Internacional

Zelensky propõe encontro direto com Putin e pede fim da guerra

Presidente ucraniano divulgou carta aberta ao líder russo, defendeu cessar-fogo durante negociações e sugeriu a participação dos EUA e da Europa na construção da paz

Da Redação, com agências

Montagem com duas fotografias lado a lado. À esquerda, o presidente da Ucrânia fala diante de microfones durante um pronunciamento. À direita, o presidente da Rússia participa de uma reunião em ambiente oficial, usando terno e gravata. A imagem ilustra o contexto diplomático e político relacionado ao conflito entre os dois países.

Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin/ Fotos: Reprodução Reuters

Com mais de quatro anos de duração, a guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar diante de uma nova possibilidade de negociação. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, publicou uma carta nesta quarta-feira, 4, em seu canal no Telegram, endereçada ao presidente russo, Vladimir Putin, manifestando a intenção de encerrar o conflito por meio de um diálogo direto. “Estou propondo um encontro”, escreveu.

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No texto, posteriormente repercutido em um pronunciamento ao fim do dia, Zelensky recordou que, há mais de 26 anos, quando Putin chegou ao poder na Rússia, muitos ucranianos tinham uma visão positiva do líder russo. Atualmente, lamentou que a relação entre os dois países, antes marcada por discussões sobre comércio e assuntos civis, tenha se transformado em uma relação centrada quase exclusivamente em ataques e perdas.

Críticas ao prolongamento da guerra

Zelensky afirmou que a guerra foi uma escolha pessoal de Putin, sem uma justificativa real, e destacou que os últimos anos poderiam ter seguido outro caminho. Segundo ele, “cresce entre os russos a insatisfação com os impactos do conflito”.

“Eles não gostam dos nossos drones e mísseis. Eles não gostam da escassez de gasolina e dos preços em constante alta. Eles não gostam das restrições constantes”, declarou. O presidente ucraniano acrescentou que os recursos da Rússia estão diminuindo significativamente e que milhares de soldados russos morrem todos os meses em decorrência da guerra.

Ao longo da carta, Zelensky reforçou sua preocupação com o povo ucraniano e lamentou as inúmeras vidas perdidas desde o início do conflito.

Convite para negociações diretas

O líder ucraniano ressaltou que seu país preservou a independência e continuará a defendê-la, apesar das previsões contrárias. Zelensky também mencionou o apoio da Coreia do Norte e da China à Rússia e citou relatórios de inteligência segundo os quais Putin estaria considerando prolongar a guerra até 2027 e 2028.

O presidente ucraniano observou ainda que os Estados Unidos estão atualmente concentrados na questão do Irã e argumentou que seria um erro esperar até que o conflito na Europa voltasse a ocupar o centro das atenções da política norte-americana. “A Ucrânia propõe encerrar esta guerra por meio de um diálogo direto entre nós — e você”, escreveu. Zelensky também voltou a defender um encontro presencial entre os dois líderes.

O presidente pediu ainda a participação da Europa e dos Estados Unidos no processo de negociação, afirmando que isso poderia contribuir para a construção de uma “nova arquitetura de segurança” para a região.

Zelensky lamentou o fracasso de diversos acordos anteriores e defendeu que os dois países enfrentem diretamente os temas mais difíceis, sem recorrer a fórmulas diplomáticas que apenas prolonguem as discussões.

Troca de prisioneiros e apelo final

Zelensky também declarou que a Ucrânia está disposta a realizar uma troca total de prisioneiros de guerra, classificando a medida como “um bom prólogo para o fim da guerra”. Além disso, cobrou ações concretas para o retorno de civis e crianças levados durante o conflito.

Na parte final da carta, o presidente ucraniano advertiu que, caso Putin não conclua ser o momento de encerrar a guerra, a Ucrânia continuará lutando por sua existência.

Posicionamento da Rússia

O Kremlin informou que tomou conhecimento da carta de Zelensky e comunicou que o presidente Vladimir Putin será informado sobre seu conteúdo. Segundo a mídia estatal russa, o porta-voz do governo, Dmitry Peskov, afirmou que Zelensky pode viajar a Moscou a qualquer momento.

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