Padre Donizete Heleno, da Comunidade Canção Nova, reflete sobre significado da figura do Papa para os católicos enquanto sinal da presença e do poder de Deus
Gabriel Fontana
Da Redação

Relíquia da Cátedra de Pedro, um trono de madeira sobre o qual, segundo a tradição, São Pedro teria pregado o Evangelho / Foto: Reprodução Vatican News
No dia 22 de fevereiro, a Igreja comemora a festa da Cátedra de Pedro. Mais do que um objeto cuja relíquia é até hoje conservada no Vaticano, essa data celebra o poder sobrenatural que reveste a Igreja e é expresso na figura de um homem que é eleito o Vigário de Cristo.
Padre Donizete Heleno morou oito anos na frente de missão da Comunidade Canção Nova em Roma, entre 2013 e 2021. Neste tempo, pôde testemunhar como a figura do Papa, em suas próprias palavras, é um ponto de convergência para os cristãos. Os peregrinos não se dirigem ao Vaticano apenas para ver o Santo Padre, mas para testemunhar a fé, a comunhão e a unidade do corpo místico de Cristo que é a Igreja.
Sinal da presença de Deus

Padre Donizete Heleno / Foto: Arquivo Pessoal
O missionário detalha que a festa litúrgica da Cátedra de São Pedro é datada aproximadamente do ano 270. A palavra “cátedra” significa “cadeira” e, mais do que o objeto em si, remete ao primado de Pedro que foi recebido das mãos do próprio Jesus Cristo.
O texto que dá fundamento a este primado encontra-se no Evangelho de São Mateus (Mt 16,13-20). No relato bíblico, Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizem as pessoas ser o Filho do Homem?”. Após algumas respostas, Simão professa a sua fé, afirmando: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Cristo então diz: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.
Recordando a constituição dogmática Lumen gentium – que define a Igreja “como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” –, padre Donizete frisa que a Igreja é constituída também por uma dimensão sobrenatural.
“A Igreja traz em si o depósito da fé e todos os mistérios salvíficos de Cristo. Ela é, no mundo, esse sinal da presença de Cristo. Por isso, ela prossegue nesta peregrinação ao longo dos séculos, mantendo-se fiel ao mandato de Cristo”, afirma o sacerdote em referência à sucessão pontifícia que liga São Pedro ao Papa Leão XIV.
Pastoreio de Cristo

Escultura em bronze feita por Bernini e dentro da qual fica guardada a relíquia da Cátedra de Pedro / Foto: Dnalor 01 via Wikimedia Commons
Tal sucessão esteve bastante em evidência no ano passado. Com a morte do Papa Francisco e a necessidade de eleger um novo Pontífice, os olhares do mundo todo voltaram-se para o Vaticano e despertaram, entre os fiéis, um misto de emoções na expectativa por conhecer o novo Sucessor de Pedro.
Segundo padre Donizete, tal sentimento é uma prova de como nós, católicos, compreendemos que Cristo é a cabeça da Igreja (Ef 5,23). Ele, em Seu desígnio salvífico, determinou que houvesse pastores para guardar a fé e guiar a humanidade através da história. “Para os católicos, a figura do Papa remete diretamente ao pastoreio de Cristo”, aponta o sacerdote.
Neste contexto, a insubmissão à autoridade do Sumo Pontífice fere diretamente a Cristo, uma vez que Ele, no Seu desígnio de amor, escolheu aquele Papa para conduzir a Igreja, sinaliza o missionário. “É uma ferida na unidade, uma ferida na comunhão do corpo místico de Cristo”, salienta.
Diante desta realidade, padre Donizete orienta os fiéis a rezarem pela unidade dos cristãos e da Igreja e buscarem repelir todo sentimento de desobediência que exista em seu íntimo. “Nós temos que mais uma vez reafirmar a nossa comunhão com o Sumo Pontífice, hoje Leão XIV, a partir dos ensinamentos, do magistério, da disciplina da Igreja que foram recebidos do próprio Cristo”, conclui.




