Papa elogia ‘Programa para as Relações Cristão-Muçulmanas na África’, e afirma que no mundo marcada pela radicalização, a organização mostra que é possível viver em paz e harmonia apesar das diferenças
Da redação, com Vatican New

Foto: Rocco SpazianiMondadori PortfolioSipa USA via Reuters Connect
O Papa Leão XIV recebeu a delegação do “Programa para as relações cristão-muçulmanas na África” (Procmura), nesta quarta-feira, 25. O programa é considerado a única organização cristã pan-africana com foco específico em relações construtivas entre cristãos e muçulmanos, em testemunho e em prol da paz e da coexistência pacífica.
Fundada em 1959, a Procmura tem como membros igrejas protestantes, anglicanas, ortodoxas, evangélicas e independentes africanas. A organização também conta com católicos em sua base, alguns dos quais já atuaram em diversas funções dentro da família Procmura. Atualmente, o programa está bem estabelecida em 20 países da África Oriental, Ocidental, Central e Austral, e opera em outros dez países onde ainda não possui uma presença consolidada.
Em seu discurso, o Papa manifestou seu apreço aos membros deste programa pelo empenho “em fomentar a fraternidade entre cristãos e muçulmanos” e ao Dicastério para o Diálogo Inter-religioso pelo seu dedicado serviço, que permite à Igreja avançar no diálogo com outras religiões.
“A Igreja Católica apela à compreensão mútua e ao respeito pelos seguidores de outras religiões, afirmando que ‘nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo’, pois elas ‘refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens’. De fato, todo o caminho autêntico rumo à unidade e à comunhão empreendido pelos cristãos e pelas pessoas de boa vontade é obra do Espírito Santo e requer corações abertos ao encontro e ao diálogo, a fim de se abraçarem uns aos outros numa fraternidade genuína”, afirmou Leão XIV.
É possível viver em paz e harmonia
Nesse sentido, disse o Papa, o contínuo diálogo entre a Procmura e o Dicastério constitui um sinal positivo, que convida os cristãos a promover a comunhão e a cooperação entre cristãos e muçulmanos em prol do bem comum.
“Através destes esforços, paz, justiça e esperança florescerão cada vez mais nas sociedades africanas e além. Confio igualmente que estes encontros darão frutos através da partilha de iniciativas de base para promover amizade social, o reforço das parcerias e um discernimento comum das áreas que requerem ação urgente”, destacou.
Num mundo marcado cada vez mais por radicalização religiosa, divisões e conflitos, apontou o Papa, “o vosso testemunho comum mostra que é possível viver e trabalhar juntos em paz e harmonia, apesar das diferenças culturais e religiosas”.
O Pontífice finalizou seu discurso recordando o que disse aos chefes e representantes das religiões mundiais por ocasião do 60º aniversário da Nostra aetate, em outubro de 2025: “temos a grande responsabilidade de ‘ajudar o nosso povo a libertar-se das correntes do preconceito, da raiva e do ódio; ajudá-lo a superar o egoísmo e o egocentrismo; ajudá-lo a vencer a ganância que destrói tanto o espírito humano como a terra’. Desta forma, podemos conduzir os nossos povos a tornarem-se profetas do nosso tempo – vozes que denunciam a violência e a injustiça, curam a divisão e proclamam a paz a todos os nossos irmãos e irmãs”, concluiu.




