Na Audiência Geral desta quarta-feira, 4, Leão XIV seguiu refletindo sobre a Dei Verbum e destacou linguagem humana assumida por Deus para revelar-Se ao homem
Da Redação, com Vatican News

Papa Leão XIV abençoa criança durante a Audiência Geral desta quarta-feira, 4 / Foto: REUTERS/Remo Casilli
Ao realizar a Audiência Geral desta quarta-feira, 4, o Papa Leão XIV prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II. Ainda refletindo sobre a constituição dogmática Dei Verbum, o Pontífice falou aos fiéis sobre a leitura da Bíblia.
Segundo o Santo Padre, a Dei Verbum “aponta, na Sagrada Escritura lida na Tradição viva da Igreja, para um espaço privilegiado de encontro no qual Deus continua a falar aos homens e mulheres de todos os tempos, para que, ao ouvi-Lo, possam conhecê-Lo e amá-Lo”.
Deus nunca menospreza o ser humano e as suas potencialidades!
– Papa Leão XIV
Leão XIV recordou que os textos bíblicos não foram escritos em uma linguagem celestial, mas em línguas humanas, marcadas pela história e pela cultura dos seus autores. Assim, Deus escolheu comunicar-se assumindo a linguagem dos homens, como já havia feito ao encarnar-se em Jesus Cristo.
Cuidado com os fundamentalismos
O Papa explicou que, ao longo da história da Igreja, refletiu-se amplamente sobre a relação entre o Autor divino e os autores humanos da Escritura. Durante séculos, insistiu-se quase exclusivamente na inspiração divina, mas, hoje, a Igreja reconhece também o papel dos homens.
Deus é o principal autor da Escritura, mas os escritores sagrados são, ao mesmo tempo, “verdadeiros autores” dos livros bíblicos.
O Pontífice indicou ainda que, para uma interpretação correta dos textos sagrados, não se pode ignorar o contexto histórico em que se desenvolveram e as formas literárias. “Abandonar o estudo das palavras humanas usadas por Deus corre o risco de resultar em leituras fundamentalistas ou espiritualistas da Escritura que traem o seu significado”, afirmou.
Este mesmo princípio, acrescentou o Santo Padre, também se aplica ao anúncio da Palavra de Deus – a falta de contato com a realidade, as esperanças e os sofrimentos da humanidade e o uso de uma linguagem incompreensível é ineficaz. “Em cada época, a Igreja é chamada a reapresentar a Palavra de Deus com uma linguagem capaz de se encarnar na história e de chegar aos corações”, reiterou.
A Palavra de Deus fala aos fiéis hoje
Por outro lado, Leão XIV advertiu contra o risco oposto de considerar a Escritura apenas como um texto do passado ou objeto de estudo técnico. Quando proclamada na liturgia, a Palavra de Deus é destinada a falar à vida dos fiéis hoje, iluminando escolhas e decisões, e isso só é possível quando os textos são lidos sob a ação do mesmo Espírito que os inspirou.
A este respeito, Leão XIV citou Santo Agostinho: “Quem crê, compreendeu as Sagradas Escrituras […]; se, por meio dessa compreensão, não for capaz de edificar a dupla caridade, para com Deus e para com o próximo, ainda não as compreendeu”.
O Pontífice concluiu sua reflexão destacando que o Evangelho não pode ser reduzido a uma mensagem meramente filantrópica ou social, pois é o anúncio da vida plena e eterna oferecida por Deus em Jesus Cristo. “Demos graças ao Senhor porque, em sua bondade, não permite que nossas vidas fiquem sem o alimento essencial da sua Palavra”, finalizou.




