Em visita à Pontifícia Academia Eclesiástica, que forma padres para o serviço diplomático, Papa frisou diálogo e anúncio da paz em meio às tensões no mundo
Da Redação, com Vatican News

Foto: REUTERS/Manon Cruz
O Papa Leão XIV visitou, na tarde desta segunda-feira, 27, a Pontifícia Academia Eclesiástica, no centro histórico de Roma, por ocasião de seus 325 anos fundação. A instituição prepara jovens eclesiásticos para o serviço diplomático da Santa Sé, após a obtenção de um grau eclesiástico.
Logo na chegada, o Pontífice descerrou uma placa comemorativa e, em seguida, assinou o selo que marca o aniversário. Em seu discurso, manifestou a alegria de fazer sua primeira visita como Papa à instituição. “Olho com profunda gratidão para a história de dedicação e serviço que este feliz aniversário celebra”, disse o Santo Padre aos superiores e alunos da Pontifícia Academia Eclesiástica.
O Papa ressaltou que a comunhão é uma característica fundamental do Corpo Diplomático da Santa Sé. Também reiterou que a reforma mais importante pedida a quem entra nesta comunidade é de um exercício constante de conversão, cultivando a proximidade, a abordagem fraterna e o diálogo. Isso deve ser combinado com a humildade e a mansidão, virtudes que devem permear todo ministério sacerdotal desses ministros.
Em seguida, o Papa delineou algumas características do sacerdote diplomático pontifício. Participando no ministério do Sucessor de Pedro, este padre acolhe e cultiva uma vocação especial a serviço da paz, da verdade e da justiça.
Ser “pontes” e “canais”
Primeiramente, ele é um mensageiro do anúncio pascal. “Mesmo quando as esperanças de diálogo e reconciliação parecem se dissipar, e a paz é pisoteada e severamente posta à prova, vocês são chamados a continuar levando a todos a palavra de Cristo Ressuscitado: ‘Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou’”, disse o Santo Padre.
“E mesmo antes de tentar construí-la com as nossas modestas forças, diante daqueles que não a buscam como um dom de Deus, a missão de vocês os chama a serem “pontes” e “canais” para que a graça que vem do céu possa abrir caminho através das vicissitudes da história”, acrescentou.
Testemunhar Cristo e defender a família humana
Depois, nos mais diversos contextos culturais e nos organismos internacionais, o diplomata pontifício é especialmente chamado a testemunhar a Verdade que é Cristo. Deve levar sua mensagem ao fórum das nações, tornando-se sinal do seu amor por aquela parte da humanidade que lhe é confiada em sua missão de pastor, antes mesmo de diplomata.
Por fim, o diplomata pontifício não se limita à defesa do bem da comunidade católica, mas de toda a família humana. Segundo o Papa, isso exige que sejam promotores de todas as formas de justiça que ajudam a reconhecer, reconstruir e proteger a imagem de Deus impressa em cada pessoa.
“Na defesa dos direitos humanos — entre os quais se destacam os direitos à liberdade religiosa e à vida —recomendo-lhes, portanto, que continuem indicando o caminho, não da oposição e da reivindicação, mas da tutela da dignidade da pessoa, do desenvolvimento dos povos e das comunidades e da promoção da cooperação internacional. Estes são os únicos instrumentos que permitem iniciar caminhos autênticos de paz”, sublinhou Leão XIV.
A exortação final do Papa a todos os presentes foi para que insistam no anúncio da paz, mesmo quando estes esforços parecerem insuficientes ou inúteis. “Queridos superiores e alunos, num mundo marcado por tensões, que parece fazer dos conflitos a única maneira de enfrentar as necessidades e as instâncias, nossa capacidade de nos empenharmos no diálogo, na escuta e na reconciliação pode parecer insuficiente, às vezes, até inútil. Isso não deve nos desanimar! Continuemos a invocar com confiança o dom da paz de Cristo, sem medo.”




