No Evangelho deste domingo, Jesus ensina a viver o amor mútuo por meio da correção fraterna; Leão XIV alerta: queixas e calúnias paralisam muitas situações
Da Redação, com Vatican News

Papa durante o Angelus deste domingo, 6; Foto: VATICAN MEDIA/ Catholic Press Photo/ipa-agency.net/Sipa USA via Reuters
O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus neste domingo, 6, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro. Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice afirmou que a Palavra de Deus proclamada na liturgia deste domingo “oferece-nos alguns critérios fundamentais de pensamento e ação”.
Na Carta aos Romanos, São Paulo afirma que todos os mandamentos “se resumem numa só frase: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O Apóstolo, frisou o Santo Padre, insiste nessa ideia ao escrever: “Não fiqueis a dever nada a ninguém, a não ser isto: amar-vos uns aos outros”.
“Jesus ensinou-nos a suplicar e a praticar a remissão das dívidas. Existe, porém, um patrimônio que devemos uns aos outros, sem ficarmos presos a ele: é a dívida do amor mútuo. Toda a atenção, cuidado e bem que recebemos tornam-nos mais livres e capazes de assumir responsabilidades”, explicou o Papa.
Correção fraterna
Segundo Leão XIV, o Evangelho deste domingo apresenta “pelo menos duas maneiras de exercer o amor mútuo”. A primeira delas é a abertura à correção fraterna. “É uma arte delicada e, muitas vezes, esquecida, que exige franqueza e gradualidade”, sublinhou. Jesus orienta que, diante de uma dificuldade, a conversa seja feita inicialmente a sós; se necessário, com mais duas ou três pessoas; e, por fim, com toda a comunidade.
Para o Papa, falar uns com os outros com sinceridade “significa enfrentar a realidade e transformar problemas e conflitos em oportunidades de crescimento”. Nesse sentido, o Pontífice alertou para atitudes que podem dificultar a convivência e a resolução dos conflitos. “As queixas e as calúnias são mais fáceis, mas não produzem nada e paralisam muitas situações. O Evangelho, pelo contrário, educa-nos para a liberdade, na caridade”, afirmou.
Unidos na oração
A segunda forma de viver o amor fraterno, segundo o Santo Padre, é “chegar a um acordo”. Essa atitude, explicou, não se aplica somente aos momentos de conflito, mas também à oração. “Não apenas quando existe um conflito, mas para pedir a Deus uma graça”, frisou Leão XIV, recordando as palavras de Jesus: “Se dois de entre vós se unirem, na Terra, para pedir qualquer coisa, hão de obtê-la de meu Pai que está no Céu”.
Para o Papa, essa promessa mostra que os cristãos podem compartilhar “desejos comuns, dores comuns, esperanças comuns” e, por meio da oração, crescer na unidade. “Sem fé, cada um poderia sentir-se sozinho e desconfiar dos outros, vendo-os como estranhos e inimigos. Pela graça, somos, pelo contrário, irmãos e irmãs que podem estar unidos: encontrando-nos, perdoando-nos e ouvindo-nos uns aos outros no Senhor”, sublinhou.
“A dívida alegre do amor fraterno”
Ao concluir, Leão XIV confiou os fiéis à intercessão de Maria, recordando sua atitude após o anúncio do anjo.
O Papa pediu a Nossa Senhora, “que após o anúncio do anjo se apressou a ir ter com a sua prima Isabel, para partilhar a alegria e o cansaço da gravidez”, ensine também os cristãos a viver “a dívida alegre do amor fraterno”.




