PHN 2026

"Falta decisão", afirma padre Paulo Ricardo aos jovens no acampamento

Resgatando a célebre passagem das “Confissões”, pregador conclamou a juventude a abandonar as desculpas do mundo e assumir a santidade

Thiago Coutinho
Da redação

Pe. Paulo Ricardo citou Santo Agostinho como exemplo de santidade aos jovens / Foto: Daniel Xavier

“Cor Inquietum” foi o tema da pregação do padre Paulo Ricardo nesta fria manhã de sexta-feira, 10, durante o Acampamento PHN. Santo Agostinho, um dos filósofos e teólogos mais importantes do cristianismo, foi a figura central da reflexão do sacerdote.

O padre Paulo Ricardo recordou uma passagem da autobiografia de Santo Agostinho, “Confissões”, na qual ele relata que, na adolescência, roubou peras de um vizinho na companhia de amigos. O ato não foi motivado pela fome ou necessidade, mas pelo puro prazer da transgressão. “Aos 19 anos, ele já poderia ter se convertido, mas não o fez. O que fez? Entregou-se ao maniqueísmo, que é uma filosofia muito prática, a qual diz que o pecado não é seu, é culpa do mundo”, explicou o pregador.

“Vivemos em uma sociedade materialista e colocamos a culpa em outro lugar”, prosseguiu o sacerdote. “Agostinho, então, só se converteu por volta dos 31 para 32 anos. Ficou 12 anos no pecado até mudar de vida. Ele precisava ter tido a coragem de mudar, mas preferiu continuar no pecado.”

Em Milão, aos 30 anos, Santo Agostinho ficou fascinado por Ambrósio, que era um excelente orador. “Agostinho não se cansava de ouvi-lo. Inicialmente, ele estava interessado apenas na retórica de Ambrósio, mas começou a perceber que o que ele dizia era a verdade”, relatou o padre Paulo Ricardo.

Foi então que Santo Agostinho enxergou a verdade. “Com 30 anos ele percebeu que ser católico era o caminho verdadeiro. Não era falta de conhecimento. Ele percebeu a verdade, mas só se converteu com 32. Não lhe faltava conhecimento, faltava-lhe vontade. Ele rezava e dizia a Deus: ‘Dai-me a castidade, mas não agora'”, recordou o religioso.

Isso, segundo o padre Paulo Ricardo, reflete-se no tema desta edição do PHN, “Alvejados, lavados pelo sangue do Cordeiro”. “Então, se você chegou aqui é, provavelmente, porque você crê que na Igreja Católica é o local onde encontrará a verdade”, ponderou.

Dai-me a castidade

Santo Agostinho, continuou o padre Paulo Ricardo, queria a castidade, mas levou algum tempo para alcançá-la. “Agostinho sabia o que era a verdade. E você sabe, por exemplo, que está destruindo sua vida com as ditas ‘drogas recreativas’. Falta vontade de mudar, mas você sabe que está errado”, pontuou.

“Falta decisão”, afirmou o padre Paulo. “Um dia, Agostinho mudou. E o que ele fez para mudar de vida? Seu coração começou a arder ouvindo a vida dos santos, da mesma forma que vocês estão ouvindo aqui no PHN”, enalteceu.

Alípio, seu melhor amigo, em uma conversa com Agostinho, indagou-o: “E nós, o que faremos? Por que também não posso mudar de vida?”. Agostinho afastou-se do amigo e chorou porque sabia qual era a verdade, mas não tinha forças para mudar.

“Até que, em uma casa vizinha, ele ouviu a voz de uma criança”, recordou o padre. “Que, em latim, cantava algo como ‘toma e lê, toma e lê’. Ele foi até a mesa onde estavam os Códices das Cartas de São Paulo, abriu-os por acaso e leu o trecho que transformou sua vida.”

Programação

O Acampamento PHN segue até domingo, dia 12. Pregações, cânticos, adorações e shows estão programados para tornar a experiência de cada jovem única no evento. Para acompanhar a programação completa do PHN 2026, clique aqui.

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