SAÚDE

Saúde emocional e física devem caminhar juntas no trato da fibromialgia

Especialista alerta para a importância da saúde emocional e da mudança de hábitos no tratamento de uma doença que não aparece em exames comuns

Thiago Coutinho
Da redação

O tratamento da fibromialgia envolve não apenas o alívio da dor muscular generalizada, mas também o suporte psicológico e a mudança de hábitos / Foto: Panuwat Dangsungnoen de Getty Images

O Ministério da Saúde, neste mês, por meio da campanha Fevereiro Roxo, recorda o cuidado com doenças crônicas e incuráveis, porém tratáveis pela medicina contemporânea: lúpus, fibromialgia e Alzheimer. Destacamos aqui a fibromialgia, doença que causa dor muscular crônica e generalizada, além de fadiga e alteração no sono.

A doença, é bom destacar, não aparece em exames de imagem ou de sangue tradicionais. “A medicina fecha o diagnóstico de fibromialgia quando o paciente não tem outra doença diagnosticada, como artrite reumatoide ou outra doença reumática”, explica Loren Pemper, anestesiologista e especialista em dor pela Clínica de Dor do Sírio-Libanês.

De acordo com a médica, são necessários treze sintomas para que o diagnóstico da doença seja concluído. “Há os dezoito pontos dolorosos, que contam como um dos principais indicadores, mas o paciente também deve apresentar fadiga, cefaleia, perda de memória e de concentração, cãibras, formigamentos, síndrome do intestino irritável, infecção urinária de repetição, além de depressão, insônia e perda da libido”.

Saúde emocional

A saúde emocional de quem sofre com a fibromialgia também é ponto de atenção. As dores causadas pela doença podem piorar se o lado afetivo e emocional do paciente não for tratado. “Qualquer problema de saúde emocional vai agravar as dores da fibromialgia”, enfatiza Pemper. “Pode piorar o quadro de quem tem diabetes ou aumentar a pressão de quem é hipertenso. Portanto, a saúde emocional é importante para a sua estabilidade e harmonia”.

O ideal é que especialistas como o psiquiatra também acompanhem quem sofre com a fibromialgia e seus desdobramentos. “É preciso tratar com antidepressivos e buscar o psiquiatra para cuidar da depressão como ela deve ser tratada”, aconselha.

Aline Araújo Bernardes descobriu a doença e, após começar o tratamento, foi diagnosticada com depressão e ansiedade. “Fui ao psiquiatra, que me recomendou alguns remédios, e também passei a ser tratada por uma psicóloga”, lembra.

Além dos cuidados emocionais, é necessária uma mudança para um estilo de vida mais saudável. Por isso, exercícios físicos periódicos e uma alimentação mais regrada são necessidades primordiais. “Vejo a psicologia como um suporte essencial para lidarmos com a situação”, afirma Aline. “Um psiquiatra me disse uma vez que todos que têm fibromialgia, em algum momento, terão depressão ou ansiedade por conta da dor. Dói tudo, do fio de cabelo ao pé. E todos os médicos que me trataram sempre reforçaram: pratique exercícios, tenha uma alimentação saudável e faça terapia”.

Reconhecimento social

A fibromialgia tem sido reconhecida em várias leis municipais como deficiência para fins de preferência em filas e vagas. A Lei Federal nº 15.176/2025 reconhece a fibromialgia, a síndrome da fadiga crônica e a síndrome complexa de dor regional como condições passíveis de enquadramento como deficiência (PcD). Esse reconhecimento, segundo a médica, pode ajudar muito no tratamento.

“O fibromiálgico, quando está com dor, se esforça muito para andar no supermercado ou encarar uma fila longa. A dor é tanta que ele não consegue ficar parado, dá vontade de sentar no chão e chorar. Portanto, ser considerado PcD facilitará muito o seu dia a dia”, finaliza.

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