Pela primeira vez, Brasil recebe evento que reúne médicos de todo o mundo para dias de formação, espiritualidade e troca de experiências sobre a prática médica
Gabriel Fontana, com colaboração de Jéssica Marçal
Da Redação

Foto: Canva
O XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos (FIAMC World Congress) acontece entre 30 de julho e 1º de agosto em Brasília (DF). Com o tema “Médicos católicos entre as revoluções industrial e digital”, o evento promove formação, espiritualidade e troca de experiências sobre a prática médica em todo o mundo.
Essa é a primeira vez que o evento é realizado no Brasil – e pela segunda vez na América Latina. O início do encontro acontecerá, às 19h, na Paróquia Nossa Senhora da Esperança (307/308 Norte) com a Santa Missa. A celebração será presidida pelo arcebispo de Brasília, Cardeal Paulo Cezar Costa.
Na sequência, no auditório da própria igreja, será realizada a solenidade de abertura com a participação de representantes da Federação Internacional de Associações Médicas Católicas (FIAMC), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Médicos Católicos (ABMC). O Congresso prosseguirá na Casa Dom Luciano, que sedia o encontro.
“A finalidade da medicina são as pessoas”

Franco Scariot, médico e presidente da ABMC / Foto: Arquivo pessoal
O presidente da ABMC, Franco Scariot, recorda que a escolha do Brasil como sede para esta edição do Congresso se deu após a realização do 4º Congresso Nacional de Médicos Católicos, em 2021, após 20 anos. “O grande sucesso desse congresso e da quinta edição, realizada em Fortaleza, em 2024, credenciou o Brasil a ser candidato para acolher o XXVII Congresso Mundial de Médicos Católicos”, sinaliza.
Em relação ao tema, o médico e cirurgião geral e oncológico ressalta que todas as revoluções que acontecem na sociedade trazem impactos na vida das pessoas e, portanto, para o ato médico. “A finalidade da medicina como um todo são as pessoas, os indivíduos”, salienta.
As primeiras associações médicas católicas do mundo surgiram após o apelo do Papa Leão XIII, cujo pontificado foi marcado por buscar respostas à Revolução Industrial. Seu sucessor, o Papa Leão XIV, busca enfrentar os desafios apresentados pela Revolução Digital, principalmente no contexto do advento da inteligência artificial.
Inteligência artificial, aliada ou vilã?
O presidente da ABMC observa que todas as profissões da saúde possuem uma dimensão ética intrínseca e imprescindível. Neste contexto, reconhece que a inteligência artificial pode potencializar a ação médica em diversas aplicações, mas reitera que ela não deve substituir a relação médico-paciente.
“A redução de uma estrutura relacional humana que é essencial para sistemas automatizados impessoais ou até mesmo injustos pode agravar a solidão que é muitas vezes associada com as doenças”, observa o cirurgião.
Segundo Scariot, cabe aos médicos respeitar e assumir a responsabilidade pelo bem-estar do paciente e pelas decisões que envolvem a sua vida. “A responsabilidade em relação aos tratamentos deve sempre recair sobre as pessoas, aos profissionais e nunca delegados à inteligência artificial”, aponta.
Fé, suporte nas dificuldades
A fé também oferece um refúgio para os profissionais que enfrentam desafios como a sobrecarga de trabalho. “Quando inúmeros dilemas se sobressaem, é a fé em algo maior, no transcendente, que sustenta e que renova diariamente no médico as motivações que o levaram a acolher e a descobrir a sua vocação profissional”, expressa o presidente da ABMC.
As associações de médicos católicos, principalmente as regionais, acabam sendo um grande ponto de apoio para este profissionais. “Na sua convivência frequente, o médico encontra um apoio entre os colegas que partilham das mesmas dificuldades, angústias e sofrimentos do dia a dia, diante de um cenário que, por muitas vezes, gera um cansaço, um estresse e uma dificuldade do médico em atualizar-se”, sinaliza Scariot.




