Cardeal Pizzaballa e Frei Ielpo foram impedidos de entrar na Basílica do Santo Sepulcro neste Domingo de Ramos; segundo Israel, decisão foi motivada por razões de segurança
Da Redação, com Vatican News

Basílica do Santo Sepulcro / Foto: Cezary Wojtkowski de Getty Images via Canva
Líderes políticos e religiosos em todo o mundo se manifestaram após o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, e o Custódio da Terra Santa, Frei Francesco Ielpo, terem sido impedidos, pela polícia israelense, de entrar na Basílica do Santo Sepulcro neste Domingo de Ramos, 29.
O caso foi relatado ontem em um comunicado conjunto do Patriarcado Latino e da Custódia da Terra Santa, destacando a gravidade do ocorrido. Após o comunicado, o presidente israelense, Isaac Herzog, publicou um post no X expressando “profundo pesar pelo desagradável incidente”. Ele esclareceu ter ligado para o cardeal Pierbattista Pizzaballa, ressaltando que a decisão foi motivada por razões de segurança e pela ameaça de ataques com mísseis por parte do Irã.
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As palavras do presidente seguem as do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com a promessa de elaborar um plano para permitir as celebrações na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, mas sempre no pleno respeito às medidas de segurança. Eles garantem que “não houve qualquer intenção maliciosa”, mas a proibição de acesso por parte da polícia israelense, reiterou o gabinete do primeiro-ministro no X, foi motivada “apenas pela preocupação com a segurança dele e de sua comitiva”.
A reação de líderes mundiais
O Ministério das Relações Exteriores palestino, na rede social X, definiu o caso como “um crime que atinge tanto o mundo cristão quanto o islâmico” e que “exige uma intervenção internacional urgente”. Segundo o órgão, a medida foi uma ofensa à sensibilidade de quem compartilha a sacralidade de Jerusalém e seu status religioso.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também se manifestou pela rede social X. Na postagem, ele garantiu total apoio aos representantes cristãos e lembrou “o preocupante aumento das violações do status dos locais sagrados em Jerusalém”.
O embaixador dos Estados Unidos em Israel, Mike Huckabee, falou nas redes sociais de “ingerência excessiva”, lembrando que a medida do governo israelense para garantir a segurança tem como limite 50 pessoas dentro dos locais sagrados e que a delegação do Cardeal Pizzaballa e do custódio Ielpo era composta por 4 pessoas, “bem abaixo desse limite”. “É difícil compreender ou justificar”, explicou o diplomata.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Bundestag (parlamento federal da Alemanha), Armin Laschet, destacou nas redes sociais que “negar ao cardeal o acesso ao local mais sagrado do cristianismo é inaceitável”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal publicou no X que a recusa “merece a mais firme condenação”. A postagem convida as autoridades israelenses “a garantir e a proteger a liberdade de religião e de culto”.
Grande repercussão na Itália
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, expressou a solidariedade do governo italiano ao cardeal Pizzaballa e ao Padre Ielpo. “O Santo Sepulcro de Jerusalém é um local sagrado para o cristianismo e, como tal, deve ser preservado e protegido para a celebração dos ritos sagrados. Impedir a entrada constitui uma ofensa não apenas aos fiéis, mas a todas as comunidades que reconhecem a liberdade religiosa”.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, decidiu convocar o embaixador de Israel na Itália, Jonathan Peled. Nas redes sociais, ele expressou sua solidariedade aos religiosos e definiu como “inaceitável” a proibição de entrar na Basílica do Santo Sepulcro. Palavras de condenação também vieram dos líderes da oposição, que expressaram solidariedade ao Patriarca Pizzaballa e ao Custódio Ielpo.
Repercussão também da parte da própria Igreja. O presidente da Conferência Episcopal Italiana, Matteo Zuppi, telefonou ao Cardeal Pierbattista Pizzaballa após o ocorrido. “Em nome dos bispos italianos, manifesto minha indignação por ‘uma medida grave e irracional’, compartilhando o que foi declarado no comunicado conjunto do Patriarcado e da Custódia. Trata-se de um fato doloroso para os muitos cristãos que, vivendo nessas terras, representam um testemunho essencial de esperança para todos os povos em contextos de divisão e conflitos”.
O Cardeal Zuppi garantiu suas orações pelos cristãos da Terra Santa. “Ao Senhor da paz, confiamos os sofrimentos de todos aqueles que vivem o drama dos conflitos e das guerras. A todos os governantes pedimos um gesto de reconciliação e uma trégua para a próxima Páscoa”.




