O significado da unção recebida de Deus perpassou a homilia do bispo diocesano de Lorena, Dom Joaquim Wladimir, na Missa do Crisma celebrada hoje
Jéssica Marçal
Da Redação

Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias / Foto: Reprodução TV Canção Nova
O bispo da Diocese de Lorena (SP), Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, presidiu a Missa do Crisma nesta Quinta-Feira Santa, 2. Participaram os membros do clero diocesano, padres religiosos, o bispo emérito de Lorena, Dom Benedito Beni dos Santos, e muitos fiéis que se preparam para o início do Tríduo Pascal.
Esta celebração, também conhecida como Missa dos Santos Óleos, é realizada tradicionalmente na catedral das dioceses/arquidioceses, reunindo o bispo com todo o clero numa expressão de unidade. É nesta missa que são abençoados os óleos utilizados nas cerimônias sacramentais do Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos. Também se renovam as promessas sacerdotais, feitas no dia da ordenação.
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Dom Wladimir destacou que esta é uma das mais belas e significativas celebrações da liturgia católica, também conhecida como missa da unidade. Isso porque ela manifesta, de forma incisiva, a unidade da Igreja, que não nasce de afinidades humanas, mas tem sua fonte em Cristo. “É Ele que reúne, que envia”, pontuou.
O bispo recordou que, na Sagrada Escritura, ser ungido é ser escolhido, consagrado e enviado com uma missão que nasce do coração de Deus. O profeta Isaías, presente na leitura do dia, revela que essa missão tem um rosto concreto: levar a Boa Nova aos pobres, curar os corações feridos, proclamar a libertação aos cativos. Ou seja: “Deus não unge para privilégios, mas para o serviço”.
Uma missão atual

Clero reunido na Missa do Crisma na diocese de Lorena / Foto: Reprodução TV Canção Nova
Já no Evangelho, contempla-se algo mais profundo, observou Dom Wladimir: Jesus revela na sinagoga exatamente esta passagem e afirma, com autoridade divina, o cumprimento desta escritura. “Ele é a Palavra cumprida, o Ungido por excelência”.
“O que mais toca o nosso coração é perceber que essa missão não ficou presa ao passado, mas continua viva hoje. Pelo nosso Batismo, também nós somos ungidos, cada cristão carrega esta marca invisível, mas real, e isso muda completamente o sentido da nossa vida”, disse, acrescentando que os fiéis são ungidos para uma missão dentro de sua realidade concreta.
Dom Wladimir observou ainda que, muitas vezes, as pessoas esperam grandes sinais para perceber a ação de Deus. Porém, essa unção recebida convida a reconhecer que o milagre começa em gestos simples e silenciosos: Deus age através de corações disponíveis. “Estamos vivendo no nosso dia a dia como ungidos ou deixamos que esta graça permaneça adormecida dentro de nós?”, questionou.
Renovação das promessas sacerdotais
Dom Wladimir falou ainda sobre a bênção dos óleos que também é uma característica desta celebração e da renovação das promessas sacerdotais. “Este é um momento de graça, memória e compromisso. Recordamos o dia em que dissemos nosso sim ao Senhor e o renovamos com humildade e confiança”.
Reconhecendo que não é fácil viver esta vocação nos dias de hoje, diante do cansaço, de inúmeros desafios pastorais e de incompreensões, Dom Wladimir exortou o clero à confiança em Deus. “Hoje, queremos afirmar: não estamos sozinhos, Cristo caminha conosco, e somos chamados a caminhar juntos como presbitério em comunhão fraterna apoiando-nos mutuamente. Ser padre é ser ponte, ser presença e sinal da proximidade de Deus no meio do povo”.
Quanto ao povo de Deus, Dom Wladimir exortou-o a rezar pelos padres: “juntos, somos chamados à santidade”.
Jubileu da diocese: 90 anos

Cartaz comemorativo pelos 90 anos da diocese de Lorena / Foto: Reprodução TV Canção Nova
A celebração também marcou o início das atividades em preparação aos 90 anos da diocese de Lorena que acontecerá no próximo ano. Segundo o bispo, um tempo de memória agradecida e esperança renovada. “Olhamos para o passado com gratidão, vivemos o presente buscando fidelidade e confiança em Deus e abraçamos o futuro com confiança, certos de que o Senhor continua a conduzir sua Igreja”.
Concluindo sua homilia, Dom Wladimir desejou a todos uma boa vivência do Tríduo Pascal. “Que vivamos intensamente estes dias sagrados, que a cruz nos fortaleça, que o silêncio do sepulcro nos ensine a confiar diariamente em Deus e a luz da ressurreição renove completamente a nossa vida”.




