Memorial do Mártir em Argel

Papa: apesar das aparências, violência nunca terá a última palavra

Primeiro compromisso do Papa em Argel foi a visita ao Memorial do Mártir Maqam Echahid, que recorda os mortos durante a independência do colonialismo francês

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

Leão XIV visitou memorial do mártir e fez sua primeira saudação ao povo argelino / Foto: Reprodução Vatican News

A violência nunca terá a última palavra: o futuro pertence aos homens e mulheres de paz. Esta foi a mensagem central deixada pelo Papa Leão XIV em sua primeira saudação em Argel, capital da Argélia, ao visitar o Memorial dos Mártires nesta segunda-feira, 13, primeiro dia de sua viagem apostólica.

Do Aeroporto internacional Houari Boumédiène, Leão XIV se dirigiu ao local chamado Maqam Echahid, um monumento inaugurado em fevereiro de 1982 pelo presidente Chadli Bendjedid, por ocasião do 20º aniversário da independência. Com mais de 90 metros de altura, representa três folhas de palmeira estilizadas, em homenagem aos que perderam a vida na luta contra o colonialismo francês.

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Leão XIV depositou uma coroa de flores e fez um momento de silêncio para prestar homenagem aos mártires. Em seguida, deslocou-se para o lado oposto, onde uma multidão de cerca de cinco mil pessoas aguardava sua saudação.

O Pontífice ressaltou a hospitalidade e fraternidade do povo argelino, destacando que o país tem uma história rica em tradições, mas também marcada por períodos de violência, superados com coragem e honestidade. “Visitar este Monumento é uma homenagem a esta história, e à alma de um povo que lutou pela independência, dignidade e soberania desta nação.”

O desejo de Deus: paz para as nações

Segundo Leão XIV, visitar este memorial é recordar que Deus deseja a paz para todas as nações. Trata-se de uma paz que não é apenas ausência de conflito, mas expressão de justiça e dignidade. Uma paz que só é possível através do perdão.

“A verdadeira luta pela libertação só será definitivamente vencida quando se tiver finalmente conquistado a paz dos corações. Sei como é difícil perdoar. Todavia, enquanto os conflitos continuam a multiplicar-se em todo o mundo, não se pode acrescentar ressentimento ao ressentimento, de geração em geração.”, declarou. “O futuro pertence aos homens e às mulheres de paz. Por fim, a justiça triunfará sempre sobre a injustiça, e a violência, apesar das aparências, nunca terá a última palavra.”, acrescentou.

Contribuição para a estabilidade e diálogo

O Pontífice destacou ainda o respeito mútuo nesta terra que é um ponto de encontro entre culturas e religiões. “Possa a Argélia, com a força das suas raízes e a esperança dos seus jovens, continuar a oferecer um contributo de estabilidade e diálogo na comunidade das nações e nas margens do Mediterrâneo.”
Ele também frisou que a Argélia, assim como cada povo, possui um patrimônio único de história, cultura e fé. Deus ocupa um lugar central neste patrimônio, explicou, iluminando a vida das pessoas, sustentando as famílias e inspirando fraternidade.

“Um povo que ama a Deus possui a riqueza mais verdadeira e o povo argelino conserva esta joia no seu tesouro. O nosso mundo precisa de fiéis assim, de homens e mulheres de fé, sedentos de justiça e unidade. Por isso, perante uma humanidade ansiosa de fraternidade e reconciliação, é um grande dom e um abençoado compromisso declarar com força e ser sempre, juntos, irmãos entre nós e filhos de Deus!”, declarou.

Leão XIV conclui sua saudação com as palavras de Jesus no conhecido Sermão da Montanha ou Bem-aventuranças. Após a visita, dirigiu-se para o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático.

Próximos passos

Na agenda de hoje, ainda constam uma visita à Grande Mesquita de Argel (11h15 pelo horário de Brasília), uma visita privada ao centro de acolhimento e amizade das irmãs agostinianas missionárias em Bab El Oued (12h15 pelo horário de Brasília) e, por fim, um encontro com a comunidade argelina na Basílica de Nossa Senhora de África (12h40 pelo horário de Brasília).

Leão XIV permanece na Argélia quarta-feira, 15, quando seguirá para Camarões, segunda etapa da viagem que também o levará a Angola e Guiné Equatorial. Esta viagem apostólica se encerra em 23 de abril.

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