Ao receber a Federação das Monjas Clarissas Capuchinhas da Itália em audiência nesta segunda-feira, 21, Leão XIV destacou valor do testemunho de vida
Da Redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/Yara Nardi
O Papa Leão XIV recebeu em audiência nesta segunda-feira, 21, as participantes da assembleia da Federação das Monjas Clarissas Capuchinhas da Itália.
No início de seu discurso, o Pontífice refletiu sobre a Liturgia do dia, destacando o trecho da Carta aos Efésios. Nela, São Paulo exorta os fiéis a serem humildes, amáveis e pacientes e que se suportem uns aos outros no amor (Ef 4,1-3).
Segundo o Santo Padre estas palavras são “um convite à fidelidade”, ao qual a Federação das Monjas Clarissas Capuchinhas da Itália “responde segundo o carisma de Santa Clara e São Francisco, na oração contemplativa, na pobreza e na total adesão ao Evangelho”. Neste contexto, observou que é louvável o trabalho de revisão e atualização das Constituições.
Acolher quem bate à porta
Recordando o trecho de uma carta de Santa Clara de Assis à Beata Inês da Boêmia, na qual exorta-a a “colocar a mente no espelho da eternidade” para “transformar-se completamente, pela contemplação, na imagem de Deus”, o Papa convidou a Federação das Monjas Clarissas Capuchinhas da Itália a também olhar tanto para o presente quanto para o futuro.
“O número reduzido de vocações poderia levar algumas pessoas ao fechamento ou ao isolamento”, observou Leão XIV. Ele indicou que a redução numérica das comunidades — e o medo de perder a sua autonomia — não deve abalar a esperança, mas impelir a renovar a própria vida e a um compromisso ainda maior com o acompanhamento espiritual de quem bate à porta dos mosteiros, onde se experimenta a intimidade com Deus, a bondade, a comunhão e relações autênticas.
O Pontífice sublinhou que as vocações não nascem da aplicação de estratégias organizacionais, nem de campanhas cuidadosamente planeadas, mas da oração, da familiaridade com o Evangelho, do silêncio, da capacidade de acolher com as próprias imperfeições e do sentir-se parte de um todo que cria a unidade. “Para isso, o Senhor não nos pede que sejamos perfeitos, mas que nos deixemos moldar humildemente pela sua graça, dia após dia”, salientou.
Escola do Evangelho
Refletindo sobre o tema da formação, o Santo Padre exortou as religiosas a formar para uma clausura vivida em espírito de comunhão profunda umas com as outras e com a Igreja e para um silêncio que, em uma sociedade dominada pela pressa e pelo ruído, desperte a necessidade de tempos e espaços para parar, discernir. “Formadas na escola do Evangelho, o Senhor as chama a serem suas testemunhas no silêncio e na contemplação, colocando-as na história como memória viva e profética da Boa Nova”, afirmou.
“Faz parte do seu ser e da sua missão viver o Evangelho, abandonando tudo o que é do mundo, voltadas total e constantemente para o primeiro e único Amor de sua vida”, prosseguiu o Papa. “Isso implica sobriedade, desapego das coisas, entrega de si na obediência, transparência, numa vida simples, mas também radical e exigente, sinal precioso de fidelidade, especialmente num mundo globalizado e inquieto, no qual parece que se perderam o gosto e a capacidade de ‘criar raízes’”, enfatizou.
Leão XIV encerrou sua fala reiterando o valor da escuta recíproca: a koinonia, como comunhão de propósitos, para evitar o isolamento; a diakonia, para servir e trabalhar juntas; e a martyria, para testemunhar o Evangelho, como caminhos seguros para a caminhada da Federação das Monjas Clarissas Capuchinhas da Itália.




