Mais de 400 anos de história fazem do local um destino de fé e peregrinação
Em Vila Velha, região metropolitana do Espírito Santo, o Convento da Penha impulsiona a caminhada de fé do povo capixaba e dos peregrinos que visitam o local. Uma história atualizada por cada pessoa que deposita sua esperança na intercessão de Nossa Senhora.
Reportagem de Isaque Valle
Imagens de Ederaldo Paulini
No alto do monte, sobre as pedras, floresce a história de um convento cuja construção desafia a lógica. Mas é sustentada pela crença de que para Deus tudo é possível.
O convento da Penha nasce do coração imaculado de Maria, que desejou desde o princípio manifestar ao povo do Espírito Santo as maravilhas do Deus Uno e Trino. “Frei Pedro Palácios, um frade espanhol, veio com os portugueses até a cidade de Vila Velha, que na época já estava sendo habitada aí pelas comitivas vindas com Vasco Coutinho, que foi o primeiro a colonizar aqui em 1535. E ele trouxe consigo um quadro de Nossa Senhora das Alegrias. Este quadro, então, ele colocou lá na parte baixa de onde temos hoje o Parque da Prainha. Esse quadro ficou lá, ele rezava, fez as suas devoções, só que de repente o quadro sumiu. E aí procurando ele encontrou aqui em cima. Ao devolver o quadro pro lugar onde ele tinha arrumado, o quadro novamente desapareceu e apareceu aqui em cima.
E isso aconteceu uma terceira vez. Então ele entendeu que era aqui que Nossa Senhora queria morar”, contextualizou o reitor do Convento da Penha, frei Gabriel Dellandrea(OFM).
Local com vista privilegiada, onde todos podem testemunhar a formosura da criação diante dos olhos, na linha do horizonte. “A gente olha assim, a gente consegue praticamente ver Vitória, ver Vila Velha, ver os navios, ver a Marinha, ver essa cidade, a forma de vida dela, toda ela daqui. Tu consegue ter um mirante de toda a cidade num local só”, contou o turista de Erechim(RS), José Carlos Moura.
O convento é lugar onde a beleza da paisagem se entrela com a grandiosidade da fé do povo capixaba. Até chegar aqui em cima, o caminho é árduo, mas para quem crê, todo passo é entrega de amor ao Criador.
A força da fé encoraja a caminhada de Cândida e Maria. Mesmo com as dificuldades de locomoção, as amigas somam suas forças e vencem os obstáculos da subida com entrega e paciência. “Porque eu tenho Deus no meu coração. Ele é tudo para mim. Tudo, tudo, tudo, tudo. Sem Ele eu não vivo. Eu não estava aqui”, disse a devota, Cândida Tereza de Amorim.
Diante das intempéries da vida, Maria decidiu ressignificar seu sofrimento e entregá-lo com amor à Senhora da Penha. “A principal prece é que eu perdi o grande amor da minha vida. Eu vim aqui agradecer a Nossa Senhora por Ela está me dando tanta força. Hoje está fazendo um ano que ele foi embora. Estou aqui pedindo consolo à minha Mãe e a Jesus”, falou a devota, Maria da Graça Amorim da Cruz.
Dentro do templo, fiéis depositam aos pés da mãe as suas súplicas, confiantes de que cada palavra escrita será acolhida com doçura. “É como se eu tivesse na casa da minha Mãe e a gente pede pras mães, interceder e ajudar. Eu pedi algumas coisas, mas eu também agradeci por tudo nesses 26 anos, quase 27, por Ela sempre estar do meu lado, sempre segurar minha mão”, concluiu a devota, Isadora Azevedo Perpétuo.
Patrimônio histórico, cultural e religioso, que mais de 400 anos após sua fundação continua a mover passos e preces. Um espaço cuja maior fortaleza não está nas pedras onde está firmado, mas na fé viva de quem sobe o monte ao encontro da Mãe.