O Papa enviou uma mensagem ao Arcebispo de Bagdá dos Sírios-Católicos, Dom Athanase Matti Shaba Matoka, por ocasião das exéquias das vítimas do gravíssimo ataque terrorista desferido contra a catedral sírio-católica de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro da capital iraquiana no último domingo, 31, durante a Santa Missa.
"Há anos este amado País sofre inomináveis sofrimentos e também os cristãos tornaram-se objeto de ataques hediondos que, em total desprezo à vida, inviolável dom de Deus, desejam minar a confiança e a convivência civil", afirma o Pontífice.
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As exéquias foram celebradas nesta terça-feira, 2, na igreja caldeia de São José. Segundo os últimos balanços, o saldo é de 58 mortos – entre os quais mulheres e crianças, além de dois jovens sacerdotes – e cerca de 80 feridos.
O Santo Padre também renovou seu apelo para que o sacrifício desses irmãos "possa ser semente de paz e de verdadeiro renascimento e para que todos os que se preocupam com a reconciliação, a fraterna e solidária convivência, encontrem motivo e força para fazer o bem".
Dom Athanase explicou ao jornal oficial do Vaticano L'Osservatore Romano que a situação é muito tensa e que a comunidade cristã está preocupada com tudo o que tem acontecido. O Arcebispo participou dos funerais na terça-feira, juntamente com o Arcebispo de Bagdá dos Caldeus, Cardeal Emmanuel III Delly, e o Arcebispo de Mossul dos Sírios, Basile Georges Casmoussa.
"Os cristãos no Iraque sofrem uma enorme pressão psicológica e os nossos corações estão cheios de cólera. Uma pergunta continua a assolar-nos: por quanto tempo ainda deveremos suportar esta carnificina, e por quê?", disse um dos fiéis participantes no rito das exéquias.
A comunidade cristã tem sido continuamente atacada nos últimos anos, mas resiste, apesar de haver muitos que tenham preferido abandonar momentaneamente a sua pátria.
"No Iraque, as pessoas devem ter uma fé realmente forte, a ponto de estarem prontas, como cristãos, também ao testemunho extremo, à morte", disse o Bispo auxiliar de Bagdá dos Caldeus, Shlemon Warduni.
A comunidade internacional expressou uma firme condenação ao ataque, incluindo a Europa e alguns países árabes, como Jordânia e Egito, bem como os Estados Unidos.
A França ofereceu asilo a 150 cristãos iraquianos, incluindo alguns feridos no atentado do domingo. O ministro da Imigração, Eric Besson, afirmou que a decisão faz parte da tradição francesa de dar segurança a minorias perseguidas, segundo informações da Associated Press. Besson informou que a França tem oferecido asilo a cristãos iraquianos desde 2007, e que aproximadamente 1.300 já foram recebidos no país, como parte de um programa em parceria com a agência de refugiados das Nações Unidas.
O mais influente dignitário xiita iraquiano, o aiatolá Ali Sistani, expressou sua dor pela "ação criminosa contra nossos irmãos cristãos", pedindo que as instituições garantam a segurança dos cidadãos.
O Conselho Ecumênico das Igrejas se disse "profundamente perturbado pelo contínuo sofrimento dos cristãos no Iraque" e expressou sua solidariedade "a todas as Igrejas que estão atravessando períodos sombrios e difíceis e não cessam de testemunhar o amor e a paz de Deus em Jesus Cristo também em meio ao ódio e agressividade".
No Angelus da Solenidade de Todos os Santos, 1º, Bento XVI já havia expressado sua proximidade à comunidade cristã do país e seu pedido de paz. "Rezo pelas vítimas desta absurda violência, tão mais feroz porque atingiu pessoas indefesas, recolhidas na casa de Deus, que é casa de amor e reconciliação. […] Todos unamos nossas forças para que termine toda a violência!", afirmou na ocasião.
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