Seca severa compromete produção de milho e força agricultores a mudar de cultivo
Hungria e Romênia. Os dois importantes produtores de milho da União Europeia viram suas plantações diminuírem drasticamente nos últimos anos. A forte estiagem do verão mudou o cenário local.
Reportagem de Wallace Andrade
Imagens da Reuters
Estamos no nordeste da Hungria, onde plantações inteiras estão perdidas por causa da falta de chuvas. O agricultor Karoly Kovacs, caminha desolado pelo milharal de Rai Dus Zuboslo. A seca devastou 95% de tudo que plantou.
“A principal cultura aqui era o milho. Chovia bastante, as colheitas eram magníficas. A produção em 2010 era de 17 toneladas por hectare, época que chovia 1000 mm, agora é quase zero de chuva”, contou, Karoly Kovacs.
Ondas de calor recordes e escassez crônica de água forçam alguns agricultores a abandonar o cultivo do milho na maior região produtora do país. De grande exportadora do grão, a Hungria deve importar milho este ano. “Somos forçados a mudar. Só produziremos metade do milho necessário para o nosso consumo interno. A indústria de rações tenta substituir o milho por cereais. Acho que todos precisam refletir se vale a pena produzir”, ressaltou o presidente da Associação de Produtores de Grãos da Hungria, Tamas Petohazi.
O agricultor romeno Stefan Moraru está no ramo há 30 anos. Optou por cultivar girassóis porque exigem menor quantidade de água do que o milho. Enfrentou várias fases, mas essa é a mais difícil. “O rio Danúbio chegou a esse ano com um nível muito baixo. Voltamos a ser afetados porque não conseguimos captar água do Danúbio. Os agricultores, mesmo com sistemas de irrigação, não conseguem aproveitar o investimento”, completou Karoly.
Karolyl já sabe que a produção de milho desse ano é a mais baixa em quase duas décadas. Ele já pensa em produzir macarrão seco utilizando ovos de suas galinhas.




