VIDA CONSAGRADA

Consagrados: uma presença constante em tempos de fragilidade

Carta do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada destaca como a vida consagrada é “uma ‘presença que permanece’, sobretudo em áreas marcadas pela guerra

Da redação, com Vatican News

Foto: suricoma de Getty Images via Canva

O Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica enviou uma carta a todos os consagrados e consagradas “em todas as partes do mundo, nos lugares onde vivem e exercem a sua missão”.

Assinada pela Prefeita, Irmã Simona Brambilla; pelo Pró-Prefeito, Cardeal Ángel F. Cardeal Artime; e pela Secretária do Dicastério, Irmã Tiziana Merletti, a mensagem começa por expressar a gratidão pela fidelidade ao Evangelho e pelo dom da vida que os consagrados e consagradas têm oferecido. “Uma vida por vezes marcada por provações, mas sempre vivida como sinal de esperança”, como descreve a carta.

Continuamos em situações complexas

Refletindo sobre o ano passado, os responsáveis ​​do Dicastério destacam o dom de realizar visitas pastorais e viajar para encontrar “os rostos de muitos consagrados chamados a partilhar situações complexas”. São pessoas que vivem em lugares marcados por conflitos, pobreza, migração forçada, condição de minoria religiosa, instabilidade social e política, entre outros fatores.

Esses desafios demonstram, como destaca a carta, como a vida consagrada é “uma ‘presença que permanece’ ao lado de povos e indivíduos feridos, em lugares onde o Evangelho é frequentemente vivido em condições de fragilidade e provação”.

A forma como essa presença se manifesta depende da situação e da sociedade, que variam de lugar para lugar. A carta enfatiza que é precisamente onde “a situação política e social testa a confiança e mina a esperança” que a “presença fiel, humilde, criativa e discreta do povo consagrado se torna um sinal de que Deus não abandona o seu povo”.

Permanecer com amor

“O ‘permanecer’ evangélico nunca é imobilidade ou resignação”, destaca a carta, “É esperança ativa que gera atitudes e gestos de paz”. Isso pode se manifestar em palavras desarmantes em meio ao conflito, em relações que impulsionam o diálogo, em escolhas dedicadas à proteção dos pequeninos, etc.

Essa escolha de permanecer não é pessoal nem comunitária. Ela se transforma, antes, em palavra profética para a Igreja e para o mundo inteiro.

A vida apostólica ajuda a tornar evidente uma “proximidade ativa que ampara a dignidade ferida; a vida contemplativa salvaguarda, pela intercessão e fidelidade, a esperança quando a fé é provada; os institutos seculares testemunham o Evangelho como fermento discreto nas realidades sociais e profissionais; o Ordo virginum manifesta o poder da gratuidade e da fidelidade que se abre para o futuro; a vida eremítica recorda a primazia de Deus e o essencial que desarma o coração”.

Nessas diversas formas de vida, emerge um aspecto, ou, como descreve a carta, uma profecia: “permanecer com amor, sem abandonar, sem calar, fazendo da própria vida a Palavra para este tempo da história”.

Nessa profecia, cresce o testemunho da paz. Como o Papa Leão XIV explicou repetidamente, a paz não é uma ideia abstrata, mas uma “caminhada exigente e diária” que requer escuta, paciência, diálogo, conversão do coração e da mente, e a recusa da mentalidade do forte sobre o fraco.

“A paz não nasce da oposição”, continua a carta, “mas do encontro, da responsabilidade compartilhada”. Quando se escuta com amor, o diálogo e a paz podem florescer. Por isso, a vida consagrada, quando escolhe permanecer próxima dos necessitados sem recorrer ao conflito, pode se tornar “artesã da paz”.

A carta conclui com uma exortação à perseverança na missão da vida consagrada, à luz do Jubileu da Vida Consagrada em 2025. Durante essa experiência, todos os consagrados foram chamados a se tornarem peregrinos da esperança no caminho da paz. Este é o estilo evangélico que a carta convida todos os consagrados e consagradas a “vivenciarem todos os dias, onde quer que a dignidade seja ferida e a fé seja provada”.

Os chefes do Dicastério confiam todos os consagrados ao Senhor para que sejam, em sua missão, “uma profecia de presença e uma semente de paz”.

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