Após ser capturado e preso, Maduro se declarou inocente das acusações de tráfico; sua esposa, Cilia Flores, também se declarou inocente
Da redação, com Reuters

Esboço do julgamento de Maduro em Nova York, nesta segunda-feira, 5 / Foto: Reprodução Reuters
O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira, 5, das acusações de tráfico de drogas, após a captura realizada pelo presidente Donald Trump, que abalou líderes mundiais e deixou autoridades em Caracas em busca de respostas.
Maduro, de 63 anos, declarou-se inocente em um tribunal federal de Nova York de quatro acusações criminais: narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e posse de metralhadoras e dispositivos explosivos.
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“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente. E ainda sou presidente do meu país”, disse Maduro por meio de um intérprete, antes de ser interrompido pelo juiz distrital Alvin Hellerstein.
A esposa de Maduro, Cilia Flores, também se declarou inocente. A próxima audiência foi marcada para 17 de março. Dezenas de manifestantes, tanto pró quanto contra Maduro, se reuniram em frente ao tribunal antes da audiência de meia hora.
As acusações
Maduro é acusado de supervisionar uma rede de tráfico em conjunto com outros cartéis do México, Sinaloa e Zeta, com os rebeleda das FARC colombianas e Gangue Tren de Aragua, da própria Venezuela.
Maduro sempre negou as acusações, afirmando que eram uma máscara para planos imperialistas sobre as ricas reservas de petróleo da Venezuela.
Trump não escondeu seu desejo de participar da riqueza petrolífera venezuelana. As ações das companhias petrolíferas estadunidenses dispararam na segunda-feira, impulsionadas pela perspectiva de acesso às suas vastas reservas.
A prisão e o julgamento
Na manhã de segunda-feira, Maduro — com as mãos algemadas — e sua esposa foram escoltados por guardas armados com equipamentos táticos de um centro de detenção no Brooklyn até um helicóptero com destino ao tribunal federal de Manhattan.
O juiz iniciou a audiência ao meio-dia (horário local) resumindo as acusações da denúncia. Maduro, vestindo uniforme de presidiário laranja e bege, ouviu por meio de fones de ouvido com a ajuda de um intérprete.
Hellerstein pediu a Maduro que se levantasse e confirmasse sua identidade. Maduro respondeu em espanhol. O juiz informou ao casal sobre seu direito de comunicar suas prisões ao consulado venezuelano.
Os promotores afirmam que Maduro está envolvido com o narcotráfico desde que começou a atuar na Assembleia Nacional da Venezuela, em 2000, passando por seu mandato como ministro das Relações Exteriores e sua subsequente eleição em 2013 como sucessor do falecido presidente Hugo Chávez.
O advogado de Maduro, Barry Pollack, disse que previa um litígio complexo sobre o que chamou de “sequestro militar” de seu cliente. Afirmou que Maduro não estava solicitando sua libertação, mas poderia fazê-lo posteriormente.
O advogado de Flores, Mark Donnelly, disse que ela sofreu ferimentos graves, incluindo hematomas severos nas costelas, e pediu que fosse submetida a radiografias e a uma avaliação física.
Procuradores federais em Nova York indiciaram Maduro pela primeira vez em 2020 como parte de um caso de tráfico de drogas de longa data contra autoridades venezuelanas e guerrilheiros colombianos, tanto atuais quanto antigos. Uma acusação atualizada, tornada pública no sábado, acrescentou novos detalhes e corréus, incluindo Cilia Flores.
Os Estados Unidos consideram Maduro um ditador ilegítimo desde que declarou vitória em uma eleição de 2018 marcada por alegações de irregularidades em larga escala.
Especialistas em direito internacional questionaram a legalidade da operação, com alguns condenando as ações de Trump como uma rejeição à ordem internacional baseada em regras.




