62ª AGCNBB

Em coletiva, bispos abordam desafios da Igreja e problemáticas sociais

Dom Joel Portella e Dom Francisco Soares atenderam a imprensa; na pauta, problemáticas sociais e conjuntura eclesial

Thiago Coutinho
Enviado especial a Aparecida (SP)

Dom Joel, Dom Francisco e, mais à direita da foto, padre Arnaldo na coletiva desta sexta-feira, 17 / Foto: Daniel Xavier

Conjunturas eclesiais e socioculturais estiveram entre os temas deste terceiro dia da 62ª Assembleia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que segue até o dia 24 de abril no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, no Santuário Nacional, em Aparecida (SP).

O bispo de Petrópolis (RJ) e presidente da Comissão para a Doutrina da Fé CNBB, Dom Joel Amado Portella, e o bispo de Carolina (MA), Dom Francisco Lima Soares, foram os entrevistados desta sexta-feira, 17, na coletiva de imprensa.

O bispo de Carolina (MA), Dom Francisco Lima Soares / Foto: Daniel Xavier

Conjuntura social foi o tema apresentado por Dom Francisco. Ressaltando a turbulência das guerras ao redor do mundo, o bispo falou sobre o flagelo da ausência da paz e do disfuncionamento social que tem regido a sociedade contemporânea. “Assim como nos períodos da Antiguidade e da Idade Média, a ausência de paz é recorrente. Por essa razão, o mundo, em todos os continentes, vivencia essa questão”, contextualizou.

Durante a Assembleia, Dom Francisco afirmou que será discutida a questão da paz, do meio ambiente, da violência nas grandes cidades e o papel da Igreja e dos cristãos diante dessas problemáticas sociais. “Serão apresentadas as palavras do Papa Leão XIV, que destaca a importância da paz, a ausência da mesma e a necessidade de evitar a guerra como solução, a fim de que a humanidade não retorne a um cenário de conflito generalizado. Por isso, a análise de conjuntura social tematizará a necessidade da paz”.

O Brasil não se tornou menos religioso

Dom Joel deu início à sua fala explicando a multiplicidade religiosa do Brasil. E ressaltou: o país não se tornou menos religioso, mas mais plural.  “Primeiramente, o Brasil não se secularizou. Contrariamente às previsões, a religiosidade no país não diminuiu”, atestou o bispo. “O Brasil se tornou plural em termos religiosos. Atualmente, a diversidade religiosa se manifesta em uma multiplicidade de vertentes, superando a dicotomia histórica entre católicos e evangélicos.”

Uma realidade, porém, que o presidente da Comissão para a Doutrina da Fé CNBB pôde observar é um fenômeno que classificou como fluidez religiosa. “São indivíduos transitando entre diferentes tradições e incorporando elementos diversos em suas práticas espirituais”, detalhou.

Dom Joel Amado Portella durante a coletiva desta sexta-feira, 17 / Foto: Daniel Xavier

Diante deste contexto, segundo o bispo, a Assembleia trará respostas sobre como evangelizar neste cenário. “Diante desse contexto, a análise busca responder à seguinte pergunta: como a Igreja pode se adaptar a essa realidade, dialogando com ela, a fim de anunciar o Evangelho e preservar sua identidade e seus valores?”, indagou.

O catolicismo nas redes sociais

Fenômeno que já pode ser caracterizado de maneira intrínseca à sociedade, as redes sociais também chamam atenção do episcopado neste Assembleia. A Igreja está atenta a isso, mas Dom Joel ressaltou que a evangelização não pode se limitar aos meios digitais.

“É inegável que o mundo contemporâneo se expandiu para o ambiente digital. A princípio, é importante ressaltar que não é possível reduzir a vivência da fé exclusivamente ao mundo virtual”, afirmou. “O espaço digital oferece inúmeras vantagens e valores, como a promoção da identidade, a facilitação da comunicação e o intercâmbio de ideias. No entanto, a experiência da fé deve transcender o digital, envolvendo a participação na comunidade”, reiterou.

Uma ressalva feita por Dom Francisco, nesse âmbito, é o paradoxo dessas modernidades tecnológicas. “Apresentam-se argumentos que buscam justificar uma suposta crise da racionalidade”, explicou. “Tal fenômeno, característico do período pós-moderno, demonstra que a ciência, a tecnologia e a razão humana, que outrora prometiam a construção de um futuro promissor, paradoxalmente contribuíram para a sua desconstrução. Constata-se que a humanidade não progrediu conforme o esperado nesse sentido”, lamentou.

“Portanto, a presença da Igreja no espaço virtual, nas redes sociais e em outras plataformas digitais é fundamental”, redarguiu dom Joel. “Mas deve ser integrado e orientado adequadamente”, finalizou.

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