BRASÍLIA

Reunião da Rede Clamor Brasil discute ações em defesa dos migrantes

Encontro aconteceu nesta terça-feira, 17, na sede da CNBB em Brasília (DF) e atualizou panorama da situação dos migrantes no país

Da Redação, com CNBB

Reunião da Rede Clamor Brasil nesta terça-feira, 17, em Brasília / Foto: Paulo Augusto Cruz/Ascom CNBB

A Equipe de Animação da Rede Clamor Brasil se reuniu nesta terça-feira, 17, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em Brasília (DF). O objetivo do encontro foi discutir ações e prioridades no atendimento a migrantes, refugiados e vítimas de tráfico de pessoas.

A reunião contou com a presença do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro; do secretário-geral da CNBB, Dom Ricardo Hoepers; do subsecretário-geral da CNBB, padre Leandro Megeto; além de representantes de diversas instituições eclesiais.

Entre os principais pontos do encontro esteve a preparação da Assembleia Anual e Formativa da Rede Clamor, que será realizada de 26 a 28 de maio, no Seminário João XXIII, em São Paulo (SP). O evento deverá aprofundar a reflexão sobre a realidade da mobilidade humana e a aplicação da Doutrina Social da Igreja no contexto das migrações e do refúgio.

A pauta também incluiu a organização de momentos celebrativos importantes ao longo do ano, como a Semana Nacional do Migrante, de 15 a 22 de junho, e o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado em 29 de setembro. Outro tema discutido foi a possibilidade de sugerir ao Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB uma temática voltada aos migrantes e refugiados para futuras edições da Campanha da Fraternidade.

Articulação em prol do serviço

Durante a reunião, o bispo auxiliar de Olinda e Recife (PE) e referencial da Rede Clamor Brasil, Dom Nereudo Henrique, destacou a importância da presença do Núncio Apostólico e o chamado à reflexão sobre a realidade migratória à luz da Doutrina Social da Igreja.

Segundo ele, o momento é oportuno para sensibilizar toda a Igreja – leigos, religiosos e clero – sobre a urgência da acolhida. “Cada migrante traz consigo uma história, muitas vezes marcada por sofrimento e deslocamento forçado, inclusive por questões climáticas. Nosso papel é acolher e defender a vida com dignidade, independentemente de onde a pessoa esteja”, afirmou.

O coordenador da Rede Clamor Brasil, padre Lauro Bocchi, ressaltou que o objetivo da reunião foi fortalecer a articulação entre as diversas instituições católicas que atuam no serviço aos migrantes e refugiados. “São muitas iniciativas e a função da Rede é colocá-las em diálogo, aproximar e fortalecer esse trabalho conjunto”, explicou.

Entre as propostas em discussão, está a possibilidade de uma futura Campanha da Fraternidade dedicada à temática migratória, possivelmente em 2029 ou 2030. Outro eixo importante é a incidência política, especialmente diante da construção de políticas migratórias no país. “Sentimos que a Igreja precisa estar mais presente nesse debate, sempre com olhar atento às pessoas que chegam ao Brasil”, disse o sacerdote.

Padre Lauro também chamou atenção para a interiorização do fenômeno migratório. “Os migrantes estão cada vez mais presentes fora dos grandes centros, o que exige da Igreja novas formas de presença e apoio nessas regiões”, pontuou.

Panorama das migrações no Brasil

A diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), irmã Rosita Milesi, apresentou um panorama atual das migrações no Brasil. Segundo ela, os venezuelanos continuam sendo o maior grupo atendido pelas instituições, seguidos pelos haitianos, além de pessoas de mais de 50 nacionalidades.

A religiosa destacou que o país abriga mais de dois milhões de pessoas não brasileiras — um número considerado pequeno em relação à população total. No entanto, os desafios permanecem, especialmente no acolhimento e na integração.

Entre as dificuldades, estão as novas exigências da política de acolhida comunitária, que demanda maior responsabilidade das organizações da sociedade civil, além das limitações enfrentadas por grupos como haitianos e afegãos. “Há avanços, como o visto humanitário, mas também muitos obstáculos no processo de integração”, avaliou irmã Rosita.

Ela também mencionou a continuidade da Operação Acolhida, em Roraima, que realiza o acolhimento e a interiorização de migrantes, embora ainda haja lacunas na integração dessas pessoas nas cidades de destino.

Já o vice-coordenador da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo, padre Marcelo Maróstica Quadro, destacou mudanças recentes no perfil migratório no país. Além de venezuelanos e haitianos, houve aumento significativo na chegada de cubanos e marroquinos. “Somente no ano passado, cerca de 40 mil cubanos entraram no Brasil”, afirmou.

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