Solenidade

São Pedro e São Paulo: “diferenças não precisam gerar divisão”, diz padre

Padre Elinton da Comunidade Bethânia destaca riqueza da diversidade na Igreja a partir do testemunho de Pedro e Paulo, celebrados na Solenidade desta segunda-feira, 29

Julia Beck
Da Redação

Montagem com duas fotos das imagens de São Pedro e São Paulo, em concreto, que estão presentes na Praça São Pedro, no Vaticano

Imagens de São Pedro e São Paulo presentes no Vaticano /Fotos: Canva

“Não alimentar a polarização” e buscar “nas relações e na humanidade”, “antídotos para a polarização” foram alguns dos apelos do Papa Leão XIV desde o início de seu pontificado, em 2025. Seu antecessor, Papa Francisco, também fez diversos alertas sobre o tema, entre eles o convite aos fiéis para “fugirem da inimizade social” e a afirmação de que a “polarização não é católica”, ressaltando que o “catolicismo está sempre em harmonia com as diferenças”.

Ambos os Sucessores de Pedro — o Papa Francisco, falecido em 2025, e seu sucessor, o Papa Leão XIV — têm deixado mensagens em defesa da comunhão e da unidade como caminhos essenciais para a vida da Igreja. Essas são também marcas centrais da Solenidade de São Pedro e São Paulo, celebrada nesta segunda-feira, 29.

Dois pilares fundamentais da fé cristã, Pedro e Paulo eram diferentes em temperamento, história e missão, mas permaneceram unidos no seguimento de Cristo. Juntos, eles revelam que a diversidade não é uma ameaça, mas uma riqueza quando orientada para Deus.

Igreja una e missionária

Padre Elinton Costa, Bth, sacerdote da Comunidade Bethânia /Foto: Arquivo Pessoal

O membro da Comunidade Bethânia, padre Elinton Costa, reitera que a celebração conjunta dos apóstolos revela a própria identidade da Igreja.

“A Igreja celebra São Pedro e São Paulo em uma única solenidade porque ambos são as colunas da Igreja nascente. Pedro representa a unidade e a autoridade; Paulo, o impulso missionário e a abertura aos gentios. Celebrá-los juntos revela que a Igreja é, ao mesmo tempo, una e missionária”, afirma.

Segundo ele, essa dinâmica também se reflete na vida das Novas Comunidades, que unem fidelidade e ação evangelizadora. “Não existe missão sem comunhão. Somos chamados a ser fiéis à Igreja e, ao mesmo tempo, ir às periferias existenciais”.

Unidade não é uniformidade

Em um cenário social marcado por polarizações, o testemunho de Pedro e Paulo ganha atualidade, prossegue o sacerdote. Padre Elinton frisa que os apóstolos mostram que diferenças não precisam gerar divisão.

“Pedro e Paulo nos mostram que é possível ter diferenças sem romper a comunhão. Eles tinham temperamentos e visões distintas, mas colocaram Cristo acima de tudo. Unidade não é uniformidade”, afirma. O presbítero destaca que o exemplo apostólico ajuda a enfrentar divisões contemporâneas. “O diálogo não é concordar em tudo, mas caminhar na mesma direção.”

A riqueza da diversidade de carismas

A diversidade de vocações e carismas é uma riqueza que fortalece a missão da Igreja, explica o membro da Comunidade Bethânia. Ele observa que “Deus não chama todos da mesma forma”. Quando os carismas se somam, o sacerdote sublinha que a Igreja se torna uma rede de amor mais abrangente.

A convivência entre leigos, consagrados e sacerdotes é um sinal profético para o mundo atual, opina padre Elinton.

Atitudes concretas de comunhão

Para transformar diferenças em unidade, o sacerdote aponta atitudes essenciais como escuta, diálogo e caridade. De acordo com ele, Pedro ensina a humildade de recomeçar após a queda, enquanto Paulo mostra a coragem de anunciar a verdade com amor.

Na prática, isso se traduz em gestos cotidianos de acolhimento. “É parar de julgar a história do outro e passar a acolhê-la”, indica.

Uma Igreja que constrói pontes

A principal mensagem da solenidade é clara: a unidade nasce de Cristo e se concretiza na vida comunitária, enfatiza o membro da Comunidade Bethânia. “A verdadeira unidade nasce de Cristo. Pedro e Paulo eram diferentes, mas encontraram em Jesus a razão de sua vida.”

Padre Elinton reforça que o católico hoje é chamado a ter a firmeza de Pedro e o ardor de Paulo para construir pontes e transformar a sociedade em um lugar de comunhão. Aambos os apóstolos tiveram histórias marcadas por fragilidades, mas também transformadas pelo encontro com Cristo. “Nosso passado não nos define. O que nos define é a decisão de seguir Jesus”, finalizou.

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