Leão XIV visita as comunidades desta capital de uma das duas regiões anglófonas do Noroeste e Sudoeste do país, onde conflitos são intensos
Da Redação, com Vatican News

Povo em Bamenda à espera do Papa Leão XIV / Foto: Reprodução Vatican Media
Nesta quinta-feira, 16, o Papa Leão XIV partiu de Iaundé, capital de Camarões, rumo a Bamenda, capital de uma das duas regiões anglófonas do Noroeste e Sudoeste do país. Ele visita as comunidades da região devastada pela violência entre anglófonos e forças governamentais, mas também por uma pobreza dramática.
O Pontífice chegou por volta das 11h (horário local, 7h em Brasília) para um dos momentos mais marcantes desta viagem: o encontro pela paz com a comunidade local na Catedral de São José. O evento reune toda a comunidade, composta por diferentes religiões, por francófonos e anglófonos.
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A visita papal acontece após cerca de 10 anos vividos sob o peso do conflito entre as forças do governo central de Iaundé e os grupos separatistas da República da Ambazonia – como a guerrilha rebatizou as regiões, um Estado independentista não reconhecido internacionalmente.
Uma violência que começou em 2016, com milhares de mortos e cerca de 700 mil deslocados, motivada pela aspiração dos chamados “Amba Boys” de pôr fim ao que consideram uma marginalização por parte do governo central francófono.
Sinal de esperança
A chegada do Papa é um grande consolo para todos, que se sentem chamados a ser protagonistas da renovação. Este “é o momento perfeito”, dizem os habitantes, fortemente encorajados pela trégua de três dias anunciada pelos separatistas. Um gesto ditado pela “profunda importância espiritual” da visita papal e pela necessidade de salvaguardar a vida dos civis, que se deslocarão para participar do momento tão esperado.
Para muitos, este será o início de uma nova fase, onde será possível olhar nos olhos uns dos outros para dizer juntos que é hora de superar as barreiras, por um Camarões verdadeiramente unido e pacífico. A presença do Papa, espera-se, será precursora de tudo isso; ninguém esperava que ele chegasse a Bamenda, e isso agora é considerado uma etapa que é o “sinal de que é o próprio Deus quem nos visita”.
Pobreza e crise humanitária
A esperança é que seja um novo começo também para derrotar a pobreza e a dramática crise humanitária que assolam a região. “Aqui refugiaram-se todos aqueles que fugiram de suas aldeias, pessoas que fugiram sem nada, que vieram morar aqui e que aqui não encontraram nada. Muitas vezes falta luz, falta água, mas, acima de tudo, falta trabalho”, explica Pina Uwimana, do Movimento dos Focolares em Bamenda.
As pessoas de Bamenda, explica ela, são pessoas de fé, que anseiam pelo encontro com Leão XIV, “dizem que ele vem para rezar a fim de obter os dons da paz, da reconciliação, o dom da vida”. Todos acreditam em algo em Bamenda, e agora a fé deles “se volta para o Papa que vem para promover o diálogo”.
O desafio mais importante será o que virá depois, mas a palavra do Papa será seguida, afirma Pina. “Eu ouço quem fala nos táxis, nos ônibus, nos mercados, e todos aguardam sua palavra. Esta crise não colocou em dúvida a fé deles, todos continuam a rezar e a ter confiança”, apesar da violência.
Como no resto do país, o problema continua sendo a fuga dos jovens, muitos dos quais querem deixar o país movidos pelo desejo de ter uma vida um pouco mais digna. Sobretudo as mulheres, que desde muito jovens já não conseguem mais ir à escola, nem ter um ofício. E é a elas que se dirige em grande parte a ação do Movimento dos Focolares, com a reabertura de casas que possam acolhê-las e também ensinar-lhes um ofício.
“Esperamos o Papa, ele vem rezar conosco e nós estamos com ele na oração, para invocar esse dom da paz, da esperança e para alcançar esse dom da reconciliação. Para que o Camarões seja um só povo e um só coração”, conclui Pina Uwimana.




