Proximidade

Igreja na Suíça reforça apoio às vítimas de tragédia em Crans-Montana

Em entrevista à mídia vaticana, bispo de Sion afirmou que papel da Igreja é ser antes de tudo, “uma presença silenciosa e compartilhada”

Da Redação, com Vatican News

Flores, bilhetes e objetos de pelúcia são deixados em memorial improvisado em homenagem às vítimas de um incêndio, em espaço público.

Memorial com flores e mensagens homenageia vítimas de incêndio na Suíça /Foto: Reprodução Reutes

Após o incêndio ocorrido na madrugada da última quinta-feira, 1º de janeiro, em Crans-Montana, na Suíça, que deixou mais de 40 mortos e centenas de feridos, o bispo de Sion, Dom Jean-Marie Lovey, destacou à mídia vaticana o papel da Igreja “diante de um drama que abalou profundamente a comunidade local”. “A Igreja é chamada, antes de tudo, a uma presença silenciosa e compartilhada”, disse.

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Segundo o bispo, o clima na diocese é marcado por comoção, incompreensão e muitos questionamentos. Ele relatou que esteve em Montana para a celebração eucarística em sufrágio das vítimas, ocasião em que percebeu a dor expressa nas perguntas recorrentes dos fiéis sobre como a tragédia pôde acontecer. Para Dom Lovey, trata-se de “algo terrível demais”, que gera expectativa por esclarecimentos e um sentimento coletivo de perplexidade.

A primeira “resposta pastoral” foi organizada em diálogo com o pároco local, respeitando o trabalho das autoridades civis e de saúde. A missa celebrada na quinta-feira reuniu uma igreja lotada, sinal, segundo o bispo de Sion, da necessidade das pessoas “de se reunir, de se reencontrar, de viverem juntas a emoção e, talvez, o conforto que a presença pode oferecer”. Dom Lovey observou que “a solidão, especialmente em momentos como este, é pesada demais para carregar”. Ao final da celebração, foi anunciado um novo momento de oração ecumênica, previsto para este domingo, 4, além da abertura das igrejas locais para acolher quem desejasse rezar, assinar o livro de condolências ou simplesmente ser ouvido. Ele também recordou o gesto silencioso realizado no centro da cidade, onde jovens depositaram flores e velas como expressão de dor e angústia.

De acordo com o bispo, a tragédia evidenciou uma profunda necessidade de consolo entre os fiéis. Ele ressaltou que o ministério cristão se fundamenta na comunhão e na proximidade, afirmando que “estar com quem está só, consolar quem se encontra sozinho. Garantir uma presença: esse é o próprio ser de Deus”. Para Dom Lovey, existe uma expectativa real, ainda que nem sempre explicitada, de que o sofrimento das famílias atingidas seja reconhecido por meio de palavras, gestos, olhares e até do silêncio partilhado.

Ao descrever o perfil religioso de Crans-Montana, o bispo explicou que se trata de uma estação turística marcada por grande diversidade cultural e religiosa, especialmente durante a alta temporada. Ele observou que muitos visitantes, inclusive famílias italianas que também foram afetadas pela tragédia, reencontram nesse contexto um tempo favorável à oração e ao silêncio. Destacou ainda a presença significativa da comunidade protestante e afirmou que o que se vive na localidade “é uma bela imagem da Igreja”, marcada por universalidade e comunhão.

Dom Lovey também ressaltou a ampla rede de solidariedade mobilizada após o incêndio, tanto dentro quanto fora da Suíça. Segundo ele, autoridades políticas, forças de segurança e profissionais da saúde têm testemunhado uma cooperação exemplar, expressa no atendimento às vítimas e na transferência de feridos graves para hospitais da Suíça, da França e da Itália. Para o bispo, essa resposta conjunta é “reconfortante”, por unir espontaneidade, profissionalismo e senso de responsabilidade.

Ao dirigir uma mensagem às famílias enlutadas, Dom Lovey afirmou desejar transmitir, no início do novo ano, uma palavra de esperança enraizada na fé cristã. Reconhecendo a gravidade do sofrimento, ele disse que, “para além dessas nuvens escuras e negras”, é possível acreditar que “uma luz é possível”. Recordando o sentido do Natal e da Epifania, o bispo sublinhou que a mensagem cristã anuncia que “sobre a terra das trevas e sobre aqueles que viviam na sombra do sofrimento e da dor, uma luz resplandece”. Por fim, expressou o desejo de que as famílias atingidas possam acreditar que Deus entra no coração dos que sofrem, fazendo-se próximo dos mais frágeis, “com o menor, com o mais pobre e com quem está sofrendo”.

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