Discurso

Quem segue Cristo não está ao lado da guerra, enfatiza Papa

Em discurso a bispos da Igreja Caldeia, Leão XIV condena a violência, pede compromisso com a paz e reforça que cristãos são chamados a ser agentes de paz

Da Redação, com Vatican News

Papa sentado em cadeira fala ao microfone enquanto lê um texto, diante de bispos com solidéu rosa reunidos em sala com estantes de livros.

Papa se reúne com bispos da Igreja Caldeia /Foto: IMAGO/Catholicpressphoto via Reuters

O Papa Leão XIV recebeu nesta sexta-feira, 10, um grupo de bispos reunidos em Roma para o Sínodo da Igreja Caldeia, com sede em Bagdá (Iraque), responsável por eleger o novo Patriarca. O Pontífice havia aceitado, há um mês, a renúncia do cardeal Louis Raphaël Sako, apresentada ao completar 75 anos, após permanecer por mais dois anos no cargo a pedido do Papa Francisco. Foram 13 anos de serviço marcados por “notáveis esforços”, reconheceu Leão XIV.

Em seu discurso, o Papa destacou a missão do Sínodo e a eleição do novo Patriarca como um chamado a “anunciar Cristo Ressuscitado também em contextos de morte”, mantendo viva a esperança. Ele afirmou acompanhar, por meio do Dicastério para as Igrejas Orientais, esse “precioso momento de discernimento eclesial”, que une em oração sacerdotes, religiosos, seminaristas e fiéis, tanto no território de origem quanto na numerosa diáspora.

Segundo o Pontífice, a Igreja Caldeia possui uma tradição antiquíssima, ligada às origens da salvação, e que levou o Evangelho além das fronteiras do Império Romano, alcançando regiões como Índia e China. Trata-se de uma história “gloriosa”, vivida com coragem e fidelidade mesmo em meio a guerras, perseguições e tribulações que dispersaram muitos fiéis pelo mundo.

“O Sínodo de vocês representa um tempo de graça e grande responsabilidade. Vocês são chamados a eleger o Patriarca em uma fase delicada e complexa. Convido-os a deixar-se guiar pelo Espírito Santo, buscando não o que parece mais útil aos olhos do mundo, mas o que é mais conforme ao coração de Cristo”, afirmou.

Como deve ser o novo Patriarca

Leão XIV desejou que o novo Patriarca seja, antes de tudo, um pai na fé e sinal de comunhão, empenhado na unidade, mesmo quando isso exigir ir contra a corrente. “O amor é a única força que vence o mal e derrota a morte”, destacou. O Papa também ressaltou que o eleito deve ser um homem das Bem-aventuranças, não voltado a gestos extraordinários, mas à santidade cotidiana, feita de honestidade, misericórdia e pureza de coração. “Que seja um pastor capaz de ouvir e acompanhar, pois a autoridade na Igreja é sempre serviço e jamais hegemonia”, disse.

Além disso, pediu que seja um guia próximo do povo, enraizado na oração, capaz de enfrentar dificuldades com realismo e esperança, e de indicar caminhos concretos para o bem do povo de Deus, em comunhão com os bispos e com o Sucessor de Pedro.

O Santo Padre destacou ainda que o momento exige responsabilidade e renovação espiritual, com atenção à transparência na administração dos bens, ao uso moderado dos meios de comunicação, à prudência nas declarações públicas e à formação dos presbíteros. Também incentivou o cuidado com os leigos, para que permaneçam firmes na fé, apesar das provações. “Que os cristãos em todo o Oriente Médio sejam respeitados não apenas nas palavras: que desfrutem de verdadeira liberdade religiosa e plena cidadania, sem serem tratados como hóspedes ou cidadãos de segunda classe”, afirmou.

Em busca da paz

Ao final, Leão XIV encorajou os presentes a serem sinais de esperança “num mundo marcado por violências absurdas e desumanas”. Segundo ele, a ganância e o ódio se espalham justamente nas terras onde nasceu a salvação, mas é preciso perseverar como agentes de paz.

“Nenhum interesse pode valer a vida dos mais fracos; nenhuma causa pode justificar o sangue inocente. Deus não abençoa conflitos, e não são ações militares que criam paz, mas a promoção paciente da convivência e do diálogo entre os povos”, concluiu.

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