Intitulado “Quo vadis, humanitas?”, documento da Comissão Teológica Internacional (CTI) foi aprovado pelo Papa Leão XIV e publicado nesta quarta-feira, 4
Da Redação, com Vatican News

Foto: Canva
A Santa Sé divulgou um novo documento da Comissão Teológica Internacional (CTI) nesta quarta-feira, 4. Intitulado “Quo vadis, humanitas?” (que significa “Para onde vais, humanidade?”), o texto aborda o desafio da antropologia cristã na era da inteligência artificial (IA).
Diante de uma aceleração tecnológica sem precedentes, a Teologia quer oferecer “uma proposta teológica e pastoral” que entende a vida humana como “vocação integral”, à luz do Evangelho. Para isso, faz referência à constituição conciliar Gaudium et spes, publicada há 60 anos, retomando o diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo.
O documento é dividido em quatro capítulos, além da introdução e da conclusão. O enfoque é a tecnologia digital, que “não é mais apenas uma ferramenta, mas constitui um verdadeiro ambiente de vida”, na medida em que estrutura as atividades humanas e as relações. Daí decorrem vários riscos: no âmbito ambiental, a expansão do mundo artificial implica uma economia baseada na exploração ilimitada dos recursos, em nome do lucro máximo.
No relacionamento com os outros, a revolução digital pode levar o indivíduo a se sentir insignificante em um fluxo incontrolável e desestabilizador de informações, entre contatos meramente virtuais.
Estrutura do documento
O primeiro capítulo é dedicado ao desenvolvimento, caracterizado por dois polos: o transumanismo e o pós-humanismo. O primeiro engloba a vontade de melhorar concretamente as condições de vida dos povos, superando seus limites físicos e biológicos. O segundo vive o “sonho” de substituir o humano, enfatizando o híbrido que torna fluida a fronteira entre o homem e a máquina. Entre esses polos coloca-se a fé cristã, que “impele a buscar uma síntese” das tensões humanas em Cristo, o Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado.
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O segundo capítulo do documento centra-se na vocação integral, que considera a experiência humana nas categorias concretas de tempo, espaço e relação. A tecnologia torna tudo contemporâneo, o que pode levar a “formas de revisionismo e negacionismo” ou “populismos”. Diante disso, o Evangelho se apresenta como uma “contracultura” porque, na “aceleração horizontal” que a história sofre, o Verbo lhe oferece um sentido, ou seja, Jesus Cristo, ponto de encontro entre o tempo do homem e a eternidade de Deus.
A identidade é o tema do terceiro capítulo: “Nenhum ser humano pode ser feliz se não sabe quem é”, afirma a CTI. Portanto, cada um deve assumir a “tarefa” de se tornar ele mesmo e transformar o mundo de acordo com o desígnio de Deus. Além disso, como filhos amados do Senhor, os seres humanos amadurecem sua identidade principalmente no amor.
O quarto e último capítulo do documento analisa a dramática condição do processo de realização da identidade humana, que passa por diversas “tensões ou polaridades”. A referência é à “vida trinitária”, em virtude da qual a relação entre dois não se fecha sobre si mesma, nem anula o outro, mas “se abre à realização no terceiro”. A “harmonia perfeita” entre as Pessoas trinitárias remete para a fraternidade universal e é expressa de forma culminante na Eucaristia, que “regenera as relações humanas e as abre à comunhão”.
Por fim, em sua conclusão, o documento ressalta com clareza que “o futuro da humanidade não se decide nos laboratórios de bioengenharia, mas na capacidade de habitar as tensões do presente”, sem perder o sentido do limite e da abertura ao mistério de Cristo ressuscitado.
Confira:
.: Íntegra do documento “Quo vadis, humanitas?” (em italiano)




