Réplicas do terremoto de 24 de junho mantêm a Venezuela em alerta; tragédia já soma mais de 1.700 mortos e 50 mil desaparecidos
Da Redação, com Vatican News

Caracas, na Venezuela, foi atingida por dois terremotos /Foto: Jimmy Villalta/ZUMA Press via Reuters
Na Venezuela, a terra continua tremendo. Nas últimas horas, réplicas do terremoto registrado em 24 de junho voltaram a atingir a região entre Caracas e La Guaira, alcançando magnitude de 4,5. Os novos abalos agravam os danos provocados pelo desastre e dificultam o trabalho das equipes de resgate.
Na igreja de São José de Ñaraulí, na região centro-norte de Caracas, o pároco, padre Luis Antonio García Thomas, teme que a estrutura do templo não resista às novas réplicas. “O teto da nave central desabou completamente, e parte do teto da nave lateral paralela também veio abaixo. Da mesma forma, uma das torres onde está localizada a campana encontra-se praticamente suspensa de forma precária e pode desabar a qualquer momento.”
Segundo o sacerdote, o cenário é de destruição. Muitas pessoas morreram e dezenas de casas foram danificadas. Apesar da tragédia, ele destaca o empenho da Igreja em prestar assistência às famílias afetadas. “Continuamos sendo uma comunidade eclesial que vai ao encontro das pessoas; continuamos a nos apoiar mutuamente e a estar presentes.”
As sucessivas réplicas têm comprometido as operações de busca. Sempre que um tremor igual ou superior à magnitude 4 é registrado, as equipes interrompem temporariamente os trabalhos por risco de novos desabamentos. As rachaduras provocadas pelo terremoto também tornam o acesso às áreas atingidas cada vez mais perigoso.
Resgates seguem em ritmo lento
Encontrar sobreviventes sob os escombros torna-se uma tarefa cada vez mais difícil. Ainda assim, alguns resgates renovam a esperança. Na manhã desta terça-feira, um menino de 12 anos foi retirado com vida dos escombros no bairro de Macuto, em La Guaira, após permanecer soterrado por cinco dias.
Enquanto isso, as buscas continuam. Segundo o balanço oficial mais recente, pelo menos 50 mil pessoas seguem desaparecidas, e o número de mortos confirmados chegou a 1.719.
Igreja organiza ajuda às vítimas
Diante da emergência, a Igreja venezuelana criou uma mesa técnica para coordenar a assistência material e espiritual aos atingidos. O presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, arcebispo de Valencia, Jesús González de Zárate Salas, afirmou que “as diversas dioceses e paróquias do país se transformaram imediatamente em centros de coleta de ajuda, espaços de oração e locais de acolhimento e apoio”.
O arcebispo também manifestou preocupação com a situação dos sacerdotes da Diocese de La Guaira, muitos dos quais perderam suas casas, colaboradores e membros de suas comunidades. “Nossa prioridade”, acrescentou, “é ajudar esses ‘guardiões do povo de Deus’ a curar suas próprias feridas, para que possam continuar oferecendo ajuda e conforto às suas comunidades”.
Número de deslocados aumenta
Nas últimas 24 horas, o número de deslocados internos subiu para 12.700. Eles estão abrigados provisoriamente em escolas, ginásios e acampamentos improvisados.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) distribui kits de sobrevivência, colchões e cobertores, mas afirma que a resposta humanitária enfrenta falta de recursos. Em nota, o organismo alertou que, sem novas doações, será difícil manter a oferta de abrigo emergencial, proteção e assistência às famílias deslocadas.
Saúde enfrenta colapso
O terremoto também agravou a crise no sistema de saúde. Pelo menos três grandes hospitais foram danificados e operam parcialmente. As demais unidades estão superlotadas, enquanto a região mais atingida enfrenta escassez de médicos e enfermeiros.
A falta de água, causada pelos danos à rede de abastecimento, favorece o avanço de doenças gastrointestinais, casos de desidratação — principalmente entre crianças e idosos — e a contaminação de alimentos nos centros de acolhida.




