Ao responder carta de catequista suíça que denuncia desinteresse de jovens e famílias pela religião, Leão XIV frisou que fiéis testemunhem a alegria do Evangelho
Da Redação, com Vatican News

Foto: Alessia Giuliani/IPA/Sipa USA via Reuters Connect
Na Revista Piazza San Pietro deste mês, o Papa Leão XIV respondeu a uma catequista suíça chamada Nunzia e que vive em uma cidade de apenas 620 habitantes. A publicação mensal que foi lançada no contexto do Ano Jubilar traz, a cada edição, uma carta do Pontífice em resposta às perguntas enviadas por fiéis.
“Eu semeio, mas as mudas têm dificuldade para crescer. Crianças e famílias preferem esportes e festas”, escreveu a mulher de 50 anos. Ela citou que as famílias são pouco presentes e muitas vezes indiferentes à prática religiosa. Isso resulta em igrejas cada vez mais vazias aos domingos, frequentadas principalmente por idosos.
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No entanto, mesmo diante do desânimo, a catequista reafirmou seu compromisso. Ela pediu ao Santo Padre uma oração pelos jovens confiados aos seus cuidados e por ela mesma, para que não perca a coragem de continuar.
Testemunhar a alegria do Evangelho
Em sua resposta, Leão XIV acolheu as preocupações de Nunzia e as colocou no contexto europeu. “A situação em que você vive não é diferente da de outros países de antiga cristandade”, indicou, convidando-a a olhar além dos números de participação. “As horas dedicadas à catequese nunca são desperdiçadas, mesmo que os participantes sejam muito poucos”, afirmou.
“O problema não são os números – que, certamente, fazem refletir”, prosseguiu o Papa, “mas a falta cada vez mais evidente de consciência de nos sentirmos Igreja, ou seja, membros vivos do Corpo de Cristo, todos com dons e papéis únicos, e não meros usuários do sagrado, dos sacramentos, talvez por mero costume”.
À catequista – e a todos aqueles que vivem as mesmas dificuldades –, o Pontífice indicou um caminho. “Como cristãos, sempre precisamos de conversão. Devemos buscá-la juntos”, apontou, lembrando que a verdadeira porta da fé “é o Coração de Cristo, sempre escancarado”.
Recordando São Paulo VI, o Santo Padre concluiu: “o que se pode fazer é testemunhar a alegria do Evangelho de Cristo, a alegria do renascimento e da ressurreição”.




