Além de mortes e destruição de cidades, deslocamento interno e refúgio no exterior são outras consequências da guerra que já dura quatro anos
Da Redação, com Vatican News

Imagem ilustrativa / Katia Miasoed de Pexels via canva
Passados quatro anos desde o início da guerra em seu país, os ucranianos sofrem com a realidade do deslocamento interno e do refúgio no exterior. Cerca de 10 milhões de ucranianos vivem atualmente longe de suas casas.
Desse total, 3,7 milhões são deslocados internos: deixaram as zonas de combate, mas permaneceram dentro das fronteiras nacionais. Outros 5,9 milhões procuraram proteção no exterior. “Os fluxos de refugiados ucranianos para o exterior ainda são uma realidade”, explica a porta-voz do ACNUR na Ucrânia, Elisabeth Haslund. A principal razão continua sendo a falta de segurança, agravada pela crise energética causada pelos bombardeios contínuos contra as infraestruturas.
Leia também
.: Papa renova apelo por paz na Ucrânia após quatro anos de guerra
.: Ucrânia: permanece forte a esperança de vencer o mal, afirma bispo
.: “Resistimos por anos, resistiremos mais”, afirma ucraniana
De acordo com dados do Eurostat, em 2025, na União Europeia – juntamente com os quatro países associados ao espaço Schengen (Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) – foram emitidas 670 mil autorizações de residência temporária a cidadãos ucranianos, 12% menos do que em 2024.
A emergência interna
Dentro do país, pelo menos 11 milhões de pessoas precisam de assistência humanitária. Por trás desse número, escondem-se necessidades concretas: comida, alojamento, cuidados médicos, apoio psicológico, acesso a serviços básicos. A maioria dos deslocados internos ainda se concentra nas regiões orientais, particularmente em Kharkiv e Dnipro, na tentativa de permanecer o mais próximo possível de suas casas. A capital, Kiev, também está sob pressão devido ao fluxo contínuo de refugiados.
Um dos problemas mais urgentes continua sendo o alojamento, especialmente para idosos e pessoas frágeis. Entre as prioridades do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados está justamente o apoio habitacional e sanitário para aqueles que não têm alternativas.
Na segunda metade de 2025, os riscos para a população deslocada e outros grupos vulneráveis aumentaram. Apesar dos bombardeios e das dificuldades diárias, as pessoas continuam a trabalhar e a levar os filhos à escola. Mas por trás da aparente capacidade de adaptação, esconde-se uma pressão constante, sobretudo em nível psicológico. 42% dos refugiados relatam dificuldades relacionadas à saúde mental, com porcentagens ainda mais elevadas entre idosos, doentes crônicos e famílias monoparentais.
O desejo de retornar e as dificuldades econômicas
Apesar de tudo, cerca de 1,4 milhão de refugiados retornaram à Ucrânia, permanecendo no país por pelo menos três meses. Um sinal da vontade generalizada de retornar, quando as condições permitirem. De acordo com a última pesquisa sobre intenções realizada pelo ACNUR, 61% dos refugiados no exterior e 73% dos deslocados internos esperam voltar um dia para casa.
No entanto, também cresce o número daqueles que se declaram resignados por não poderem retornar aos seus locais de origem. O ACNUR contribuiu para a reparação de mais de 55 mil habitações danificadas pelos combates. Mas as dificuldades financeiras, agravadas pelos recentes cortes na cooperação internacional, limitam a capacidade de intervenção: menos recursos significam menos pessoas ajudadas.
A linha de frente continua a se mover lentamente. Mas a divisão mais profunda não é apenas geográfica: ela atravessa a vida de milhões de pessoas suspensas entre a espera pela paz e a necessidade de reconstruir um futuro longe de casa.




