Cristãos no Oriente Médio

Semana Santa na Síria: procissões canceladas após ataque em Sqelbiyeh

Após ataques no país, Fundação AIS manifesta solidariedade e pede garantia de direitos às comunidades cristãs, para que possam viver a fé sem obstáculos

Da Redação, com Fundação AIS

Fiéis rezam diante de imagem de Jesus crucificado, com velas acesas, em ambiente de oração dentro de igreja.

Momento de oração de fiéis diante da pintura da crucificação de Jesus em igreja na Síria /Foto: Fundação AIS

O clima de incerteza entre os cristãos diante dos conflitos no Oriente Médio estende-se também à Síria. As procissões do Domingo de Ramos, celebrado no último dia 29, foram canceladas em diversas cidades, como Damasco e Alepo, devido à persistente insegurança.

No sábado, 28, um ataque em Sqelbiyeh, na província de Hama — localidade de maioria cristã — resultou no saque de várias lojas e na destruição de uma estátua da Virgem Maria. Segundo fontes locais, os responsáveis seriam habitantes de uma aldeia vizinha. A situação foi posteriormente controlada, mas o episódio impactou diretamente a decisão de cancelar as procissões do domingo.

O membro do clero de Sqelbiyeh e parceiro de projetos da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), padre Dimitrios, afirmou que o ataque foi inesperado e que não havia sinais claros, nos dias anteriores, de que algo semelhante pudesse ocorrer. Embora já tivessem sido registrados incidentes semelhantes, estes eram de menor proporção. Segundo o sacerdote, a incitação nas redes sociais pode ter influenciado alguns jovens, contribuindo para o agravamento da tensão.

O sacerdote destacou ainda que as relações entre as diferentes comunidades religiosas na região permanecem boas e que esforços estão sendo feitos para conter a situação. “Hoje há ansiedade, tensão e algum medo, e as pessoas permaneceram em suas casas”, afirmou. Padre Dimitrios explicou também que, por motivos de segurança, foram canceladas as celebrações ao ar livre do Domingo de Ramos, enquanto missas e orações dentro das igrejas ocorreram normalmente.

Medo de islamização da sociedade

O arcebispo maronita de Alepo, Dom Joseph Tobji, explicou, em sua homilia do Domingo de Ramos, que o cancelamento das procissões na cidade não ocorreu por medo, mas como um gesto deliberado de solidariedade às comunidades atacadas. Segundo ele, a decisão também representa uma forma de protesto contra a proliferação de armas no país fora do controle do governo.

Nesse contexto, responsáveis eclesiásticos têm alertado, em diversas ocasiões, para uma crescente inquietação entre os cristãos quanto ao futuro da Síria. Alguns líderes da Igreja, como o arcebispo Jacques Mourad, têm destacado o aumento do receio diante da falta de liberdade e do risco de marginalização, o que alimenta o temor de uma progressiva islamização da sociedade.

Solidariedade da Fundação AIS

Diante desse cenário, e também em relação aos acontecimentos no Líbano, a Fundação AIS voltou a expressar sua proximidade e solidariedade ao Patriarcado Latino de Jerusalém, à Custódia da Terra Santa e a todas as comunidades cristãs afetadas. “Pedimos o respeito efetivo à liberdade religiosa e ao ‘status quo’ que regula os direitos e o acesso aos Lugares Santos de Jerusalém, para que os fiéis possam viver sua fé sem obstáculos, especialmente durante os dias santos”, afirmou a presidente executiva da Fundação AIS Internacional, Regina Lynch.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content