Aos Legionários de Cristo

Papa: na vida religiosa, a autoridade precisa estar a serviço

Leão XIV recebeu, em audiência, os Legionários de Cristo, ocasião em que destacou as dimensões da autoridade e da pluralidade na vida religiosa

Da redação, com Vatican News

Foto: Photographer/IPA via Reuters Connect

O Papa Leão XIV recebeu, na manhã desta quinta-feira, 19, sacerdotes da Congregação Legionários de Cristo, que estão participando do Capítulo Geral em Roma desde 20 de janeiro. Ao todo, 60 sacerdotes participaram da audiência, provenientes de 13 países, inclusive do Brasil, um dos quatro países com maior presença de Legionários de Cristo no mundo.

“O carisma é um dom do Espírito Santo. Cada instituto e cada um dos seus membros são chamados a vivenciá-lo pessoalmente e em comunidade, num processo contínuo de aprofundamento da sua própria identidade, que os situa e define no seio da Igreja e da sociedade”, destacou o Pontífice em seu discurso. Ele enfatizou ainda que este percurso constitui um valioso contributo para a Igreja no seu todo e, em particular, para a família espiritual do Regnum Christi, da qual faz parte a Congregação dos Legionários de Cristo.

Nesse sentido, o Papa destacou que a diversidade de formas e ênfases na vivência do carisma não enfraquece a unidade, mas a enriquece. “Por isso, a pluralidade não deve ser temida, mas sim acolhida, discernida e expressa, para que possamos responder com maior transparência e fidelidade ao chamado de Deus. Assim como numa família cada membro tem a sua própria identidade e missão, também entre vós a pluralidade de dons manifesta a fecundidade do Espírito e fortalece a missão comum”.

A pluralidade enriquece a unidade

Leão XIV ressaltou que a vida consagrada, chamada a ser especialista em comunhão, cria espaços onde o Evangelho se traduz em fraternidade concreta. “Sua missão é oferecer este testemunho visível de escuta mútua e busca conjunta da vontade de Deus, tanto para suas comunidades quanto para aqueles que vocês encontrarem ao longo do caminho enquanto cumprem sua missão”, afirmou.

O Papa explicou que a unidade missionária não deve ser entendida como uniformidade: “Não se trata de eliminar as diferenças, mas de ter a capacidade de harmonizar a diversidade para benefício de todos, aceitando as divergências como uma riqueza e discernindo juntos os caminhos que o Senhor nos propõe”.

E enfatizou que esse processo exige “humildade para escutar, liberdade interior para se expressar com sinceridade e abertura para aceitar o discernimento coletivo”.

Sinodalidade

O Papa recordou que a Igreja vivencia hoje um profundo chamado à sinodalidade, ou seja, a caminhar, escutar e discernir juntos. E apontou que, o Capítulo Geral, vivenciado pelos legionários, é um exercício sinodal no qual todos são chamados a contribuir com sua experiência e sensibilidade para construir juntos o futuro do instituto.

De fato, o Capítulo Geral, que está na sua fase final em Roma, já elegeu o Padre Carlos Gutiérrez López, mexicano de 51 anos, como novo diretor-geral da congregação para o período de 2026 a 2032, além do governo geral. Esse momento marca uma nova etapa no percurso dos legionários de Cristo.

O Capítulo Geral, um momento para avaliar o caminho percorrido e aquele a percorrer, disse o Papa, também convida todos os legionários “a se perguntar como viver hoje, com fidelidade criativa, a intuição carismática que deu origem à família religiosa”.

Autoridade na vida religiosa

O Papa refletiu que o exercício do governo religioso e da autoridade dentro da congregação é uma temática importante de análise, porque “um bom governo, em vez de concentrar tudo em si mesmo, promove a subsidiariedade e a participação responsável de todos os membros da comunidade”:

“A autoridade, na vida religiosa, não se entende como domínio, mas como serviço espiritual e fraterno àqueles que compartilham a mesma vocação. O seu exercício deve se manifestar na ‘arte do acompanhamento’, para que todos aprendam sempre a tirar as sandálias diante da terra sagrada do outro. Devemos dar ao nosso caminho o ritmo saudável da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que, ao mesmo tempo, cure, liberte e encoraje a amadurecer na vida cristã. A autoridade na vida religiosa também está a serviço da animação da vida comum, centrando-a em Cristo e orientando-a para a plenitude da vida n’Ele, evitando toda forma de controle que não respeite a dignidade e a liberdade das pessoas.”

Antes de conceder a bênção apostólica ao final do discurso, o Papa Leão XIV confiou a nova fase da congregação – fundada em 1941 – à proteção materna de Nossa Senhora de Guadalupe, “um tempo de esperança” após o Capítulo Geral para “responder com fidelidade ao presente que Deus coloca” nas mãos dos Legionários de Cristo:

“Queridos irmãos, exorto-os a continuar a viver em atitude de oração, humildade e liberdade interior. Não sigam interesses particulares ou regionais, nem busquem meras soluções organizacionais, mas antes de tudo a vontade de Deus para a família religiosa de vocês e para a missão que a Igreja lhes confiou.”

Presença no mundo

Atualmente, a congregação que vive o carisma do Regnum Christi está presente em 23 países e conta com 1327 membros, entre os quais, 3 bispos, 1049 sacerdotes, 203 religiosos em formação inicial e 72 noviços – um crescimento de 53% registrado ao final de 2025 só em relação aos novos noviços.

Segundo as mesmas estatísticas que testemunham a promoção internacional das vocações, o Brasil (76) está entre os quatro países com uma presença significativa de legionários, junto com a Espanha (159), os Estados Unidos (211) e o México (535). Em São Paulo (SP), por exemplo, encontram-se o Seminário Interdiocesano e o Instituto Teológico da congregação.

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