Missa em Aparecida (SP)

Cardeal Damasceno celebra 40 anos de ministério episcopal

Na homilia, o cardeal ressaltou que o ministério nasce da graça de Deus e se concretiza no serviço ao povo e na acolhida aos que buscam esperança

Julia Beck
Da Redação

Cardeal Raymundo Damasceno durante a homilia na celebração desta quarta-feira, 5, no Santuário Nacional de Aparecida, diante do ambão.

Cardeal Raymundo Damasceno durante homilia no Santuário Nacional de Aparecida /Foto: Reprodução TV Aparecida

O arcebispo emérito de Aparecida (SP), Cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidiu, na manhã desta quarta-feira, 5, a Santa Missa das 9h no Santuário Nacional de Aparecida. A celebração antecipou as comemorações pelos 40 anos de sua ordenação episcopal, que serão completados no próximo mês, e reuniu diversos membros do episcopado brasileiro, entre eles o arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta; o arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva; o bispo de Lorena (SP), Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias; e o também arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, além de sacerdotes, religiosos e fiéis.

Na homilia, Dom Damasceno fez memória de sua caminhada episcopal e dos 13 anos em que esteve à frente da Arquidiocese de Aparecida, período que definiu como um dom da fidelidade de Deus. Ao recordar sua trajetória, destacou que todo ministério nasce da graça e é sustentado pelo Senhor, que conduz, fortalece e renova a missão da Igreja.

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Inspirado pelas leituras do dia, o cardeal ressaltou que a vocação precede qualquer ministério e que, antes de servir, todo cristão é alcançado pela misericórdia de Deus. Segundo ele, é desse amor eterno e fiel que brota a missão evangelizadora da Igreja.

Ao refletir sobre o ministério episcopal, recordou que ele é construído diariamente por Deus, em meio às alegrias, aos desafios, às dúvidas, às decisões difíceis e ao constante chamado à conversão. Nesse contexto, citou Santo Agostinho ao recordar que “para vós sou bispo; convosco sou cristão”, destacando que o episcopado não representa privilégio, mas uma missão de serviço. Ele destacou o Batismo como o fundamento da vida cristã, antes de qualquer serviço ou função.

Acolher é evangelizar

Meditando sobre o Evangelho da mulher cananeia, o cardeal chamou a atenção para o clamor daqueles que sofrem. Recordou que a dor humana frequentemente se manifesta como um grito de quem busca esperança e, por isso, a Igreja é chamada a acolher, e não a afastar aqueles que se aproximam em busca de Deus.

Dom Damasceno relacionou essa passagem à realidade dos milhares de romeiros que chegam diariamente ao Santuário Nacional de Aparecida. Segundo ele, cada peregrino traz consigo as alegrias, os sofrimentos e as intenções de suas famílias, repetindo, muitas vezes, a mesma súplica da mulher do Evangelho: “Senhor, socorre-me”.

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Nesse sentido, afirmou que a missão da Igreja é anunciar que Deus permanece próximo de seu povo e que Nossa Senhora continua caminhando com aqueles que recorrem à sua intercessão. Ressaltou ainda que acolher bem os peregrinos também é uma forma concreta de evangelizar.

Ao falar da vocação da Arquidiocese de Aparecida, destacou que a presença da imagem de Nossa Senhora representa uma grande honra, mas também uma responsabilidade. Segundo ele, toda honra recebida da parte de Deus deve transformar-se em serviço aos irmãos, especialmente por meio da acolhida aos peregrinos.

Leigos

Dirigindo-se aos fiéis, o purpurado recordou que, diante da Eucaristia, todos são igualmente necessitados da misericórdia divina. Embora os ministérios sejam distintos, explicou, cada vocação participa da mesma missão de Cristo por meio do serviço.

O cardeal também ressaltou o papel dos leigos na vida da Igreja. Conforme afirmou, a evangelização não acontece apenas quando um sacerdote ou bispo celebra os sacramentos, mas também quando as famílias vivem a fé, os jovens testemunham o Evangelho e os cristãos levam os valores de Cristo aos ambientes em que estão presentes.

Ao concluir a homilia, Damasceno agradeceu a Deus pelos frutos de seu ministério episcopal e reconheceu que todo o bem realizado ao longo desses 40 anos procede da graça do Senhor. Ao final da homilia, os fiéis presentes no Santuário Nacional de Aparecida o homenagearam com uma calorosa salva de palmas.

Biografia

Natural de Capela Nova (MG), o Cardeal Raymundo Damasceno Assis foi ordenado sacerdote em 19 de março de 1968 e bispo em 15 de setembro de 1986. Atuou como bispo auxiliar de Brasília, professor da Universidade de Brasília (UnB), secretário-geral do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), além de integrar diversos organismos e sínodos da Igreja. Em 2004, foi nomeado arcebispo de Aparecida e, em 2010, criado cardeal pelo Papa Bento XVI. Também presidiu a CNBB entre 2011 e 2015 e desempenhou importantes missões em assembleias sinodais e organismos da Santa Sé, tanto durante os pontificados de Bento XVI quanto de Francisco.

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