Ofensiva de Israel teve Hezbollah como alvo e deixou mais de 250 mortos; divergências sobre inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo gera incerteza
Da Redação, com Vatican News e Reuters

Fumaça avistada em diferentes locais de Beirute após ataques israelenses nesta quarta-feira, 8 / Foto: Marwan Naamani/dpa via Reuters Connect
No primeiro dia da trégua acordada entre Estados Unidos e Irã, o exército israelense lançou uma onda massiva de ataques ao Líbano tendo como alvo o grupo terrorista Hezbollah. Ao todo, 254 pessoas morreram e 1.165 ficaram feridas neste que é considerado o “dia mais mortal da guerra”.
A ofensiva isarelense ameaça a trégua que havia sido estabelecida. Segundo o Paquistão, país que media as negociações, o acordo de cessar-fogo também incluía o Líbano. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sinalizaram o contrário.
Reações aos ataques
Em suas redes sociais, Netanyahu afirmou que Israel segue golpeando o Hezbollah com força, precisão e determinação. “Nossa mensagem é clara: quem age contra os cidadãos de Israel será atingido. Continuaremos a golpear o Hezbollah em qualquer lugar que for necessário, até que restauremos a segurança total para os residentes do norte”, escreveu.
Em resposta aos ataques sofridos, o Hezbollah anunciou um lançamento de foguetes contra Israel. A ofensiva israelense também provocou protestos da Guarda Revolucionária Iraniana, aliada da milícia xiita libanesa, que avalia abandonar ou não as negociações de paz e retomar os ataques contra Israel. O Irã também fechou o Estreito de Ormuz à navegação, única condição colocada por Trump para que o cessar-fogo entrasse em vigor.
O presidente estadunidense anunciou, em sua rede social, que suas tropas permanecerão posicionadas no Irã até que “o verdadeiro acordo alcançado seja totalmente cumprido”. Caso isso não aconteça, os ataques ocorrerão “maiores, melhores e mais fortes do que qualquer um jamais viu”, ameaçou Trump.
Por sua vez, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que os ataques israelenses ao Líbano são uma violação flagrante do acordo inicial de cessar-fogo. “Isso é um sinal perigoso de engano e falta de compromisso com os acordos potenciais. A continuação dessas ações tornará as negociações sem sentido. Nossas mãos permanecem no gatilho. O Irã nunca abandonará seus irmãos e irmãs libaneses”, afirmou.

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Nações Unidas apontam riscos
O primeiro-ministro do Paquistão, Shebaz Sharif, confirmou que violações do cessar-fogo foram relatadas em alguns lugares da zona de conflito, comprometendo o espírito do processo de paz. “Eu apelo sinceramente e com toda a seriedade a todas as partes para que exerçam moderação e respeitem o cessar-fogo por duas semanas, conforme acordado, para que a diplomacia possa assumir um papel de liderança rumo a uma solução pacífica para o conflito”, publicou em seu perfil no X.
A nova escalada no conflito também provocou reações entre diversos líderes europeus. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um apelo às partes para que interrompam o conflito e classificou as operações no Líbano como “um grave risco para o cessar-fogo e para os esforços de alcançar uma paz duradoura e abrangente na região”.
Origem do conflito
A guerra entre Israel e o Hezbollah eclodiu em 2 de março, quando o grupo terrorista alinhado ao Irã disparou contra o território israelense. O ataque foi uma manifestação de apoio ao governo iraniano após o ataque dos Estados Unidos e de Israel ao país persa em 28 de fevereiro. O exército israelense lançou em resposta uma ofensiva contra o Líbano, onde o Hezbollah se encontra, escalando o conflito.




