De volta a Roma

Cardeal Zuppi sobre a guerra na Ucrânia: “todo esforço pela paz será feito”

Após quatro dias na Ucrânia, Cardeal Matteo Zuppi retorna a Roma; missão teve como foco o repatriamento de prisioneiros e crianças

Da Redação, com Vatican News

Cardeal Zuppi /Foto: Reprodução Reuters

O Cardeal Matteo Maria Zuppi retornou a Roma nesta quinta-feira, 16, após concluir sua segunda missão humanitária na Ucrânia desde 2023. Durante quatro dias, o enviado do Papa Leão XIV percorreu as regiões de Lviv e Kiev para levar ao povo ucraniano a proximidade, a solidariedade e a oração do Pontífice, que “acompanha com apreensão o conflito e pede que se defenda a humanidade, primeira vítima de toda guerra”.

A agenda foi marcada por uma intensa sequência de encontros, visitas, celebrações e compromissos. Na quarta-feira, 15, após participar da cerimônia do Dia da Soberania da Ucrânia, na Praça de São Miguel, em Kiev, ao lado do presidente Volodymyr Zelensky e de autoridades civis e religiosas, Zuppi reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha.

Encontro com o ministro das Relações Exteriores

Durante uma longa conversa, foram discutidas diversas iniciativas para as quais o governo ucraniano solicitou o apoio da Santa Sé. Em nome do país, Sybiha agradeceu o “compromisso humanitário inabalável” do Vaticano e pediu a continuidade desse esforço em favor da paz.

Segundo o ministro, a Ucrânia “deseja pôr fim a esta guerra mais do que qualquer outro”. Ao mesmo tempo, ressaltou que o fortalecimento da indústria de defesa do país e a experiência adquirida no campo de batalha tornam a Ucrânia “um ator cada vez mais importante para a segurança europeia”.

Sybiha também chamou a atenção para a situação dos civis ucranianos detidos, que, segundo ele, permanecem sem mecanismos eficazes de proteção internacional. Por isso, defendeu a criação de um corredor humanitário para possibilitar a libertação dessas pessoas.

Outro tema abordado foi a grave situação humanitária nas comunidades de Oleshky e Hola Prystan, na região ocupada de Kherson, onde milhares de civis necessitam, com urgência, de assistência humanitária. O ministro também mencionou o recente ataque russo ao Mosteiro da Lavra de Kyiv-Pechersk, patrimônio mundial da UNESCO, cuja fundação completará 975 anos em agosto. A preservação e a restauração do complexo religioso figuram entre as prioridades do governo ucraniano.

Repatriação de prisioneiros e crianças

Os temas do repatriamento de prisioneiros de guerra, do retorno de crianças ucranianas levadas à Rússia, da proteção da população civil e da assistência humanitária estiveram no centro das demais reuniões institucionais realizadas durante a missão.

Em todas elas, Zuppi reiterou o principal objetivo de sua visita: promover iniciativas concretas em favor das vítimas da guerra.

“Um único militar, um único civil ou uma única criança que possa se reunir com sua família é um passo em direção à paz”, afirmou o cardeal. “Todo esforço possível será feito. Essa é a vontade de Leão XIV. O compromisso humanitário deve estar acima de qualquer lógica política ou militar. É isso que está no coração da Igreja, especialista em humanidade.”

Pedido de apoio do Vaticano

Segundo o jornal católico italiano Avvenire, que acompanhou a missão, Zuppi reuniu-se em Kiev com o chefe do gabinete da Presidência, Kyrylo Budanov; a vice-chefe do gabinete, Iryna Vereschuk; o comissário para os Direitos Humanos, Dmytro Lubinets; o chefe da Inteligência Militar, general Oleh Ivashchenko; responsáveis pela coordenação dos prisioneiros de guerra; e familiares de militares e civis detidos na Rússia.

Durante os encontros, foram entregues ao cardeal e ao núncio apostólico na Ucrânia, arcebispo Visvaldas Kulbokas, novos pedidos para serem apresentados às autoridades russas, país que Zuppi já visitou em duas ocasiões no âmbito da missão de paz da Santa Sé.

Entre as solicitações está o apoio do Vaticano à proposta de troca de prisioneiros no modelo “todos por todos”. A iniciativa prevê o retorno de cerca de 7 mil militares ucranianos detidos pela Rússia e a devolução de aproximadamente 4 mil prisioneiros russos atualmente sob custódia da Ucrânia.

Também foram discutidas a busca por desaparecidos nos territórios ocupados, o repatriamento de civis e o retorno das crianças ucranianas levadas para território russo, uma questão na qual a Santa Sé atua há vários anos.

Os interlocutores manifestaram esperança na continuidade da mediação humanitária do Vaticano. Após a visita de Zuppi ao Centro de Detenção Zakhid-1, na região de Lviv, onde encontrou prisioneiros russos, familiares de detidos ucranianos expressaram o desejo de que o cardeal possa realizar uma visita semelhante à Rússia. Segundo eles, há denúncias de tortura e de condições desumanas enfrentadas por prisioneiros mantidos naquele país.

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