Câmara dos Comuns do Reino Unido se prepara para retomar o debate sobre um projeto de lei de suicídio assistido, mas bispos católicos da Inglaterra criticam
Da redação, com Vatican News

Câmara dos Comuns do Reino Unido, em Londres / Foto: Martine Mussies por Unsplash
A Câmara dos Comuns do Reino Unido deve votar novamente sobre a morte assistida durante a segunda leitura de um projeto de lei amanhã, 11 de setembro. A legislação foi apresentada pela deputada trabalhista Lauren Edwards em 17 de junho e é substancialmente idêntica ao Projeto de Lei sobre Adultos com Doenças Terminais (Fim da Vida), apresentado em 2024 pela deputada Kim Leadbeater, o qual não avançou na Câmara dos Lordes em abril de 2026, após a apresentação de cerca de 1.200 emendas.
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Arcebispo Sherrington: um projeto de lei falho e perigoso
Vários representantes da Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales — que disponibilizou um formulário online em seu site permitindo que as pessoas contatem seus deputados e os instem a votar contra o projeto — manifestaram-se nos últimos dias para expressar sua oposição. Em particular, o Arcebispo de Liverpool, John Sherrington, bispo responsável pelas questões relacionadas à vida, reiterou sua oposição tanto em princípio quanto na prática, descrevendo o projeto como “falho e perigoso” e conclamando todas as pessoas de boa vontade a se oporem a ele.
Consequências negativas para os mais vulneráveis
“É errado, em princípio, que profissionais de saúde se envolvam em encerrar a vida de seus pacientes”, disse Sherrington, antes de destacar o impacto potencial sobre os mais vulneráveis, argumentando que o projeto “não contém salvaguardas suficientes contra a coerção nem protege pessoas vulneráveis, incluindo pessoas com deficiência, aquelas com transtornos alimentares e vítimas de violência doméstica”. Essas preocupações também são compartilhadas por organizações que atuam nessas áreas, bem como por entidades como o Royal College of Psychiatrists (Colégio Real de Psiquiatras), a Association for Palliative Medicine (Associação de Medicina Paliativa) e a British Medical Association (BMA – Associação Médica Britânica).
O projeto também falharia em proteger adequadamente o direito à objeção de consciência e não ofereceria “uma opção de não participação institucional para *hospices* [centros de cuidados de fim de vida] e casas de repouso que não desejem participar”. Outra preocupação levantada pelo arcebispo é que “a experiência de outros países sugere” que a legalização do suicídio assistido “afeta negativamente a qualidade e o desenvolvimento dos cuidados paliativos”.
Bispo de Portsmouth: desdobramentos perigosos na aplicação
Há dois dias, o Bispo de Portsmouth, Philip Egan, também descreveu o projeto como “perigosamente falho”. Ele ressaltou ainda que “o próprio princípio de ajudar alguém a tirar a própria vida é abominável”. Se o projeto de lei fosse aprovado, acrescentou Egan, haveria o risco de uma perigosa “expansão do escopo” (ou *mission creep*), como ocorreu em países onde legislações semelhantes já foram adotadas. “Mais categorias de pessoas se tornarão elegíveis: não apenas os doentes terminais, mas também pessoas com transtornos mentais, demência ou depressão, bebês doentes, pessoas com deficiência, e assim por diante. Nenhum governo no mundo consegue impedir isso. No Canadá, mais de 5% das mortes já ocorrem por injeção letal.”
Bispo de Hexham e Newcastle: a vida é um dom de Deus
O bispo de Hexham e Newcastle, Stephen Wright, também manifestou sua oposição. “Sou contra o suicídio assistido. A vida é um dom de Deus. Cada pessoa é criada à imagem e semelhança de Deus e, independentemente de sua posição na vida ou do que esteja enfrentando, possui uma dignidade concedida por Deus que deve ser respeitada. Não cabe aos seres humanos matar uns aos outros, em qualquer contexto que seja.”
“Deixando de lado a moral e a ética”, disse o bispo, “é um projeto de lei ruim. Ele falha em oferecer salvaguardas para os membros mais vulneráveis da sociedade. Este projeto de lei é desnecessário e é errado.”




