Ao comentar o evangelho da ressurreição de Lázaro, Papa convida a emergir dos sepulcros que causam solidão e insatisfação e levam a comportamentos contrários à vida
Da redação, com Boletim da Santa Sé

“Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele”, afirmou o Papa Leão XIV no Angelus deste domingo, 22.
O Papa refletiu sobre o Evangelho deste quinto domingo da Quaresma que narra a ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11, 1-45). Ele destacou que, no caminho quaresmal, este é um sinal que fala da vitória de Cristo sobre a morte e do dom da vida eterna que os fiéis recebem com o Batismo.
Assim, explica o Papa, a Liturgia convida os fiéis a reviver, na Semana Santa que se aproxima, os acontecimentos da Paixão do Senhor para compreender o seu sentido mais autêntico e nos abrir ao dom da graça que eles encerram.
“Na verdade, é em Cristo Ressuscitado, vencedor da morte e vivo em nós pela graça do Batismo, que tais acontecimentos encontram o seu cumprimento, para a nossa salvação e plenitude de vida”, explicou.
Sede de infinito
O Papa explicou que a graça de Cristo Ressuscitado ilumina este mundo, que parece estar em constante busca de mudanças e novidades, mesmo que isso implique sacrificar coisas importantes – tempo, energias, valores, afetos. “Como se a fama, os bens materiais, os divertimentos e as relações passageiras pudessem preencher o nosso coração ou tornar-nos imortais”.
“É o sintoma de uma necessidade de infinito que cada um de nós traz em si, mas cuja resposta não pode ser confiada ao que é efêmero. Nada de finito pode saciar a nossa sede interior, porque fomos feitos para Deus e não encontramos paz enquanto não descansarmos n’Ele”, destacou.
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Portanto, afirmou o Papa, a narrativa da ressurreição de Lázaro convida a estar atentos a essa necessidade profunda e, com a força do Espírito Santo, libertar os corações de hábitos, condicionamentos e formas de pensar, como grandes pedras, “nos aprisionam no sepulcro do egoísmo, do materialismo, da violência e da superficialidade”. Nestes lugares, alertou o Pontífice, não há vida, mas apenas desorientação, insatisfação e solidão.
“Também a nós Jesus ordena: ‘Vem cá para fora!’ (Jo 11, 43), encorajando-nos a sair, regenerados pela sua graça, desses espaços confinados, para caminharmos na luz do amor, como mulheres e homens novos, capazes de esperar e amar segundo o modelo da sua caridade infinita, sem cálculos e sem limites”.
O Papa concluiu a reflexão do Angelus, pedindo à Virgem Maria, que “nos ajude a viver assim estes dias santos: com a sua fé, com a sua confiança, com a sua fidelidade, a fim de que também para nós se renove, todos os dias, a experiência luminosa do encontro com o seu Filho ressuscitado”.




