Dia Mundial do Enfermo

Papa: ser próximo do outro depende da decisão de amar

Mensagem de Leão XIV para o Dia Mundial do Enfermo propõe a imagem do samaritano como modelo de atitude cristã para com os necessitados

Da Redação, com Boletim da Santa Sé

O Papa Leão XIV se reclina para acariciar o rosto de uma criança em cadeira de rodas

Foto: Alessia Giuliani / Hans Lucas via Reuters Connect

Que nunca falte no estilo de vida cristão a dimensão fraterna, “samaritana”, que tem sua raiz na união com Deus. Este é o desejo do Papa Leão XIV expresso em sua mensagem para o Dia Mundial do Enfermo, que será celebrado no próximo dia 11 de fevereiro. O texto foi apresentado nesta terça-feira, 20, em coletiva de imprensa no Vaticano.

“A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outro” foi o tema escolhido por Leão XIV para a data. Na mensagem, ele explica que quis propor novamente esta imagem, que é sempre atual e necessária, para que os fiéis redescubram a beleza da caridade e a dimensão social da compaixão. Assim, o Papa quer chamar atenção para os necessitados e para os que sofrem, como os doentes.

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.: Íntegra da mensagem do Papa para o Dia Mundial do Enfermo 2026

“Desejei propor a reflexão sobre esta passagem bíblica com a chave hermenêutica da Encíclica Fratelli tutti, do meu querido predecessor, Papa Francisco, na qual a compaixão e a misericórdia para com os necessitados não se reduzem a um mero esforço individual, mas realizam-se na relação: com o irmão necessitado, com aqueles que cuidam dele e, fundamentalmente, com Deus, que nos oferece o seu amor.”, explica o Pontífice.

A alegria de oferecer proximidade e presença

Diante da cultura do efêmero, da pressa, do descarte e da indiferença, a parábola mostra que o samaritano não passou pelo homem ferido sem se aproximar, mas olhou-o com atenção, o que o levou a uma proximidade humana e solidária.

“Jesus não ensina quem é o próximo, mas como ser próximo, ou seja, como nos tornar-nos nós mesmos próximos.”, observa Leão XIV. E acrescenta: “Na verdade, ninguém é próximo de outro enquanto não se aproxima voluntariamente dele”.

O Pontífice também explica na mensagem que ser próximo não depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar. É por isso que o cristão se faz próximo daquele que sofre, seguindo o exemplo de Cristo, o verdadeiro samaritano.

“Não são meros gestos de filantropia, mas sinais nos quais se pode perceber que a participação pessoal nos sofrimentos do outro implica dar-se a si mesmo, supõe ir mais além de satisfazer necessidades, para chegar ao ponto da nossa pessoa ser parte do dom.”

Missão partilhada no cuidado dos doentes

Outro ponto da parábola ressaltado pelo Pontífice foi a atitude do samaritano de encher-se de compaixão. “Ter compaixão implica uma emoção profunda, que conduz à ação.”, pontua. “Nesta parábola, a compaixão é a característica distintiva do amor ativo.”

E não se trata de uma compaixão teórica, mas se traduz em gestos concretos, o que também não acontece de forma individual. O samaritano procurou um dono de estalagem que pudesse cuidar daquele homem. Neste ponto, o Papa partilha um pouco da experiência missionária que ele mesmo teve como missionário no Peru. 

“Familiares, vizinhos, profissionais e agentes pastorais da saúde e tantos outros que param, se aproximam, curam, carregam, acompanham e oferecem o que têm, dando à compaixão uma dimensão social. Esta experiência, que se realiza num entrelaçamento de relações, ultrapassa o mero compromisso individual.”, afirma.

Mover-se pelo amor a Deus

Por fim, o Papa destaca a primazia do amor a Deus e a sua direta consequência na forma do homem amar e se relacionar, em todas as suas dimensões.

“A primazia do amor divino implica que a ação do homem seja realizada sem interesse pessoal ou recompensa, mas como manifestação de um amor que transcende as normas rituais e se traduz num culto autêntico: servir o próximo é amar a Deus na prática”.

Para Leão XIV, o verdadeiro remédio para as feridas da humanidade é um estilo de vida baseado no amor fraterno, que tem as suas raízes no amor de Deus. Propondo uma breve e antiga oração a Virgem Maria, o Papa conclui sua mensagem com a bênção apostólica a todos os doentes, às suas famílias e aos que cuidam deles.

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