Papa reuniu-se com bispos espanhóis na sede da Conferência Episcopal; no discurso, abordou os desafios da evangelização em uma sociedade marcada pela secularização
Da Redação, com Vatican News

O Papa Leão XIV durante encontro com bispos da Espanha / Foto: REUTERS/Yara Nardi
Qual é o caminho da Igreja diante das atuais transformações culturais, sociais e religiosas? Esse foi o cerne da reflexão do Papa Leão XIV em seu encontro com os bispos da Espanha nesta segunda-feira, 8, na sede da Conferência Episcopal em Madri. O Pontífice dá andamento à sua agenda de atividades na viagem ao país que começou no sábado, 6, e segue até sexta-feira, 12.
A imagem de uma peregrinação foi o que perpassou todo o discurso do Papa para falar sobre os desafios da evangelização. Ele ressaltou a necessidade de conjugar dois aspectos: a fidelidade à tradição e a abertura à ação do Espírito Santo, valorizando o rico patrimônio cristão da Espanha. E isso sabendo discernir o que deve ser preservado e o que deve ser deixado para trás.
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A centralidade da Palavra de Deus e da Eucaristia foi outro ponto destacado pelo Papa aos bispos como alimento indispensável para o caminho dos fiéis. Segundo ele, a renovação da Igreja não depende de estratégias de atração, mas de uma redescoberta profunda da presença de Cristo e da vida sacramental.
Frente às polarizações, ao diálogo e à unidade
Ao refletir sobre a missão evangelizadora, o Pontífice observou que uma das maiores dificuldades do tempo presente é a capacidade de comunicação. Para responder aos questionamentos da sociedade contemporânea, afirmou ser necessário desenvolver uma cultura de escuta, compreensão e diálogo.
Inspirando-se em figuras históricas da evangelização espanhola, como frei Hernando de Talavera e São Turíbio de Mogrovejo, Leão XIV encorajou os bispos a encontrar novas linguagens e novas formas de presença pastoral, capazes de alcançar uma sociedade cada vez mais plural e marcada pela diversidade cultural.
Um dos pontos centrais da intervenção foi o chamado à comunhão. O Papa observou que o contexto atual é marcado por polarizações e contraposições cada vez mais acentuadas, realidade que também desafia a vida eclesial. Diante desse cenário, destacou que a Igreja deve oferecer um testemunho de unidade capaz de acolher a diversidade de dons, carismas e sensibilidades presentes no Povo de Deus. A comunhão, explicou, não significa uniformidade, mas a convergência de diferentes vocações e experiências em torno de Cristo.
Dirigindo-se com firmeza aos bispos, recordou a responsabilidade particular que lhes cabe como promotores da unidade, do diálogo e da reconciliação dentro das comunidades que lhes foram confiadas.
A questão vocacional
Outro tema abordado foi a crise de compromissos definitivos que marca muitas sociedades contemporâneas, especialmente entre os jovens. O Papa observou que cresce a busca por sentido e pertencimento, mas, muitas vezes, acompanhada da dificuldade de assumir escolhas duradouras. Nesse contexto, ressaltou que a pastoral vocacional deve nascer de comunidades vivas, de famílias capazes de testemunhar a beleza da fidelidade e de sacerdotes que vivam sua vocação com alegria. Também voltou a insistir na necessidade de garantir uma sólida formação para os futuros presbíteros, recordando que a qualidade da formação deve prevalecer sobre a simples conservação de estruturas.
Escuta e cuidado das vítimas de abusos
O Santo Padre dedicou uma parte significativa de sua reflexão às pessoas que sofreram abusos, particularmente aqueles cometidos por membros do clero. Classificando essa realidade como uma das feridas mais dolorosas enfrentadas pela Igreja, reiterou a necessidade de escuta, verdade, justiça, reparação e prevenção.
Segundo o Papa, cada pessoa ferida deve encontrar acolhida sincera, proteção e caminhos concretos de cura, reforçando o compromisso eclesial com uma cultura do cuidado.
Levar Cristo ao coração do mundo
Ao abordar os desafios da secularização, Leão XIV observou que muitas pessoas não rejeitam explicitamente Deus, mas vivem uma profunda busca por sentido, esperança e pertencimento. Por isso, afirmou que a Igreja é chamada a reconhecer essas inquietações e oferecer como resposta a pessoa de Jesus Cristo.
O Pontífice recordou ainda que as numerosas obras educativas, sociais e assistenciais promovidas pela Igreja encontram sua razão mais profunda no anúncio do amor de Deus revelado em Cristo, capaz de devolver às pessoas a consciência de serem amadas.
Sob a proteção de Maria
Na conclusão do discurso, o Papa confiou os bispos espanhóis à proteção da Virgem Maria, evocada por São João Paulo II como Padroeira da “Terra de Maria”. Também recordou a figura de São João de Ávila, patrono do clero espanhol, cujo quinto centenário de ordenação sacerdotal é celebrado este ano.
Por fim, dirigiu uma palavra especial aos sacerdotes, definidos como os companheiros mais próximos dos bispos na missão evangelizadora. Leão XIV expressou o desejo de que sejam homens profundamente unidos a Cristo, fiéis à Igreja, próximos do povo e sustentados pela oração, pela fraternidade sacerdotal e pela caridade pastoral.




