MOMENTO DE COMUNHÃO

Bispos das Antilhas trazem as realidades caribenhas à Igreja Universal

O presidente da Conferência Episcopal das Antilhas descreve a visita ad limina dos bispos a Roma como um momento vital de comunhão com a Igreja universal

Da redação, com Vatican News

O Presidente da Conferência Episcopal das Antilhas (CEA), arcebispo Charles Jason Gordon / Foto: Reprodução Youtube Vatican News

O arcebispo Charles Jason Gordon, Presidente da Conferência Episcopal das Antilhas (CEA), descreveu a visita ad limina Apostolorum dos bispos a Roma como um momento privilegiado de comunhão, encontro e intercâmbio entre as Igrejas locais do Caribe e a Igreja universal.

Em entrevista ao Vatican News durante a visita dos bispos em 2026, o Arcebispo Gordon refletiu sobre o significado da peregrinação, chamando-a de “um momento muito especial na vida de um bispo e na vida da Conferência Episcopal”.

O religioso, que também serve como Arcebispo de Porto de Espanha, observou que a visita oferece aos bispos uma oportunidade única de se reunirem na Cidade Eterna e interagirem diretamente com os Dicastérios da Santa Sé.

Um momento de comunhão e escuta

“Viemos à Cidade Santa, à Cidade Eterna, para encontrar comunhão, para escutar profundamente o pulsar da Igreja”, disse ele, “mas também para compartilhar a particularidade da missão em nosso contexto com os diferentes Dicastérios que encontramos”.

Destacando a natureza recíproca do encontro ad limina, o Arcebispo Gordon afirmou que a troca entre a Igreja universal e a local enriquece ambas.

“A Igreja é universal, mas a Igreja também é particular”, disse ele. “Nessa troca entre o universal e o particular, sempre há grandes riquezas que levamos conosco.”

O bispo explicou que a experiência das Igrejas locais também pode ajudar a Igreja universal a refletir mais profundamente sobre as realidades pastorais a partir de novas perspectivas.

Evangelizando o continente digital

Entre os primeiros encontros da visita dos bispos caribenhos, houve uma reunião com o Dicastério para a Comunicação, onde as discussões se concentraram na missão da Igreja no mundo digital.

O arcebispo Gordon enfatizou que, embora as redes sociais apresentem riscos inegáveis, esses perigos não podem impedir a Igreja de evangelizar na esfera digital.

“Há perigos nas redes sociais”, disse ele, “mas há perigos ao atravessar a rua, perigos ao viajar de uma parte do país para outra. Esses perigos não podem nos impedir de levar o Evangelho a toda a criação, a todas as esferas da vida e da atividade.”

Ecoando a descrição do Papa Bento XVI da internet como o “continente digital”, o Arcebispo Gordon disse que a Igreja deve abraçar sua responsabilidade missionária online.

“É um lugar onde também temos que ser missionários”, disse ele, “não apenas para levar a mensagem, mas também para moldar a interação nas mídias digitais.”

O prelado explicou que os cristãos são chamados a ajudar a garantir que a comunicação digital se torne “mais humana” e “mais humanizadora”, para que os espaços online possam orientar melhor as pessoas em sua busca pela verdade e pelo significado.

Levando os desafios do Caribe para Roma

Ao abordar as realidades enfrentadas pela Igreja no Caribe, o Arcebispo Gordon destacou a vulnerabilidade climática, a migração e a vida familiar como algumas das preocupações pastorais mais prementes da região.

“Em nossa região, somos a segunda mais vulnerável às mudanças climáticas, e isso sempre representa um grande problema”, disse ele, observando as graves ameaças representadas pela elevação do nível do mar, furacões e degradação ambiental para as nações caribenhas.

A migração também continua sendo um desafio crucial.

Recordando o impacto da crise venezuelana e da instabilidade regional mais ampla, o arcebispo Gordon afirmou que países como Trinidad e Tobago receberam “milhares e milhares de migrantes” da Venezuela, Haiti, Cuba e de outros países do Caribe e da América Latina.

Ele também apontou para a experiência histórica singular da vida familiar caribenha, moldada por séculos de colonialismo e pelo sistema de plantações.

“Tivemos uma estrutura familiar de 400 anos que foi desestruturada pelo sistema de plantações”, explicou ele, observando que isso produziu dinâmicas familiares e realidades pastoris distintas de muitas outras partes do mundo.

Desafios como oportunidades de graça

O arcebispo Gordon afirmou que o propósito de trazer essas realidades ao Vaticano não é apenas apresentar as dificuldades, mas contribuir com a experiência particular do Caribe para o discernimento mais amplo da Igreja. “A esperança é trazer essa peculiaridade, essa particularidade, para o diálogo universal”, disse.

Ao fazer isso, acrescentou, os bispos buscam receber e oferecer luz que possa ajudar a transformar desafios em oportunidades para a missão.

“Enxergar nossa missão e os desafios”, disse ele, “não apenas como desafios, mas também como graça e oportunidades para a evangelização.”

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