Em declarações à imprensa, o Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin abordou as tensões entre os Estados Unidos e a Europa e pediu discussões sensatas
Da redação, com Vatican News

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin / Foto: Reprodução Vatican News
O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, falou com jornalistas sobre as tensões entre os Estados Unidos e a Europa em 21 de janeiro, às vésperas do evento intitulado “Um Diálogo Internacional para Conectar os Jovens ao Futuro”, em Roma.
Parolin enfatizou que “as tensões não são saudáveis e criam um clima que agrava uma situação internacional que já é grave. Acredito que o importante seria eliminar as tensões, discutir os pontos controversos, mas sem entrar em polêmicas e sem alimentar as tensões”.
O evento, realizado no Auditório Antonianum, marcou o 25º aniversário do Observatório do Pensamento Independente.
Convite para o Conselho de Paz para Gaza
Ao abordar o tema do Conselho de Paz para Gaza, o cardeal refletiu sobre como o Presidente Trump está convidando diversos países a participar.
“Acredito ter lido no jornal esta manhã que a Itália também está considerando se deve ou não aderir”, continuou ele. “Também recebemos o convite para o Conselho de Paz para Gaza; o Papa o recebeu e estamos avaliando o que fazer.”
O religioso argumentou: “É uma questão que requer tempo para ser devidamente avaliada e para que se possa dar uma resposta”.
Falando sobre o Conselho de Paz para Gaza, o Cardeal afirmou que a Santa Sé não participaria financeiramente, observando: “Não temos condições nem mesmo para isso”.
Contudo, o purpurado ressaltou que o Vaticano se encontra em uma situação diferente da de outros países e, portanto, a análise será diferente. Mas, disse o Cardeal, “creio que o pedido não será de participação econômica”.
Respeito ao direito internacional
Comentando a declaração do presidente dos EUA em Davos, de que ama a Europa, mas não gosta da direção que ela está tomando, o Secretário de Estado do Vaticano disse: “Esse é o ponto de vista dele. O que importa é o respeito ao direito internacional. Acredito que esse seja o ponto essencial, além dos sentimentos pessoais, que são legítimos, mas o importante é o respeito às regras da comunidade internacional.”
Liberdade de imprensa e confiança no jornalismo
Questionado sobre a liberdade de imprensa, o Cardeal afirmou que “a confiança na mídia é extremamente importante”.
Mas, acrescentou, é igualmente importante garantir “o uso responsável da imprensa. Penso que essa é a chave: um uso responsável da mídia que busque construir em vez de polarizar ou destruir”.
Venezuela, um país lindo
“A Venezuela é um país lindo — eu apreciei muito durante os quatro anos em que servi como Núncio Apostólico em Caracas. Foi uma experiência inesquecível”, disse o Cardeal Parolin, respondendo a perguntas de jornalistas durante o evento no Auditório Antonianum.
Entre 2009 e 2023, acrescentou o Cardeal, “houve grandes dificuldades políticas. Quando cheguei, havia tensão entre os bispos e Chávez, porque os bispos criticavam a direção política do presidente; depois, as coisas pioraram. Agora, nos encontramos nesta nova situação de enorme incerteza, e é difícil prever como ela se desenvolverá. O que importa é responder às necessidades do povo, que está vivendo uma profunda crise”, concluiu.
Irã e uma “Terceira Guerra Mundial travada aos poucos”
O Secretário de Estado então recordou a perspectiva da Igreja em relação aos conflitos.
“Uma crise traz sofrimento indizível para a população. Essa é a lente da Santa Sé. Antes de tudo, nossa atenção está voltada para as pessoas — não devemos pensar em números, mas em rostos”, disse ele em resposta a uma pergunta sobre os protestos no Irã.
Ele reconheceu que a expressão usada pelo Papa Francisco para descrever a situação internacional — “uma Terceira Guerra Mundial travada aos poucos” — tornou-se uma “realidade”.
Contudo, acrescentou, os slogans nem sempre captam a complexidade. “Lamento”, continuou, “que estas frases se tornem slogans sem impacto na realidade e sem que se encontrem soluções. Esta é uma grande limitação do nosso mundo.”
Respondendo a uma pergunta sobre a ameaça nuclear, o Cardeal reiterou que “a Santa Sé sempre trabalhou pelo desarmamento. Devemos reduzir os armamentos, porque, uma vez existentes, são utilizados. A Santa Sé”, sublinhou, “defende a imoralidade não só do uso, mas também da posse de armas nucleares.”
O conflito israelo-palestiniano
O Cardeal Parolin afirmou estar convicto de que a resolução do conflito entre Israel e a Palestina é a chave para a paz em todo o Médio Oriente.
“Uma vez resolvido esse conflito”, comentou, “os outros também serão resolvidos. Há dez anos que a Santa Sé reconhece o Estado da Palestina.”
Por fim, o Secretário de Estado reiterou o que chamou de solução de dois Estados, “ainda viável”, apoiada pela Santa Sé.
“Ainda consideramos viável a fórmula de dois povos em dois Estados, mas o importante é chegar a um acordo e oferecer esperança ao povo palestino”, disse ele. “Veremos o que acontece com o Conselho de Paz sobre Gaza. O que é necessário é criatividade — encontrar uma abordagem que garanta aos palestinos o direito de viver em paz em sua própria terra.”




