Esperança

Cardeal Zuppi em missão na Ucrânia: “que a guerra termine logo"

Presidente dos bispos italianos visita pela segunda vez o país do Leste Europeu; serão quatro dias com parada também em Kiev, capital do país

Da Redação, com Vatican News

Cardeal Matteo Zuppi concede entrevista a jornalistas.

Cardeal Matteo Zuppi /Foto: Reprodução Reuters

Um chaveiro, uma imagem de Maria e uma fotografia do Papa Leão XIV. Esses foram os presentes levados pelo Cardeal Matteo Maria Zuppi aos detentos do centro de prisioneiros Zakhid-1, na região de Lviv, oeste da Ucrânia, durante o início de sua visita ao país nesta terça-feira, 14.

Ao se apresentar apenas como “Cardeal Matteo”, o presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI) explicou o significado de cada lembrança. O chaveiro foi entregue com o desejo de que, em breve, os prisioneiros possam “colocar nele a chave de casa, abrir a porta e abraçar seus entes queridos”. A imagem da Salus Populi Romani representa, segundo ele, “para os cristãos, a imagem de nossa Mãe; para todos, a imagem da esperança”. Já a fotografia do Pontífice foi entregue como sinal de proximidade: “O Papa me enviou aqui para dizer que reza pela paz e para que a guerra termine”.

O Zakhid-1 é um dos cinco centros ucranianos destinados à detenção de militares do exército russo capturados durante os combates.

Segunda visita à Ucrânia

A visita marca o retorno de Zuppi à Ucrânia três anos após sua primeira missão, realizada em junho de 2023, quando foi enviado pelo então Papa Francisco. Na ocasião, encontrou-se com o presidente Volodymyr Zelensky e outras autoridades civis e religiosas, iniciando uma série de viagens diplomáticas que também passaram por Moscou, Washington e Pequim.

Além do diálogo diplomático, a missão teve forte caráter humanitário. Entre seus principais objetivos estavam manifestar a proximidade da Igreja ao povo atingido pela guerra, colaborar com o retorno de crianças e adolescentes que a Ucrânia afirma terem sido levados à Rússia, atuar pela libertação de prisioneiros e contribuir para o repatriamento de corpos das vítimas do conflito.

Visita ao centro de detenção

Antes de seguir para Kiev, onde chegou à noite, o cardeal visitou a antiga prisão soviética transformada em centro de detenção na região de Lviv. Acompanhado pelo núncio apostólico na Ucrânia, dom Visvaldas Kulbokas, e pelo embaixador ucraniano junto à Santa Sé, Andrii Yurash, ele conheceu as instalações e as condições em que vivem os prisioneiros.

Em publicação nas redes sociais, Yurash afirmou que a visita demonstra que “a Ucrânia é uma nação civilizada, aberta ao diálogo e empenhada na busca de uma paz justa e duradoura”. Segundo o diplomata, o centro segue as normas internacionais e permanece aberto à inspeção de quem desejar verificar as condições de detenção.

Durante a visita, Zuppi percorreu dormitórios, chuveiros reformados, áreas comuns, enfermaria, capela e outros espaços utilizados pelos detentos.

Mensagem de esperança

O cardeal também conversou com diversos prisioneiros, apertou suas mãos e ouviu brevemente suas histórias. O centro abriga homens de diferentes nacionalidades, entre elas Rússia, Bielorrússia, Congo, Coreia do Norte, Peru, Nigéria e Filipinas. Segundo o jornal católico italiano Avvenire, há representantes de 53 países no local, embora o número total de detentos não seja divulgado por razões de segurança.

Em um dos encontros, Zuppi dirigiu-se a um jovem de 25 anos que perdeu uma das pernas durante a guerra e utilizava muletas. “Você é tão jovem. Esperamos que possa receber uma prótese em breve”, disse.

Com o auxílio de um sacerdote ucraniano nas traduções, o cardeal reiterou diversas vezes o motivo de sua presença: “O Papa Leão nos enviou aqui para levar esperança e olhar para o futuro. Ele reza por vocês para que a guerra termine e possam voltar para casa”. Em seguida, distribuiu pessoalmente os presentes enviados pelo Pontífice. Ao entregar o chaveiro com o brasão papal, explicou seu significado: “Espero que em breve vocês coloquem nele a chave de casa, para abrir a porta e abraçar seus entes queridos. Quando estamos longe de casa, lembramos de quem nos espera. Queremos dizer que olhem para o futuro com esperança. Nós rezamos muito para que a guerra termine logo.”

“Não deixem o mal crescer”

A última parada da visita foi a pequena capela do centro de detenção, onde Zuppi rezou com os prisioneiros. Antes da oração, deixou uma mensagem de esperança e conversão. “Vamos rezar para que logo vocês possam reencontrar o caminho de volta para casa, que tudo isso acabe e possam recomeçar uma vida nova.”

Apontando para o coração, acrescentou: “Mas essa vida nova também precisa começar aqui dentro. Temos que afastar todas as coisas ruins. Vocês viram muitas coisas horríveis, mas Deus sempre nos dá esperança. Nunca deixemos o mal crescer dentro de nós. Deus sempre nos ajudará a vencê-lo.”

A visita de quatro dias prossegue na Ucrânia com novos compromissos pastorais e humanitários, reafirmando o empenho da Santa Sé em favor da paz, da assistência às vítimas da guerra e do diálogo entre as partes.

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