença geneticamente determinada. “Os testes genéticos têm critérios claros de uso na prática clínica e não servem apenas para prever a probabilidade da doença. Biomarcadores e exames de imagem são feitos de forma objetiva para pacientes sintomáticos, que já apresentam comprometimento cognitivo leve. Não é recomendado realizar exames de biomarcadores ou de imagem em indivíduos assintomáticos”, contextualiza a médica.
Teste simples de rastreio
A ABRAZ recomenda um teste simples que pode ajudar na detecção precoce da doença por meio de algumas perguntas:
Em que semestre estamos?
Em que bairro você vive?
Consegue dizer três palavras (como tijolo, tapete e caneco) e depois repeti-las?
Consegue dizer a palavra mundo de trás para frente?
Se houver muita dificuldade para responder a essas perguntas, é importante manter a atenção e buscar uma avaliação médica.




