PENSANDO NO PRÓXIMO

Cardeal Parolin: doação de órgãos é um ato de amor

O cardeal Pietro Parolin visitou a nova unidade de diálise do Hospital Pediátrico Bambino Gesù e discursou em uma conferência intitulada “A Cultura da Doação”

Da redação, com Vatican News

Cardeal Pietro Parolin / Foto: Daniel Xavier

O Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin visitou a nova unidade de diálise do Hospital Pediátrico Bambino Gesù, em Roma, e discursou em uma conferência intitulada “A Cultura da Doação”.

Refletindo sobre a natureza da doação em uma época em que tudo é medido “em termos de lucro, desempenho e utilidade”, o Cardeal Parolin perguntou: O que podemos doar?

Muito — na verdade, podemos doar tudo. Dinheiro, que, inspirado pela caridade, torna-se um “instrumento de justiça”; um órgão, para reafirmar um amor que “transcende a morte”; e tempo, que no mundo frenético de hoje se torna “uma das mais elevadas formas de caridade”.

Esses foram os temas do discurso do Secretário de Estado na manhã de 17 de fevereiro, no Salão Salviati do Hospital Bambino Gesù, na Piazza Sant’Onofrio, no Janículo, em Roma. Antes do evento, o Cardeal visitou e abençoou o departamento de diálise recém-reformado do hospital.

O painel da conferência também contou com a participação de Tiziano Onesti, presidente do Bambino Gesù; Dr. Francesco Emma e Dra. Isabella Guzzo, chefes de nefrologia pediátrica e diálise e do programa de transplante renal; Paolo Bonassi, Diretor de Impacto Social do Intesa Sanpaolo, que financiou a reforma; e o paciente Samuele Galimberti, que compartilhou seu testemunho. A discussão foi moderada por Ignazio Ingrao, jornalista do Vaticano da Tg1.

Doações financeiras como uma forma concreta de amor

“Doar é uma linguagem silenciosa, porém imensamente poderosa, por meio da qual homens e mulheres expressam o melhor de si”, disse o Cardeal Parolin, observando que a generosidade nos permite sair de nós mesmos e nos abrir para os outros. Embora doar assuma muitas formas, todas glorificam a Deus quando realizadas com “corações e intenções puras”.

Doações financeiras, muitas vezes consideradas a forma “mais simples e menos espiritual”, podem, no entanto, se tornar uma expressão concreta de amor. O próprio Jesus destacou isso ao recordar a viúva que ofereceu algumas moedas no Templo — insignificantes na aparência, mas preciosas em significado.

“Devemos confiar em Deus, mas Ele age por meio dos seres humanos”, resumiu o Cardeal. A generosidade econômica, enfatizou, “restaura a dignidade” e possibilita o cuidado futuro. Ele agradeceu a todos que apoiam o Hospital Bambino Gesù, observando que eles não estão apenas fazendo um gesto generoso, mas participando de uma “missão de cuidado e esperança, salvaguardando a vida e a dignidade”.

Doação de órgãos: indo além do sofrimento

O Secretário de Estado do Vaticano então abordou a doação de órgãos, um ato particularmente significativo em unidades de diálise. Reflete as palavras de Jesus: “Ninguém tem maior amor do que este: dar a vida pelos seus amigos”.

Esse gesto assume um significado ainda mais profundo quando, no “imenso sofrimento” da perda, um pai ou uma mãe é capaz de gerar “vida, esperança e um futuro” para outros — superando o desespero e oferecendo a outra criança “a chance de crescer”.

“A vida humana é relacionamento e comunhão; num corpo doado pulsa um amor que não se rende à morte”, disse o Cardeal Parolin.

O dom do tempo num mundo frenético

Para concluir, o Cardeal falou de um dom acessível a todos: o tempo. “Saber ouvir, acompanhar, permanecer ao lado de alguém. Dizer a alguém: você é importante para mim.”

Ele mencionou os muitos voluntários que auxiliam pacientes e familiares discretamente, personificando a parábola do Bom Samaritano — parando, aproximando-se e cuidando. O Cardeal Parolin também agradeceu aos médicos, enfermeiros e profissionais da saúde, cujas profissões são verdadeiras vocações que exigem a união de “habilidade técnica e humanidade”.

Cada ato de cuidado, disse ele, é uma “resposta concreta ao mandamento de Jesus: ‘Estive doente e vocês me visitaram’”, fomentando uma fraternidade que se torna apoio e amizade tangíveis, e não mera teoria. O Cardeal Parolin reiterou que “a qualidade de uma civilização se mede pela sua capacidade de cuidar dos mais vulneráveis”, recordando que na raiz de cada dádiva reside uma profunda verdade: reconhecer que nós mesmos recebemos tudo como um presente.

Testemunho de Samuele

Samuele Galimberti, de dezessete anos, que antes de receber um transplante de rim passou por diálise peritoneal e hemodiálise, também compartilhou seu testemunho. O tratamento exigente o obrigou a passar grande parte da adolescência — a idade da socialização despreocupada — principalmente no hospital, incluindo seu primeiro dia no ensino médio.

O desgaste psicológico o levou a perder a esperança, até que chegou o tão esperado “pedido de um rim”. A partir desse momento, uma “nova vida” começou. Samuele cresceu 30 centímetros, ganhou peso e obteve sucesso no esporte. Em agosto passado, na Alemanha, tornou-se campeão mundial dos 5.000 metros nos Jogos Mundiais de Transplantados.

Ainda assim, ele não se esqueceu daqueles que o ajudaram. “Todas as noites rezo duas vezes — uma a Deus e outra pelo meu doador, que é meu anjo da guarda. Ele salvou minha vida”, compartilhou.

Ao encerrar o evento, o presidente do hospital lembrou que “investir em crianças” representa “o verdadeiro bem-estar de uma comunidade” e expressou esperança de um “salto qualitativo” na superação da “cultura do lucro” predominante.

Evite nomes e testemunhos muito explícitos, pois o seu comentário pode ser visto por pessoas conhecidas.

↑ topo
Skip to content