ACAMPAMENTO PARA FAMÍLIAS

O Espírito Santo sempre resolve o caos enfrentado, pregam missionários

Na manhã do segundo dia do Acampamento para Famílias, Alexandre e Rosení Oliveira sublinharam ação do Espírito de Deus para ordenar as famílias

Gabriel Fontana
Da Redação

Alexandre e Rosení Oliveira frisaram como ação do Espírito Santo ajudam a superar conflitos na família / Foto: Daniel Xavier

A manhã do segundo dia do Acampamento para Famílias, na sede da Comunidade Canção Nova, teve início com a Adoração ao Santíssimo Sacramento. Em seguida, os peregrinos reunidos nesta sexta-feira, 16, em Cachoeira Paulista (SP), puderam ouvir duas pregações.

A primeira delas ficou a cargo dos missionários Alexandre e Rosení Oliveira. Com o tema “Família: pedagogia de amor”, o pregador destacou, logo de início, como a vida familiar é feita de desafios. Segundo ele, é comum ouvir homens e mulheres dizerem que “a vida em casa está um caos”.

Alexandre citou o relato da criação do mundo no livro do Gênesis, no qual lê-se que “a terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,1). Ele pontuou que este trecho pode ser traduzido como “caos”, que apesar de sua deformidade, tem a presença de Deus sobre si.

“Deus não Se afasta do caos. (…) Ele envolve o caos para colocar a ordem de todas as coisas. Deus começa a pintar a tela em branco. Deus começa a colocar tudo no seu devido lugar”, afirmou o missionário. “Não existe caos onde a presença divina se faz ausente; ao contrário, em todo caos, (…) basta você abrir o coração para a presença divina porque Deus quer Se fazer presente em meio a esse caos”, complementou.

A ordem do amor

Alexandre mencionou o conceito de ordem do amor, explicado por Santo Agostinho. O Doutor da Igreja ensina que o amor se direciona para o objeto de seu desejo. Desta forma, o amor, quando ordenado, leva o ser humano a direcionar-se para Deus. O problema, apontou Alexandre, é quando o amor encontra-se desordenado e afasta o homem do Senhor.

“Eu posso me tornar uma pessoa má mesmo amando coisas boas”, salientou o pregador. O amor precisa ser ordenado, e Deus é Aquele que ordena – inclusive o amor conjugal, que tem tanto direitos quanto exigências e deveres. “A família não pode ser bagunça; é cada um no seu papel, cada um no seu devido lugar”, sinalizou.

Em seguida, Rosení indicou como a presença divina mesmo em meio ao caos é um sinal de esperança para a família. “Não importa o tamanho da bagunça, é sempre o Espírito Santo que vai resolver”, ressaltou, partilhando ainda algumas experiências vividas dentro de casa.

“Deus olha para a família e, porque Ele ama a família, dá uma lei. O amor é um mandamento”, exclamou Alexandre. Tal mandamento direciona e atrai o homem a Deus – é o próprio Espírito Santo, que rege a vida do ser humano e, por extensão, da sua família. “Falar de pedagogia do amor é falar da pedagogia do Espírito”, expressou.

Famílias cheias do Espírito

O missionário enfatizou a importância do respeito uns aos outros dentro da família. É preciso uma conversão verdadeira, com a abertura do coração ao Espírito: “se você não for um homem cheio do Espírito Santo, você não vai nem perceber que o seu filho está gritando por socorro”, alertou.

A lei do Espírito move o coração para o céu, para a eternidade, sublinhou Rosení. “Esse movimento do nosso coração para o céu exige esforço. (….) Se nós não lutarmos e cairmos, a nossa alma está em jogo”, ressaltou.

Histórico do divórcio no mundo

Padre José Eduardo alertou para influência do divórcio e da mentalidade contraceptiva sobre as famílias católicas / Foto: Daniel Xavier

Membro do clero de Osasco (SP), padre José Eduardo fez a segunda pregação da manhã, cujo tema foi “O divórcio e a mentalidade contraceptiva”. Segundo o sacerdote, ambas as realidades tocam muitas famílias católicas nos dias atuais.

Padre José Eduardo destacou que o vínculo conjugal sempre foi considerado indissolúvel pela Igreja. A partir do Concílio de Trento, explicou, foi realizado um esforço cada vez maior para proteger os relacionamentos, para que a Igreja conseguisse verificar se as partes que desejam contrair matrimônio de fato o fazem com liberdade.

A compreensão acerca deste conceito começou a mudar a partir de Henrique VIII, rei da Inglaterra que pediu a anulação do seu casamento ao Papa Leão X, que negou. Com o desenrolar da Reforma Protestante, o casamento deixou de ser considerado um sacramento por alguns grupos e passou a ser uma responsabilidade das autoridades civis.

“A partir daí, nós começamos a descer uma ladeira que se torna muito mais acentuada com o passar das décadas”, prosseguiu padre José Eduardo. Ele explicou que a Revolução Francesa introduziu pela primeira vez, nas sociedades cristãs, o divórcio. Com o passar do tempo, foram sendo implementadas leis regulatórias do divórcio, sobretudo na segunda metade do século XX.

Falta de estrutura moral dos cônjuges

“Diante de uma estrutura que favorece de modo tão direto a ruptura da aliança matrimonial, os casais começaram a enxergar o divóricio como uma eventual solução para os seus impasses de convivência”, salientou o pregador. “Porém, essa forma de pensar não é a forma de pensar de um cristão católico”, acrescentou.

Citando o Catecismo da Igreja Católica (CIC), o pregador enfatizou que o divórcio é um pecado, não uma solução normal. Ele pontuou que há casos nos quais a separação dos esposos com a manutenção do vínculo matrimonial pode ser legítima dentro de contextos previstos pelo Direito Canônico.

“O tema é variado e há muitas nuances”, situou padre José Eduardo. Refletindo sobre as causas que têm levado tantos casais a se divorciaram, o sacerdote citou a exortação apostólica Amoris Laetitia, escrita pelo Papa Francisco. Nela, o Pontífice indica a falta de virtudes como um dos motivos para as dificuldades no matrimônio.

Neste contexto, o pregador alertou para as pessoas que não têm estrutura moral e humana para lidar com relacionamentos. “O problema dos matrimônios que não se mantêm em pé não está no matrimônio, está antes dele. Está nessa formação humana, psicológica e espiritual que lamentavelmente falta na maioria das famílias cristãs”, manifestou.

Alerta contra a mentalidade contraceptiva

Voltando-se para a questão da mentalidade contraceptiva, padre José Eduardo explicou que, a partir da década de 1950, surgiram diversas fundações que começaram a investir em políticas de contracepção. DIUs de cobre, preservativos, pílulas anticoncepcionais surgiram e foram difundidos como política de planejamento familiar até o fim da década de 1970.

A estratégia desses grupos então foi alterada para abordar padrões comportamentais, prosseguiu o sacerdote. Começou-se a difundir que ter filhos é algo ruim, e essa mentalidade acabou atingindo as famílias católicas.

Retomando o Catecismo, o padre explicou que “o pecado da contracepção consiste em intervir, antes, durante ou depois, para que o ato seja deliberadamente infecundo”. Segundo o pregador, ao separar o prazer sexual do seu fim, que é a procriação, comete-se um abuso deste prazer, o que constitui um pecado grave.

Resposta generosa a Deus

Padre José Eduardo pontuou, porém, que isso não significa que os casais devem ter um número “ilimitado” de filhos. ”A continência periódica, os métodos de regulação dos nascimentos baseados na auto-observação e no recurso aos períodos infecundos, são conformes aos critérios objetivos da moralidade” (CIC 2370), citou o pregador.

Ele reconheceu que ter filhos traz sim uma série de responsabilidades – e transtornos – aos pais. “Mas quando você faz essa escolha heroica de ser generoso com Deus no número dos filhos, você vai descobrindo a beleza que é ter uma família na qual os próprios filhos, tendo que conviver uns com os outros, vão aprender, de modo mais orgânico, virtudes fundamentais que lhes permitirão, no futuro, constituir a sua própria família”, exprimiu.

O sacerdote observou, porém, que a Igreja chama os fiéis à paternidade responsável, ou seja, a terem um número de filhos condizente à sua capacidade. “É para isso que existe a continência periódica”, pontuou, sinalizando que, nesses casos, o casal católica reduz os contatos íntimos aos períodos infecundos da mulher.

Concluindo sua pregação, padre José Eduardo frisou que o ser humano anseia por relações reais. Da mesma forma, os filhos esperam a presença dos pais, bem como os cônjuges querem uma relação real com seus pares. “Que o Espírito Santo nos leve a nadar contra a corrente e de superar os limites do espírito do tempo, dessa estrutura cultural perversa na qual todos nós estamos”, finalizou.

Programação continua

A programação do Acampamento para Famílias continua nesta sexta-feira, 16. Às 14h, o casal Eduardo e Edna Oliveira, da Comunidade Filhos de João Batista, farão uma pregação com o tema “E se o vinho vier a faltar?”. Em seguida, haverá o Terço da Misericórdia, às 15h, a Missa presidida pelo padre José Eduardo às 16h e o Terço Mariano às 17h50. Mais tarde, acontecerá a Noite Oracional “Famílias aos pés da Cruz”, com a participação do padre José Eduardo e de Eduardo e Edna.

O acampamento segue até o domingo, 17, com diversos momentos de oração, pregação e adoração, além da celebração da Missa. Para conferir a progrmaação completa, clique aqui.

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