No dia de Nossa Senhora de Fátima, Leão XIV deu continuidade ao ciclo sobre o Concílio Vaticano II, dedicando sua catequese a Maria, mãe e modelo na fé e na caridade
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV durante catequese no Vaticano /Foto: REUTERS/Vincenzo Livieri
Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 13, o Papa Leão XIV refletiu sobre o tema “A Virgem Maria, modelo da Igreja”, inspirando-se no último capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium, dedicado à Mãe de Jesus.
Nesse documento, Maria é «saudada como membro eminente e inteiramente singular da Igreja, seu tipo e exemplar perfeitíssimo na fé e na caridade» (n. 53). Essas palavras, afirmou o Santo Padre, convidam os fiéis a compreender que, em Maria — que, sob a ação do Espírito Santo, acolheu e gerou o Filho de Deus feito carne —, pode-se reconhecer tanto o modelo quanto o membro excelente e a mãe de toda a comunidade eclesial.
O Pontífice explicou que, ao deixar-se moldar pela obra da graça, realizada nela, e ao acolher o dom do Altíssimo com sua fé e amor virginal, Maria torna-se o modelo perfeito daquilo que toda a Igreja é chamada a ser: criatura da Palavra do Senhor e mãe dos filhos de Deus, gerados na docilidade à ação do Espírito Santo.
“Na medida em que é a fiel por excelência, na qual nos é oferecida a forma perfeita da abertura incondicional ao mistério divino na comunhão do povo santo de Deus, Maria é membro excelente da comunidade eclesial. Por fim, na medida em que gera filhos no Filho, amados no Amado eterno que veio entre nós, Maria é mãe de toda a Igreja, que pode dirigir-se a Ela com confiança filial, na certeza de ser ouvida, guardada e amada”, disse.
Maria, mulher ícone do Mistério
Maria também pode ser considerada a mulher ícone do Mistério. Segundo o Pontífice, ao utilizar o termo “mulher”, destaca-se a realidade histórica dessa jovem filha de Israel, a quem foi concedida a extraordinária experiência de se tornar mãe do Messias. Já a expressão “ícone” sublinha que nela se realiza um duplo movimento: tanto a eleição gratuita por parte de Deus quanto o livre consentimento da fé n’Ele.
Outro ensinamento do Concílio ressaltado por Leão XIV refere-se ao lugar singular reservado à Virgem Maria na obra da Redenção. Jesus é o único Mediador da salvação e sua Santíssima Mãe «de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; manifesta antes a sua eficácia» (LG, 60).
Na Virgem Maria, acrescentou o Papa, reflete-se também o mistério da Igreja:
“Nela, o povo de Deus encontra representadas a sua origem, o seu modelo e a sua pátria. Na Mãe do Senhor, a Igreja contempla o seu próprio mistério, não só porque nela encontra o modelo da fé virginal, da caridade materna e da aliança esponsal a que é chamada, mas também e sobretudo porque reconhece nela o seu próprio arquétipo, a figura ideal daquilo a que é chamada a ser.”
Amor pela Igreja
As reflexões sobre a Virgem Maria reunidas na Lumen Gentium ensinam a amar a Igreja e a servir à realização do Reino de Deus, exortou o Pontífice.
Ele convidou os fiéis a se questionarem: “Vivo com fé humilde e ativa a minha pertença à Igreja? Reconheço nela a comunidade da aliança que Deus me deu para corresponder ao seu amor infinito? Sinto-me parte viva da Igreja, em obediência aos pastores dados por Deus? Olho para Maria como modelo, membro excelente e mãe da Igreja?”
“Irmãs e irmãos, que o Espírito Santo nos conceda viver plenamente estas maravilhosas realidades. E, depois de termos aprofundado a Constituição Lumen Gentium, peçamos à Virgem que nos obtenha este dom: que cresça em todos nós o amor pela Santa Madre Igreja. Assim seja!”.




